terça-feira, 3 de novembro de 2015

Mandala

Espalhei as palavras à minha frente - como contas coloridas, jóias, pedaços nacarados de conchas marinhas que um dia deslizaram sob as ondas - e peguei-lhes com cuidado, quase ternura, por aquilo que crio com elas.

Cuidadosamente arranjei-as, ordenei-as em padrão (um desenho retorcido como eu o sou) e enlacei as frases para que o sentido, simples e linear como as nossas conversas, não deixasse transparecer a riqueza multicolor subjacente.

Uma e outra vez lancei-as como borboletas até ti (estranhas borboletas estas que constroem pontes de comunicação) mas com o cuidado de quem caminha sobre gelo fino, escorregadio e traiçoeiro, pois uma simples conta, uma pérola a mais, poderia expôr o que não devo revelar.

Talvez um dia, à conta de tantas borboletas trémulas que esvoaçaram na tua direcção, consigas ver o padrão escondido, a mandala fractal onde, entre conchas e contas de cor, escrevi o teu nome.

(original aqui)

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