domingo, 29 de janeiro de 2012

Zest

To most people, life is not always easy.

There are - and will be - times when you don’t get what you want or feel you deserve. The recognition. The pay. The outcome of your efforts. The love of the one person in your dreams.

Sure, everybody knows someone who seems to slide through life as if nothing could ever go wrong for them – winning the prize on the church raffle, getting the last ticket to that much coveted concert, having their book published at first attempt. But maybe that’s just because they value what goes right, they’re thankful for it, and make the best of what went wrong.

It’s the attitude that marks the difference, as strongly as if it carried one big dark X on its back. When something goes wrong, one can simply put their hands down and sob on how life is unfair, wallowing in their disappointment. Or one can analyze why things went wrong and take it as a lesson for next time. Polarized attitudes.
Some things can’t be thoroughly analyzed - like the lottery results or someone’s decision that you don’t understand; things that fall into the category of ‘unprocessable’. But those won’t be the majority, and the way one reacts to them also makes a difference. All lessons, hard or easy, have their value. If one can extract the zest of it, all will be precious.

Life gives and will continue to give you lemons. You can hold the lemon in your hand and cry to the wind on how sour it is… or you can take it to the kitchen, use the zest to bake a cake, then squeeze the juice and make some salad dressing.

Life is all about what you make of your lemons. Life is what you make it.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Post-It's do Exílio

Escrevo porque me dá na telha. "E mai' nada".
Escrevo porque me apetece escrever, porque tenho que atirar cá para fora, sob a forma de palavras, algo que me alegra ou me assola.
Post-it's pequenos que são fotogramas de momentos nos meus dias.
Post-it's grandes que são pequenas peças deste confuso puzzle que sou eu.

Gostava de saber escrever melhor. Ser sucinta, conseguir condensar num texto pequeno uma imensidade de sensações, transmiti-las a quem me lê, cristalizar em poucas linhas um conjunto de imagens que se sobrepõem até fazer um quadro.
A sério. Gostava de escrever como a Sofia Vieira, que em meia dúzia de linhas não deixa nada por dizer - ao contrário de mim, que tento focar um assunto de vários ângulos com receio de deixar escapar alguma coisa e acabo por me tornar prolixa, insistente - chata.

Gostava de escrever a um tempo sucintamente e com tanto desprendimento sobre qualquer assunto, mesmo que muito pessoal. De exorcizar algumas coisas que se tornam fantasmas nas minhas meninges e me enevoam as sinapses. Mas não sou capaz de me expor assim tanto. Nada do que aqui escrevo é falso, mas não escrevo sobre tudo o que me diz respeito. Não tenho que me revelar por completo - excepto a quem realmente quero.

Escrevo sem recados escondidos mas por vezes com mensagens expressas e dizendo as mesmas coisas que diria se estivesse à frente dos destinatários dessas mensagens. A diferença é que frente a frente há toda uma paleta de gestos, olhares, franzires de sobrolho, risos e sorrisos em infinitas nuances. Num texto corrido não há nada disso, e acabo por escrever e escrever e escrever até sentir que verti tudo o que tinha dentro do peito.

Ainda assim, há coisas sobre as quais opto por não escrever. Coisas que não podem ser escritas num post-it e coladas numa parede virtual. Coisas que, a serem ditas, têm mesmo que o ser cara a cara. Ou caladas bem fundo. Não é que seja 'púdica' ou que ache que alguns assuntos sejam tabu. Frente a frente falo de olhos nos olhos e quem me conhece sabe que sou assim.

Esses poucos a quem abro o meu sanctum sanctorum, conhecem-me as alegrias e as tristezas, os risos e as lágrimas, sabem a que altitude voa o meu espírito e por que ruas os lobos me perseguem. Sabem como fazer-me rir ou pensar. Sabem quando preciso de uma gargalhada, uma belinha na testa ou um abraço silencioso. Sabem sem que eu o diga por extenso e chegam-se à frente dizendo "estou aqui". Sabem quando tenho um nó na garganta, quando a solidão ataca sorrateiramente como um ninja, quando os velhos demónios se atiram à minha jugular e me deixam caída de joelhos, tremente. Conhecem as minhas cartas náuticas e basta alguns pontos satnav para saberem quando estou a navegar com vento de popa ou à bolina - ou quando estou apenas encostada ao traquete a olhar para as estrelas, quase à deriva, em busca do caminho que me leve até casa - esse lugar doce, seguro e envolvente como um ninho para onde não posso regressar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Cosmic Lessons

A vida é aprendizagem. Conhecimento, evolução.
Quem não aprende estagna, morre em vida.

Nunca me importei de aprender; aliás, sempre gostei dessa coisa da aprendizagem contínua porque sempre me foi dito (e aceitei) que o saber não ocupa lugar. Existem muitos tipos de saberes, que ignoramos se alguma vez nos serão proveitosos ou até essenciais em alguma circunstância da vida. Mas nunca usei a óptica do ‘bah, sei lá se alguma vez vou precisar de saber isto!’ para virar costas a uma oportunidade de aprender qualquer coisa.

O Cosmos dá-nos lições constantemente. Não de coisas ‘práticas’ e ‘materiais’ - não é o cosmos que me vai ensinar a fazer bacalhau com natas nem a mudar o pneu ou o óleo do carro! Por acaso até são coisas que eu sei fazer mas garanto que não foram aprendidas por epifanias nem de qualquer forma transcendental. As lições do Cosmos dotam-nos de ferramentas psicológicas e emocionais que nos sirvam para progredir no nosso caminho individual, quer através de coisas que observamos e sobre as quais reflectimos, quer através de pessoas que cruzam esse caminho e com quem temos algo a aprender (ou a ensinar).

Há um texto largamente divulgado pela net (umas vezes atribuído a Eleanor Roosevelt, outras a Brian Chalker) que resume essa ideia; creio que a maior parte das pessoas reconhecerá o início desse texto:
People come into your life for a reason, a season or a lifetime.
When you figure out which one it is, you will know what to do for each person.


Não é fácil para nós perceber à partida o porquê de determinada pessoa ter entrado nas nossas vidas – muito menos por quanto tempo. Haverá algo para aprendermos e/ou ensinarmos, e por vezes só muito mais tarde nos aperceberemos do ‘quê’. Há casos em que a lição é mútua, cada uma das pessoas tendo algo a aprender com a outra: pontos de vista sobre um determinado assunto, formas de encarar a vida, tocar piano, o teorema de Pitágoras em BD, bifes com molho de mostarda e pimenta… sei lá! Se soubéssemos ‘o quê’, seria fácil ir ter com ‘os melhores’ para nos ensinarmos o que precisamos e pronto, lição aprendida, sigamos em frente. Mas não sabemos – nunca o sabemos de antemão.

Por vezes, a lição precisa de tempo para ser aceite, absorvida, entendida, grocada. Podemos resistir-lhe – ou enfrentar resistência. Podemos aprender a nossa parte num ápice – ‘nós, os intuitivos’ somos assim, damos saltos de lógica sem tocar nos pontos intermédios como quem passa do A directamente para o D – e a outra pessoa necessitar de muito mais tempo – os ‘racionais’ com a lógica a ter que ser seguida ponto a ponto, com o D sempre após o A, o B e o C, tudo no seu devido tempo.

É como um daqueles desenhos que se fazem unindo pontinhos. Uns, ao fim de três ou quatro traços, dizem logo que qual é a imagem (aquilo é um dragão, não estás a ver as labaredas a sair pela boca?). Os outros insistem em juntar os pontinhos todos, por ordem (lá porque uma parte do desenho é uma chama não quer dizer que seja um dragão, pode ser uma lareira acesa!).

Aqui nasce a impaciência de um lado (opá, demoras muito a lá chegar? Já estou farto de estar à espera!) e a exasperação do outro (não me pressiones! Se queres ir embora vai e pronto, não me chateies!).
Ambas as partes têm algo a aprender: um, a ter paciência, a não confiar cegamente na intuição, a não tirar conclusões precipitadas, a não pressionar; o outro, a não julgar que a lógica é a única forma de apre(e)nder, a confiar (também) um bocadinho na intuição, a não perder tempo que pode ser precioso só porque quis confirmar o que já sabia.
Mas qualquer que seja a lição, para a absorvermos temos que estar receptivos. Não pensar que já vivemos muito e que o cosmos já nada tem para nos mostrar de novo. Que somos demasiado velhos, ou ignorantes, ou cansados da vida para aprender.

Isto traz-me de volta ao texto que citei. Quando alguém cruza o nosso caminho, não sabemos o porquê. Não sabemos se foi por uma razão, por uma estação ou para a vida inteira. Não sabemos se nos limitamos a encontrar numa encruzilhada, se faremos uma parte do caminho juntos ou todo o remanescente a partir daí.
Não devemos descartar a oportunidade, seja por acharmos que já sabemos tudo, seja por receio de que a lição vá doer. Sim, algumas lições são dolorosas. Na verdade, algumas são-no mesmo muito, daquelas de deixar marca e não apenas a lição. Cicatrizes que podemos ocultar… ou ostentar com orgulho.

Às vezes doem não pela lição em si mas pela expectativa gerada. Pensamos que após a lição aprendida, se a pessoa não saiu da nossa vida ainda, será porque veio para ficar. E afeiçoamo-nos. Até que um dia parte porque já aprendeu a sua lição também. E sofremos.
Mas será que isto é razão para não aceitarmos a sua presença? Para lhe virarmos as costas logo ao início, só porque a sua partida pode vir a trazer dor? E se afinal até for daquelas presenças para a vida inteira? Não somos donos da verdade, não podemos dizer antecipadamente que sabemos tudo o que se vai passar! Rejeitar a lição e todos os bons momentos que possam existir pela probabilidade de que isso venha a acabar?

Não, desculpem-me mas essa postura não é para mim. Recuso-me a estagnar, recuso-me a privar-me de uma oportunidade só porque pode doer depois. Não só porque um ‘pode’ não ‘é’ garantidamente, mas também porque não sei o que há para aprender ou para ensinar. Não sei se a pessoa chega por uma lição, por uma estação ou para toda a vida. Em vez de ficar de pé atrás até perceber qual, escolho aprender, escolho abraçar a oportunidade com mais força, vivê-la e vivenciá-la ao máximo, exactamente porque posso nunca mais voltar a tê-la na minha vida. E se acabar, se a dor sobrevier, a lição ficará, tal como os momentos vividos. E eu serei emocionalmente mais rica por isso.


Como dizia Vinicius de Moraes sobre o amor…

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


(Soneto de Fidelidade – Antologia Poética, 1960)

But then again... nunca sabemos se até não é mesmo para a vida toda, não é?
;)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

To be or not to be a girl

Tomboys walk close to the frontier between guys and girls.
Nature says they're girls, parents say they're girls, but they don't like pinkish stuff, dresses, dolls, princesses and the likes. They feel far more comfortable playing soccer, climbing trees, riding bikes or skateboards with the boys.
The girls look at them sideways, the boys consider them one of their own.

Until biological changes start to happen.

Like it or not, tomboys are girls. They have feelings, they fall in love just like the rest of them.
The problem is that, by then, they come to the very frontier itself: other girls dislike them, they have little or no one to confide, no BFF to turn to - and guys don't talk about those things with one another.

Some tomboys are actually pretty and develop into goodlooking young women, which makes it even worse on the "other girls" front (yeah, we can be jealous bitches sometimes). Some guys begin to notice them as girls, which can be quite confusing when you have no one to talk to... but the worst of all is that very frequently tomboys fall for one of their closest friends. Not that there is anything wrong with the fact itself: people spending a lot of time together become close and it can happen, no matter the age. The problem is that, most likely, that guy who happens to be a close friend, has never seen her as a girl. It's not a question of finding her unattractive; it´s just that, as I said, she has always been considered one of the guys and he won't look at her differently.
No matter how hard she tries, the chemistry will not appear out of thin air, the fires will not ignite. It can be her first and biggest crush - and her first and biggest heartbreak.

It can be hard when you're a growing teen, even when the tomboy is a pretty girl who will eventually find a guy out of her friends' circle.

Now imagine a homely tomboy after growing up - with male friends who don't see her as a woman, with her own feminine feelings and needs.






Yeah... we still fall, sometimes badly.
Hurts all the same, believe me.
I got the scars to prove it.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Tudo

Autodenominamo-nos seres racionais, mas a verdade é que tendemos a simplificar em demasia algumas questões. A lógica racionaliza muitas coisas, mas algumas não se podem simplificar ao extremo sob pena de se cair numa falácia.

Que exemplo melhor do que “Tudo vs. Nada”?

Se perguntarmos a uma criança qual é o contrário de “tudo”, a resposta será, quase seguramente, “nada”. E à primeira vista isto parece perfeitamente lógico...
Mas desenganem-se aqueles que pensam que isto é uma verdade absoluta, baseando-se em coisas como o ciclo lunar – o disco iluminado opondo-se ao apagado, o falso vazio que antecede novo recrudescer rumo à plenitude de prata.

Quem tenha estudado os fundamentos da Lógica (normalmente no âmbito da matemática) sabe bem que não é assim.
A negação de “tudo” não é realmente “nada” – mas tão simplesmente “nem tudo”. No extremo oposto, o inverso de “nada” é “alguma coisa”.

No fundo, se nos detivermos a pensar um pouco mais sobre isto, até sabemos que é assim; quando confortamos alguém que nos diz “estou triste, não tenho nada”, a resposta não é “errado, tens tudo” mas sim “não é verdade, tens alguma coisa”. E quando alguém afirma (quantas vezes de forma impante) “eu tenho tudo!”, a reacção dos discordantes não é contrariar dizendo “bah, não tens nada!”... é antes dizendo “olha que na realidade não tens mesmo tudo...”
Contrariar é, afinal, uma reacção humana de “nivelamento”. Com o mesmo tipo de atitude baseada na lógica, elevamos quem se sente em baixo, e puxamos para baixo quem se coloca em cima.

Bom, isto não passa na realidade de um preâmbulo demasiado extenso para falar de emoções, relações humanas, escolhas e porquês.

Ao abordar uma relação a dois, há várias aproximações. Há quem tente conjugar o maior número possível de factores que considere fundamentais, com a plena consciência de que é virtualmente impossível conseguir “o pleno” (não vou discutir as probabilidades do Euromilhões porque ando destreinada de cálculo de Combinações, Arranjos e Factoriais); há quem pense que um só é o suficiente; e há quem ache que todos têm o seu grau de importância mas dando primazia a um factor acima de todos os outros, a ponto de os suplantar.

Uns contentam-se, em teoria, com “amor e uma cabana” – até começarem a acumular-se as contas para pagar. Outros concentram-se na estabilidade financeira e relacional até se aperceberem de que falta ali uma pitadinha de um tempero qualquer para dar sabor.
As prioridades variam de pessoa para pessoa, de casal para casal.

Àqueles que dizem que o romance é tudo e a compatibilidade física é sobrevalorizada, respondo que além das prioridades há necessidades humanas a serem supridas, e que se isso não suceder há o sério risco de:
a) um dos membros anular essas necessidades em favor do outro (a bem da suposta “estabilidade”);
b) a relação ir-se desgastando até chegar ao fim;
c) o membro cujas necessidades não estão a ser supridas procurar fora da relação a forma de o fazer.

Quanto aos que dizem que o sexo é fundamental, riposto dizendo que é importante, sim, como parte do todo mas não a peça sem a qual nada vale a pena – para isso chegam bem as ditas amizades coloridas ou os inúmeros elementos de ambos os géneros que se dedicam profissionalmente a suprir essa necessidade a quem os procura.


Bottomline? Simples.
Se me perguntarem se o amor, a ternura, o companheirismo, a compatibilidade intelectual, o sexo, não são “nada”, respondo de forma franca e directa “claro que são alguma coisa, são importantes no seu conjunto – mas individualmente nenhum deles é tudo...”

.....

Eis finalmente a prova de que, ao invés dos que são "darks", sou assumidamente geek: misturei no mesmo texto a Lua, lógica, Euromilhões, factoriais e sexo. Acho que sou um caso perdido ;)

Nada

A expressão "sentir um vazio" remete-me invariavelmente para a BD – Obélix dizia isto nas suas incontáveis ocasiões de fome, apontando para o vasto estômago.

"Sentir um vazio". Vazio é quando algo simplesmente não está. Se não está, não se sente. Pode-se é dizer que se sente que falta qualquer coisa – e às vezes não se sabe bem o quê. Outras até se sabe bem demais. Mas o que se sente então?

Sente-se o espaço em branco, o volumoso nada que preencheu o lugar onde antes estava algo que entretanto desapareceu. Já sei, agora perguntam-me: o nada vê-se? Sente-se?

De facto não se vê. Não se sente. Mas quando sabemos exactamente o que perdemos, sabemos o tamanho, o volume, o sabor e a forma do nada que entretanto surgiu naquele sítio específico da nossa vida. Não o podemos sentir – pois não. Mas sabemo-lo com todos os sentidos, os que sentiam "antes" e que agora só encontram o tal vazio. Talvez seja por isso que dizemos que "sentimos um vazio". Porque os sentidos vão à procura do que lhes era familiar e deparam-se com o nada.

Pode ter a forma de uma pessoa, de um animal, de um objecto. Pode ter o peso de um sentimento ou o volume de uma ideia. São as nossas memórias, as recordações guardadas pelos nossos sentidos que definem o vazio – o tal que se sente quando se deixou de sentir.

E é por lá que muitas vezes os nossos olhos se perdem quando tentamos reter essas memórias às vezes agri-doces.


"Estás cá com uma cara ... passa-se alguma coisa?"
"Não"
"Não acredito. O que foi? O que tens?"
"Nada"

(Sorrio para dentro, um sorriso secreto e amargo que sem palavras suspira: "Se ao menos soubesses ...")

"Nada, mesmo"

sábado, 7 de janeiro de 2012

Lucas (Set 2006 - Jan 2012)

Chegaste ainda pequenito e amei-te desde o primeiro dia.
Uma bolinha peluda a preto e branco, com malhas que te faziam parecer uma vaquinha miniatura - e foste algumas vezes confundido com a vaquinha de peluche que morava na varanda do quarto do mais novo, a ponto de eu perguntar quem é que te tinha lá deixado trancado por engano...
Aqueceste-me o colo, os pés e o coração. Um ser totalmente indefeso e dependente do cuidado e carinho de humanos que nem sempre te souberam devolver o amor que nos oferecias como só um animal ou uma criança sabem: incondicional.
Eras o meu bebecas, o terceiro filho que nunca cresceria, que nunca sairia de casa para a faculdade, para morar noutro lado, o que ficaria a fazer-me companhia até ser velhinho.



Longe estava eu de saber que algures no teu corpito uma bombinha-relógio aguardava a hora de me gorar os planos. E hoje ela foi activada...
O teu miado aflito, que nem miado parecia, quase um ganido, alertou-me para algo de errado. Inconsciente do que se passava, pensei "tolinho, meteu-se debaixo da cama e agora não consegue sair!" e quando me dirigi ao quarto dei contigo deitado no chão, como tantas vezes fazias quando pedias mimo... mas agora não te mexias, só miavas daquela forma estranha e angustiante que me apertou o coração até ficar do tamanho do teu.
Peguei-te ao colo e tive então noção de que sofrias; pousei-te sobre a cama o mais delicadamente que consegui, deitei-me junto de ti, afaguei-te, vi a dor nos teus olhos e soube que em breve te perderia...

Perdi a noção de quanto tempo ali estive, chorando ambas as dores, a tua e a minha - teria sido mais avisado ir a correr procurar o número de um veterinário, mas não queria deixar-te sozinho, sabia lá eu há quanto tempo estarias já tu naquele sufoco e eu sem te poder sequer acalmar! Chegou então o D e quando lhe disse que estavas doente, juntou as suas lágrimas às minhas, mas as dele também de irritação pela injustiça cósmica que nos caíra em cima.

Passado o primeiro impacto, teve mais calma do que eu: conseguiu pensar a frio e dirigir-se ao computador para procurar o número de algum sítio onde te pudessem ajudar. (*)
Atenderam o telefone de imediato, recomendaram que te embrulhássemos e te levássemos rapidamente para lá. Embrulhei-te ao colo como um bebé, como tantas vezes fizera durante estes anos juntos, só que desta vez miavas de dor, um miado cada vez mais fraco e triste... o carro quase voou até à clínica, entrámos de sopetão e a veterinária examinou-te logo, fazendo as perguntas da praxe. Nos olhos dela vi o mesmo medo que eu carregava, quando te levou para a sala de observação e nos pediu para sair e aguardar.

Sabes? Tinha deixado de fumar no Ano Novo, uma resolução que tinha tomado a bem da saúde de todos - livrar a casa do fumo e pronto - mas tremia dos pés à cabeça e voltei a puxar de um cigarro para me acalmar. Depois desse houve outros enquanto não parei de tremer...
A médica voltou dizendo que o prognóstico era muito reservado, que os raios-X e os exames não mostravam nada, mas que suspeitava de algo do género de uma trombose e que terias que ficar na câmara de oxigénio porque nem estavas a conseguir respirar bem. Não valia a pena ficar à espera, seria melhor ir-me embora e ligar mais tarde para saber como estavas.

Saí, o coração pesado como chumbo.

À hora combinada telefonei, a médica estava ocupada e ligaria mais tarde. Mas quando ligou foi para dizer que tinhas acabado de partir... e chorei sem vergonha, chorei a tua dor, chorei a nossa perda, chorei a minha estupidez de ficar imóvel ao pé de ti em vez de te ter levado para lá de imediato, porque talvez te pudesse ter salvo...

Esta noite perdi um dos únicos seres que alguma vez me amou de forma totalmente desinteressada, incondicional e pura.



Teria ficado contigo toda a noite se soubesse como te salvar, meu pequenino.
Adeus Lucas, meu bebecas, meu fofo, minha vaquinha peluda.
Até qualquer dia.
Até sempre.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Star

Ad astra, ad astra
I am up, I am there
my body, a galaxy
my heart, a star
my love, a supernova
chain reaction, explosion
I burn, I bring down
whatever surrounds me
I tear, I destroy
those too near me
I shine like a thousand fires
and then collapse
into a dwarf shadow of myself
but even then, until
the last proton of the last atom
finally breaks free into the cosmos

I will hold the memory inside me
that silhouette, that warmth
of the place I call home
that dear and beautiful fire
I have come to cherish dearly
my raging sky, my awe
o thunder... my love

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Portrait

Sou uma pessoa normal.
Há quem me chame "complicada", "doida", "invulgar". Mas já conheci outros como eu e como tal esses epítetos não me chocam.

Como muitas outras pessoas, a minha vida exterior não deixa transparecer o que me vai na alma, a maior parte do tempo.
O turbilhão interior esconde-se e revela-se nas minhas cartas de marear, infinitas auroras em busca de algo que (ainda) não encontrei: o último porto acolhedor onde o meu esquife possa ficar de vez ancorado, o ninho nas escarpas de onde eu possa partir em voo livre - para voltar.

Muitas correntes, muitas vidas ficaram para trás, ninhos abandonados onde só restam os grilhões de que me libertei, sem ódio ainda que por vezes com raiva. Não sei ao certo onde fica esse último porto - sabê-lo-ei instintivamente quando o encontrar, pois terá o sabor de regressar a casa.

Nesse dia terminará o tempo das viagens; chegará a hora da shieldlady pronta a defender o seu forte, Éowyn de cabelo escuro que até agora não encontrou um igual... pois até hoje houve quem a quisesse subjugar e quem a quisesse transformar em rainha-mãe, em qualquer dos casos querendo que abandonasse a luta - mas não quem tivesse a força e a coragem de pegar num montante e lutar ao seu lado, costas com costas e lâminas desembainhadas contra o que fosse preciso.

Serão talvez resquícios de vidas passadas que me assombram, ecos do ano em que nasci, ou talvez tenha apenas nascido na época errada, alma a espaços cheia de uma insatisfação indescritível, umas vezes negro sufocante, outras braseiro incandescente, mas que nunca chegou a desaparecer desde a infância. Não, não sei o que é isto. O que sei é que I still haven't found what I'm looking for.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Irian

No ar, no vento
no fogo e na tempestade

Voo.

E sou vento, e sou trovão
Sou tempestade liberta
Sou fogo indomado

De alma em chamas
vivo.

Sou.

On Life and other things

“Life is like a box of chocolates”… can’t agree on that. Sure, among a few rows we’ll find a number of them we aren’t very fond of. But someone will like it, so we offer those gladly.

No, I prefer “Life is what happens while you were making other plans”. Because it is. You think you got it all figured out and then Bam! something happens that knocks your socks off.

You find something you did not expect. You get curious. You try to learn more. The more you learn the more you find it intriguing. You notice details, coincidences. Well, some of those are simple coincidences, but others leave you wondering. And thinking of it a lot more than you first anticipated.

Before you know it it’s under your skin. You feel it, you know it’s there and still you can’t say exactly where or why or how it got in. It makes you feel uncomfortable, not only because it’s there, but also because you have a number of questions you aren’t able to answer. It itches, it burns.
You’re divided, because part of you wants to get rid of it and the other part likes the way you have become so attached to it, even if it doesn’t understand the ifs and whys.
You realize it makes your attention wander off – or your heart beat faster. Side effects you can’t control. It gets more and more space on your mind, ‘til the point you have to get it sorted.

You feel you’ve changed somehow. Maybe you can’t pinpoint exactly what in – or maybe you can. The thing is, you’re no longer the same. You still don’t know why and it bothers you. In fact, it’s the issue itself of not knowing that bothers you the most. Itching and burning.

At some point, you have to make a decision even without all the facts: to drop the ball, cut your losses and get it out of your system… or accept that it’s there, that you like it and simply go for broke and embrace it for the duration.

It’s that choice that defines much of who we are: the way we handle the unknown. Particularly that uncomfortable feeling about the thing that got into your system. Do you ignore it and retreat to safety or go for it and see what happens? What do you value? Stability or adventure? Do you run away or open your arms to it? Do you start accounting what you may lose from the experience or simply take a gamble and whatever the outcome see the experience as a profit?

I know my answer to this.
Do you?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Vollüspa

Está quase a sair.

Ainda só houve uma crítica, mas... 'tou babada so far!
:D
:D
:D

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

260

Amanhã vai ser um dia muito longo.
Horas de viagem, reuniões, mais reuniões.
Acho que nem vale a pena levar a máquina por uma questão de tempo: 1) não sei como vai estar o tempo, se chove ou nem por isso; 2) acho que entre reuniões só vai haver tempo para ir ao WC porque até os cafés se bebem à mesa de trabalho!

Sítio bom para descansar... mesmo bom porque ao serão não há NADA para ser fazer excepto ficar a ver TV ou conduzir mais um bocado para ir a outro lado qualquer. Mas isso é para quem não vai lá para trabalhar.

Aquilo é lindo, mas um bocado a dar para a pasmaceira, sabem?

Dormir, e no dia seguinte mais reuniões antes das horas de viagem de regresso.


Ufa!
Ainda não começou o dia e já estou cansada só de pensar nisso!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Alvorada

Embracing the change... my wings are spreading wider than before.
I think I am almost ready to fly again.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

E ainda...

Porque ela parece decididíssima em expandir-me os horizontes musicais...

(babe, o tal café há-de ficar para a história, garanto... origami airplanes flying all over, geeks and proud of it, whoever feels upset may go sit somewhere else...)

Novos sons

E eis que uma amiga me apresenta uma grande voz...
Gawd, como é que isto ainda não me tinha passado ao alcance dos ouvidos?

Momento fofo

Eu a tentar trabalhar e a minha gata a enroscar-se aos meus pés a pedir mimo...
Já sei que daqui a pouco vou ter o pé dormente, mas não tenho coragem de a enxotar :P

Porque sim

terça-feira, 8 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Desafio "Acrescenta-me um ponto"

Foi-me lançado pela Mag e à boa maneira portuga (não que eu seja mesmo mesmo portuga mas isso agora não vem ao caso) toca a tratar do assunto só no último dia do prazo...

Texto do desafio:

Esta rubrica surge da necessidade de renovação e intensificação do espírito de unidade e imaginação da blogosfera e pretende que cada um dos bloguistas seleccionados seja autor de um parágrafo de um texto realizado em conjunto por vinte bloguistas.
Assim, passamos a enunciar as seguintes regras:

Regras da Rubrica "Acrescenta-me um ponto!":

1 - O texto, constituído por vinte parágrafos, terá início no blogue "O Sabor da Palavra", segundo o seu autor Gonçalo Cardoso.
2 - Cada bloguista terá direito a um parágrafo de texto com o máximo de cinco linhas.
3 - Após a realização do parágrafo respectivo, cada bloguista terá que seleccionar outro que cumpra a continuidade do texto segundo as regras mencionadas.
4 - Cada bloguista terá o limite máximo de três dias para realização do parágrafo, estando sujeito a desclassificação da rubrica e selecção de novo bloguista por parte do seu autor.
5 - Cada bloguista assinará o seu nome e respectivo blogue na lista dos participantes.
6 - O último participante ou autor do vigésimo parágrafo, finalizará o texto e partilhará com o autor do blogue "O Sabor da Palavra" para a sua divulgação no blogue inicial.
7 - Sejam criativos.

...§§§...

E tudo começa assim…


"Ao fundo ouvia-se o barulho dos pescadores na lota de Aveiro. Mais perto a maresia de Agosto percorria o nosso rosto e o teu sorriso revelava o reflexo da luz solar sobre o mar. A areia fina e molhada envolvia os nossos pés e, de frente um para o outro, estendias-me a mão salgada e preparavas-te para a mais doce revelação..."
"Pensava, enquanto o Sol se punha diante dos nossos olhos... Quão bela é a profundidade de um sonho?! Tiveste medo. Não te revelaste. Mais uma vez, o tempo esvaía-se nas pegadas que se apagam. Tal sangue, tal sofrimento. Larguei-te a mão e prometi a mim mesma que nunca mais ficaria à espera. Chamaste por mim...."
"É sempre complicado quando a vida já é muita e as histórias pesam em vez de preencher... Mas o teu olhar preenchia-me como os fados cantados em noites sobrenaturais e eternas, e a tua boca queria falar, queria dizer, queria murmurar... Diz, pedi eu, diz... "

"Olhas-me nos olhos e acaricias-me as covinhas. Invade-me uma sensação de calor. Pousas os teus lábios nos meus sem dizer nada. A doçura faz-me esquecer, por um instante, as resoluções. O meu coração dispara, desata aos pulos em silêncio. Levas a mão ao bolso e retiras uma pequena caixa.
- Não posso aceitar um presente teu - digo-te baixinho. - Lamento muito. Não tornes as coisas ainda mais complicadas. "

"Ele segura-lhe na mão e eleva-a para junto da sua de modo a tocar na caixinha que ele trouxe para lhe oferecer. Nisto ela fica apreensiva, olhando para a sua mão e retomando o olhar para ele uma vez mais, mas desta com uma expressão de dúvida e angústia. Ele já conhecia bem esta expressão e retomava-lhe um olhar de confiança e de uma ternura irresistível, à qual ela não poderia recusar... "

"No entanto olhando bem fundo dos seus olhos ela recusou ao mesmo tempo que delicadamente pousava um beijo na sua face. Saiu dali a correr, as lágrimas correndo livremente pelo seu rosto. E ele ali ficou sentado, segurando a caixinha nas mãos. Olhou o mar mais apelativo do que nunca e pensou "E porque não?" ao mesmo tempo que se levantava em direcção às ondas que o convidavam a entrar."

"A fuga é sempre mais fácil. O sonho por realizar. O "se" que nos marca e tanto nos impede, como nos impele a agir. E se desta vez abrisse a caixa de Pandora? E se lá dentro estiver a felicidade? A luz momentânea do Sol ou o correr entre a areia e a vagas do mar?
Abdico das lágrimas. Respiro fundo... "

"Abraço o mar com a força de quem ama profundamente e finto-lhe as ondas na tentativa de encontrar uma resposta ao que me queima por dentro. A tal pergunta que dói e que sei ser mais dirigida a mim mesmo do que a ela. E Agora? pensei. Saí da água com o sal a queimar-me o corpo e abanei a cabeça como para afugentar pensamentos desagradáveis. Atrás escuto uma voz doce e rouca... "

"Ainda tentando recuperar das tormentas, que por longos minutos me povoaram a mente debaixo da água cristalina, viro-me lentamente para responder ao chamado da voz doce e rouca nas minhas costas. O sol ofusca-me, mas lá estavas tu de rosto iluminado. Afinal, as tuas lágrimas perderam-se no caminho das dúvidas e abriram um sorriso sem hesitação, na tentativa de resgate de uma última oportunidade:
- Diz!… - e mais uma vez proferiste a palavra num murmúrio, quase suplicante."

“Sorri! Aproximei-me junto do teu medo e poisei a caixa na palma da tua mão. O bater do teu peito, roubava-me o respirar que esperava por algo mais que o ar. Preso nas palavras e num tom trémulo de esperança, disse: - Ainda não vi! Queria ver contigo.
Indecisa entre a vontade de um sim, assombrado pela recente perda, e a vontade de um não, apavorado pela impotência de ser possível, revelaste um “abre” embebido em lágrimas.
O vento, que soprava entre as ondas dos teus cabelos, sussurrava-me os infindáveis cenários.
- Positivo! – Exclamei ao ver o resultado.”

"Senti o que deve sentir alguém quando vê uma coisa assim: o céu caiu-me em cima da cabeça e o coração palpitou junto à boca. Os meus olhos olharam para os teus, à procura de uma reacção - uma que fosse- que me desse uma pista sobre o que sentes também. Vi um mundo novo no teu olhar, uma esperança, um alento. E depois olhei em redor e a praia inteira devolveu a minha inquietação. Lá longe ouviam-se os barulhos na lota e os motores dos barcos a passar. O farol observava-nos, altivo e sobranceiro, como sempre..."

“Fechei os olhos. Senti de novo os medos a enrolarem-me a alma, a fragilidade de algo tão desejado colou-se na pele, as pernas fraquejaram.
E agora? Pensei. E agora? Sinto-me tão pequena e tão cheia deste receio, desta incerteza que me consome, deste medo de um futuro tão desejado quanto temido por tudo o que já havíamos passado.
Abri os olhos e fixei-te. O teu olhar abraçou-me e a tua mão procurou a minha suavemente.
Olha para o mar - diz-me em tom suave e rouco -, lembra-te que o barquinho da Esperança consegue navegar mesmo em águas tumultuosas… desta vez vamos conseguir.”

“Entre o aconchego do abraço e o conforto do corpo junto ao dela, lágrimas rolavam-lhe pela face. A revelação na caixa. A felicidade tantas vezes adiada, estava agora nas suas mãos. Sentiu um nó na garganta. “Não posso voltar atrás”, pensou, “lutei e sofri muito para o conseguir. Há muita gente envolvida. Muita confiança depositada em mim”. Sentiu-se sufocar pela angústia, o coração apertado. Sentiu náuseas. Olhou-o nos olhos e diz-lhe com a voz embargada “Aceitei o lugar na AMI, parto na próxima semana para o Sri Lanka…”

" Parto... e parto sozinha. Afinal a Tua companhia era imaginação minha. Nunca entendeste a verdadeira razão e muito menos a cor do mar onde mergulhavas confiante... o (a)mar não é teu. Nunca foi. Precisamente por isso, não soubeste que o (a)mar te retribuía a vida que querias ter. Tudo te pareceu sempre certo, afinal o mar só tem marés cheias e vazas, não te lembrou que entre umas marés e outras Ele sempre existiu... Lamento vou (a)mar quem precisa. Vou ser amada. Tenho o coração cheio de espuma... espuma essa que nunca viste... e era Tua..."

"Parto... mas nunca sozinha... Parto sempre com a imaginação daquele momento junto ao farol.... Parto sempre com a imaginação da tua recusa em quereres aceitar aquela verdade diferente daquilo que sempre imaginaste para ti... dizem que nunca se pode perder o que nunca foi nosso... sim... dizem mas... eu sei o que foi meu e sei... e sinto que foste meu sim.... os olhos nunca mentem mesmo quando os lábios falam algo oposto...
Parto sozinha sim mas... acompanhada com a sensação de já foste meu uma vez... e quem o foi uma vez... poderá sempre ser mais vezes.... também dizem ... "

"Os dias sucedem-se, rápidos e terríveis, não a deixam pensar no que poderia ser e não é, no que poderia ter sido e não foi. Nos "Se"s da vida.
Prepara a mala, a viagem, as despedidas. Sempre na ausência dele.
Não interessa, pensa. O nosso caminho deixou de ser o mesmo e eu preciso de avançar.
Já no aeroporto, embrenha-se num livro para não pensar em mais nada a não ser na AMI, no desafio.
Uma voz grave, masculina, conhecida de um Passado longínquo, soa-lhe aos ouvidos:
- És tu!!! És mesmo tu!!!"

"Jorge, ressoa o teu nome dentro de mim. E as memórias em catadupa, lançando-se no coração como se o tempo não te tivesse alguma vez tocado. O teu sorriso franco e aberto, a alegria genuína de me ver que sempre foi porta aberta em ti. Os mesmos olhos verdes que me perturbavam os sonhos e me procuravam, ávidos, a boca que de forma vã te tentava esconder. Os braços abertos esperando o meu corpo, para o abraço redentor.
E, dentro de mim, uma súbita e inexplicável vontade de mergulhar neles."


"Conteve-se. Levantou-se devagar e olhou-o de frente, sem conseguir refrear um sorriso: "Há tanto tempo.... "Demasiado", respondeu ele. Timidamente, como se os pés a traíssem, deu dois passos e viu-se envolvida num abraço quente tão acolhedor como o seu velho cobertor de menina. Uma lágrima solitária brilhou sob as pálpebras, mas logo um manancial delas jorrou incontidamente quando a voz profunda se fez ouvir entre os seus cabelos: "Tive tantas saudades tuas!""




Lista de Participantes:

1 - Gonçalo Cardoso (O Sabor da Palavra)
2 - Eli (E o amor acontece?) Dantes "Isso Agora... :)" ou "Eu Sou Nómada"!...
3 - Ana (Construir... Sorrindo)
4 - Myosotis (Myosotis)
5 - Fatinha (Para lá das lentes)
6 - Poetic Girl (Just Me)
7 - izzie (Unleash your thoughts...) [Peço desculpa pela demora. Rosnem à chefe...]
8 - Susana (Ondas e Devaneios)
9 –Sus (Suspiros da Alma)
10 – Jorge (Santo&Pecador)
11 – Star (Pocket full of stars)
12 – Blueangel (Blueangel)
13 – chrysaliis (Chrysaliis)
14 – Apenas Eu (Algodão Doce)
15 – Pequenas Decisões (Eu Mesma)
16 – Fada (Uma Fada na Selva)
17 – Mag (Laranja no Preto)
18 – XR (Post-It's Soltos / Arco-Íris)
19 –
20 –

Neste momento, já que ela voltou a escrever (e eu continuo a gostar imenso do que ela escreve!) encaminho o desafio para a Princesa (Des)encantada, do Destilado. Vamos fazer com que um grego fique de olhos em bico? ;)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Time to

change.
Quando o ritmo pára e a vida estagna, ansiamos por mudança.
O mal é que se/quando ela surge muito depressa nem sempre estamos preparados para aquilo que tanto queríamos. E aí vemo-nos perante a decisão de ter que abrir mão de algo, qualquer que seja a escolha.

Sucks, huh?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desilusão (ou que treta de país este)

Volta e meia surge anunciado mais um Projecto de apoio ao investimento, ou um Projecto de apoio à recuperação económica das empresas.
Qrens, Patarens ou Fonixrens, interessa é criar almofadinhas para amparar a queda de algumas pobres empresas que não analisaram bem a área de negócio onde se iam meter, ou empresas que se andam a governar com os dinheiros dos projectos de apoios anteriores em vez de o aplicar para aquilo que declararam.

Agora pergunto eu:
Onde é que está o Projecto de Apoio à Recuperação Económica das Pessoas Que Perderam o Emprego Porque a Empresa Onde Trabalhavam Fechou (podendo até ter fechado depois de embolsar apoios do estado para modernizar equipamentos e afins)?
Onde é que está o Projecto de Apoio à Recuperação Financeira das Pessoas que Não Têm Com Que Pagar a Renda Porque a Empresa Onde Trabalham Tem Salários em Atraso (e que mesmo pagando os salários, se vão governando com o IRS e a TSU que descontam aos trabalhadores mas não entregam ao Estado)?

Alguém sabe onde estão esses Projectos??? Existem???
Eu cá gostava de saber.
A sério.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cobertas? Coberturas?

Que é como quem tenta traduzir de ouvido a palavra "covers".
Por muito bom que seja um original, há versões que lhes emprestam uma outra dimensão, alcance, emoção, whatever.
Chamem-lhe o que quiserem. Para mim, esta é imperdível.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Grrr

Irritam-me as pessoas que tomam (as) outras por certas. És um dado adquirido, não tenho que me preocupar contigo / dar-te atenção / tratar-te bem / etc.
Mais ainda quando além disso não lhes dão o devido valor.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Polaridades

Antes que a Ursa blogueira desanque a coitada da Daniela, deixa cá mostrar o postalinho que ela mandou pelo postcrossing natalício:


Pólo Norte, a moça cumpriu, tá? Eu é que não dava com o cabo do teleléu para passar as fotos, bolas... mea culpa, mea culpa!

Novidades 2011? Há, nem todas boas.
Quando tiver um bocadinho eu conto ;)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Natalice

Depois de uns dias de qualquer coisa que me deitou abaixo com tanta força que me impediu de celebrar a consoada com a família, voltei hoje ao trabalho. Encolhida e enregelada.
O trabalho é muito meu amigo. Esperou pacientemente por mim...

Mas o que me colocou um sorriso no rosto esta manhã foi um postal.
Não um postal qualquer - nada disso. Um postal quadripolar.

Ao que parece, estes dias têm sido pródigos em sorrisos para uma quantidade de gente da "comunidade blogótica".

Ursa rulez. :)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Terapia

Esta manhã estava com uma disposição pouco recomendável. Sim, daquelas que dá para topar só de olhar. Pés quase a arrastar-se, ombros descaídos, lábios esquecidos de como se sorri.

À hora do almoço, algo que tinha de ir fazer: comprar mitenes lá para casa. Aparentemente, são o ideal para manter a mão quente sem perder a sensibilidade nos dedos, mas as que há por lá estão cheias de pêlo de gato.
Pronto, ok, eu vou comprar mitenes. Mas passo primeiro pela tabacaria a ver se já chegou a minha encomenda. Ainda não, mas deparo com algo que não conhecia e que acho que vai dar uma excelente prenda para alguém que está quase a fazer anos: um postal, quadrado, com o ano X (supostamente do nascimento da pessoa) num tipo de letra do mesmo estilo do que se usava nessa altura - à frente alguns acontecimentos importantes, atrás uma selecção de músicas que foram sucesso, tudo relacionado com o ano. Os dos anos 80 têm um estilo "disco", os dos 50 são adoravelmente "retro". Interessante, a sério. E subitamente os lábios recordam-se e sorriem.

Ainda a arrastar o passo chego à loja. Mitenes, luvas, check. Já chegaram os pijamas polares? Já, sim. Oh, boa, um casaco como o que S. queria. Se calhar tiro uma foto e mostro-lha a ver se ela o quer. Contorno o expositor e dou de caras com algo de que não vou falar para o caso dela até calhar vir aqui ler - a prenda que "é a cara" da minha irmã. Mando embrulhar, ganho votos de feliz natal, descontos e uma lembrancinha pela quadra.
Quando dou por mim estou a sair da loja com dois sacos cheios, costas direitas e sorriso aberto.

Ir às compras é mesmo terapêutico!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ai!

Tenho o braço dorido.

Raisparta os jogos da PSMove que nos fazem parecer tontinhos a dar pulos e mover uma coisa parecida com um microfone às voltas pelo ar, ora é uma espada, uma marreta ou uma raquete de ping-pong, até ficarmos a suar num dia de Inverno.

Bolas, está dorido - mesmo.
E hoje vai haver mais. É que apesar das figuras de tontinhos aquilo é divertido à brava...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ena...

... é a primeira vez em não sei quanto tempo que não vou levar trabalho para acabar em casa e que consegui tratar de tudo o que tinha para tratar - hoje.

Sabe bem.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Not that weird

É no que dá andar nas leituras.
Fui visitar o estaminé da Pólo Norte e fisguei o olho em mais um teste parvo, que é algo óptimo para distrair uma cabeça cansada excepto se contiver perguntas com números binários.

What is your weird quotient? Click to find out!


Ok, I'm a bit weird - so what?

Aviso já: se for igual para toda a gente, tem mesmo números binários...

sábado, 30 de outubro de 2010

Cold hands, warm heart

It's cold.
Outside, the rain pours over everything, thundering on the tile roof. I put on my coat and grab some coffee to warm me up, to warm my cold cold hands.
The sound of the unstopping rain is almost unbearable... I play a beautiful song to lift up my spirits but the only thing I get is starting to look out through the window wondering where you are.

I carry you here beating-heart- and there's something of you in everything that I love.
Yes, it's the same song I shared a while ago. But that doesn't mean what it says isn't true, because it is. It is.

No matter how long.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O medo

Num dos blogues que costumo visitar (esses aí da listinha da esquerda, podem ir vê-los, não vão ser maltratados nem vos vão cair os dedos ou qualquer outra extremidade que considerem importante) fixei os olhos numa imagem e, de facto, parei com o resto para atentar no que lia.
O Zhu Di, do Acatar, tem uma capacidade tremenda de captar imagens que me fazem sorrir, sonhar, pensar. Acho que é a profissão dele, mas isso não vem ao caso. O importante é que um texto sobre a contestação a Berlusconi foi ilustrado com várias imagens. E uma delas foi "a tal".
Algo tão simples como uma rapariga de cócoras numa manifestação a estender um pano, lençol, sei lá o quê, com uns bonecos tipo pacman em roxo-viola.

O que me prendeu o olhar, a atenção, foi a t-shirt que ela vestia.

"Chi ha paura muore ogni giorno, chi non ha paura muore una volta sola."
Isto, traduzido às três pancadas sem peixe-de-babel, dá algo como "Quem tem medo morre em cada dia, quem não tem medo morre uma só vez".

Pus-me a pensar com os meus botões (ou melhor, com as contas da pulseira que hoje só tenho um botão). Morrer todos os dias é uma treta. Se calhar é por isso que eu ando com pouca energia, ando a morrer diariamente sem dar por isso e a recuperação é do caraças.

Eu sei do que é que tenho medo.
Talvez esteja na altura de perdê-lo.

domingo, 17 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Exames

Desiludam-se caso tenham vindo aqui parar à procura de respostas a algum tipo de teste. Eu não tenho respostas e devo ter tantas ou mais perguntas do que vocês, à conta da idade.
Acontece é que fui à consulta da medicina do trabalho e recebi os resultados dos exames. Diagnóstico: "Tudo nos parâmetros normais. O cardiologista aconselhou a fazer umas caminhadas, mais nada."
Espreitei os papelinhos... tenho umas hemácias rechonchudas e o colesterol deve estar em saldos porque havia pouco. Mas no ECG havia uma nota de rodapé: Notice: Borderline abnormal.

Eu pensava que às vezes não batia muito bem da tola mas nunca tive confirmação. O que pelos vistos ficou provado é que o meu coração não é muito normal. Anda lá pela beirinha entre o igual-aos-outros e o maluco.
Pois, já calculava. Tenho um coração idiota.
Isso explica um monte de coisas.

domingo, 10 de outubro de 2010

Lousy weather

Às vezes acordo de madrugada e ouço a chuva.
Fico com pena de quem àquela hora anda já na rua, a trabalhar ou a caminho disso, sob uma carga de água intensa.
Não me interpretem mal - não desgosto da chuva nem tenho medo dela (excepto quando cai um aguaceiro medonho enquanto vou a conduzir). Mas prefiro ouvi-la quando estou enroscada na caminha :)

Por outro lado, adoro uma boa noite de trovoada. Há algo que me faz sentir viva, desperta e com vontade de ir lá para fora dançar e dar pulos, como se o trovão me chamasse. Fico à janela à espera do próximo clarão, quase ansiosa, contando os segundos até ouvir o estrondo.

Já uma vez - há muito tempo - fiquei debruçada na janela numa noite assim e consegui fotografar um relâmpago; não sei é o que foi feito dessa foto, mas lembro-me de olhar para ela e recordar as sensações dessa noite e as conversas do dia seguinte com um amigo.
"Caneco, viste a trovoada de ontem?"
"Epá, foi forte! Choveu à brava."
"Bem, acreditas que havia um maluco qualquer a correr rua abaixo debaixo da chuvada?"
"Pois, era eu! Mas havia alguém mais maluco que estava numa janela a tirar fotografias!"
"Ah... pois! Essa era eu..."

Fotos de relâmpagos. Hei-de voltar a tirar uma, um dia destes :) mas enquanto é apenas chuva, deixo-me ficar no quentinho.
É tão bom...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Boa pergunta...

Life coaching, amigos próximos, psicólogos, etc., dizem-nos que para nos sentirmos felizes temos que nos realizar pessoalmente. Que temos que fazer o que manda o coração, a alma, o Id, whatever, caso contrário continuaremos insatisfeitos. E que tendemos a arranjar mil e uma desculpas para não o fazer porque, no fundo, temos medo.

Ora, se não tentamos atender ao desejo da alma por questões muito terra-a-terra como a renda da casa ou a conta da luz... estamos a ter medo ou apenas a ser muito práticos?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Epa... será que vou a tempo?

“O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.”
Carlos Ruiz Zafón, em "A sombra do vento"

Eu já o encontrei há uns tempos e não ia à procura dele. Ia a andar, simplesmente, virei uma determinada esquina e... paft! Perdi o equilíbrio, barafustei, andei para trás e para a frente e em círculos. Ele continuou parado - porque me esperava e porque era meu. Era; ou é. Não sei bem.

Falamos (quase todos!) imenso do destino, de como gostaríamos de o conhecer de antemão ou de como gostaríamos de o alterar - pensando à partida que o conhecemos muito bem, que sabemos o seu aspecto, cor, tamanho. Não tinha criado grandes expectativas mas mesmo assim fui apanhada de surpresa. Tudo porque decidi ir naquela direcção e virar aquela esquina. Mas a verdade é que não estava à espera de o encontrar (não ali, não naquele momento) e fiquei um bocado à nora.

Achei melhor resolver uma série de coisas antes de seguir o caminho que me mostrava. Sabem como é, arrumar isto, tratar daquilo, a comida do gato e a água dos vasos.
Só que o tempo passou e ainda há coisas para arrumar ou para tratar e o gato tem que comer todos os dias e os vasos continuam a ter que ser regados.

E eu não sei se ele vai esperar por mim, ali, naquela esquina. Ou se vou ter que palmilhar muitas mais esquinas para o encontrar - e aí não será necessariamente o mesmo. E posso não gostar da mudança.

Concluo que se é aquele o destino que quero para mim, o que encontrei naquela esquina, não posso andar a perder tempo. Um dia pode já não estar à minha espera...
Vou ter que deixar de me preocupar com as coisas que ainda estão por resolver. O gato e os vasos precisam de mim, sim - mas posso levá-los comigo nem que seja num carrinho de mão. Quem sabe? Até podem gostar. Importante é agarrá-lo, ao meu destino, antes que seja demasiado tarde.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Quando se copia o "gostar"

Quando não se tem originalidade, o mais fácil é copiar. Mas ao menos que se respeite o original, não se limitando a colocar apenas umas iniciaizinhas de caca no fim do texto sem sequer um link quando o texto que se copiou também está online. E com as formatações bem feitinhas ainda por cima.

Há quem diga que a imitação é uma forma de admiração.
Pois eu continuo a achar que o plágio é uma coisa muito feia. E vai daí que hoje resolvi fazer algo quanto a isso.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pois

Quando fazemos uma previsão pessimista não sei o que será pior: descobrir que nos enganámos ou descobrir que tínhamos toda a razão.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

10, 9, 8...

Houston, preparing to take off!

Foi lançado oficialmente no dia 21 de Julho. Recebi-o hoje, catita e com dedicatória do director/responsável do projecto.

O Conto Fantástico.

Não sei se estará disponível em todas, mas na loja online da Fnac já aparece.

Subitamente, acho que afinal consigo mesmo voar.
Mas não como um passarinho. Não.
Como um falcão. O céu é meu e o horizonte o meu destino.
Para já.
Depois? As estrelas parecem prometedoras. Acho que para lá das montanhas do Universo Conhecido há muitos outros mundos para descobrir.

Hei de lá ir um dia :) e depois conto como foi.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Silêncio no espaço

Meteram-se as férias.
Sim, as férias justificariam muita coisa, muita ausência, muito silêncio.

Mas a verdade é que para além das férias há mais qualquer coisa. Uma falta de vontade. Incapacidade, falta de coragem, empenho, sei lá.

Só sei que um inspirar fundo se transforma em suspiro, que os ombros se abatem e os olhos se voltam para cima. Eu queria mesmo, mesmo era voar.
Mas não tenho asas.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

...

Mais do que fazeres-me rir durante anos, a tua viagem fez-me pensar.
Nos momentos, nas coisas que se dizem e se fazem. E, acima de tudo, nas que não se dizem e não se fazem. E nos momentos que se nos escaparam.
Tal como o tempo acaba por nos fugir.
Foi assim contigo, não foi?
Fugiu-te, o sacana do tempo, António.
Vou ver se o consigo segurar o meu...

Se não pelas gargalhadas, pelo exemplo, agradeço-te pela consciência do que tentaste transmitir: "aproveitem a vida, e ajudem-se uns aos outros, apreciem cada momento, agradeçam, não deixem nada por dizer, nada por fazer".

Prometo que vou tentar.
Obrigado, António.
Até sempre!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Foooooooonix

Nem dois minutos depois do post anterior recebo uma mensagem: "Crise de meia-idade? loool!"

Epá, sei lá!
Sei que ando irritadiça e com vontade de fazer algo "revolucionário". É bem possível que seja deste calor anormal de que tanta gente se queixa.
Mas também pode ser da tal crise, ó que porra!

Como é que eu hei de saber? Nunca tive esta idade antes!!!!!

Eca

Será só do calor ou estarei a entrar na mal-afamada "crise de meia-idade"???

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Flashes

A vida é feita de pequenos momentos presos uns aos outros com fita-cola.
Só que às vezes o medo impede-nos de aproveitar cada um deles.
Disfarçamos o medo com outras razões - a falta de tempo, os filhos, as responsabilidades, as contas para pagar - embora muitas vezes elas sejam reais e perfeitamente válidas. Mas não sozinhas. O medo une-as e coloca-lhes à frente uma lupa que as torna imensamente maiores.

No fim do rolo, se formos a contar quantos momentos foram de facto vividos, descolarmos os outros e os descartarmos... à maior parte de nós resta-nos um álbum de fotos muito pequeno.

E eu quero um álbum cheio...






Raisparta.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Contas finais

Troféu de Campeões do Mundo de Futebol 2010: La Roja

Troféu Bola de Ouro do Campeonato Mundial de Futebol 2010: Diego Forlán

Troféu "Ainda há românticos que não ligam ao facto de estarem em directo e dão um chocho na sua mais-que-tudo": Iker Casillas


É justo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Y viva

Podem vir todos os "entendidos" dizer o que quiserem: eu hoje não vou puxar pelos alemães.
"Ah, e tal, os espanhóis venceram-nos, devias querer que perdessem para termos a nossa vingançazinha". Epá! Se estivermos à espera que outros nos vinguem, bem podemos fechar já as portas ao desporto profissional. Vamos lá com amadores (se calhar alguns com mais empenho do que aquilo que se viu) e quando perdermos os outros que nos vinguem.
Claro que me deu uma fúria quando o Villa marcou o golo (epá, és giro e gosto muito da tua forma de jogar mas se pudesse naquele dia estrafegava-te). Também protestei "fora de jogo". Mas tive, como todos os portugueses, que engolir o sapo.

Ganharam porque souberam explorar os nossos erros. Desculpem lá - isso faz parte do saber jogar. Souberam jogar = souberam ganhar. A partir daí... batatas.

David, hoy, por todo lo que te es más sagrado, apuntate un gol a los alemanes para que se caigan de sus alturas - no son dioses y tienen que saberlo. Por eso te pido - DAVID, HACE ESO EN QUE ERES UN DE LOS MEJORES: APÚNTALES DOS, TRES, CUATRO! Te perdonaré tu gol en la meta de Eduardo y aplaudiré tus goles como si fueras portugues! Hoy, David, soy por ti y por La Roja!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Coisas que mexem cá comigo e me fazem pensar

Algumas difíceis de compreender, como esta.
Gostei particularmente da questão colocada pela mãe... pegando exactamente e de forma, a meu ver, inteligente no argumento "empunhado" pela outra parte.

Outras que me fazem sorrir, como a foto que acompanha o artigo.

Também há as que me fazem abanar a cabeça, como alguns dos comentários feitos na página do jornal. Mostras de tacanhez já não me surpreendem - mas ainda me fazem mossa.

Mas há também as que me enchem de um certo luso-orgulho, em (alguns de) nós e no domínio que algumas pessoas têm da nossa língua-mãe, a ponto de, num tom politicamente muito correcto (ou não fosse este cavalheiro um dos nossos Embaixadores) deixar uma série de apontamentos entrelinhados para quem os souber ler. Uma Carta que dá gosto, pela escrita e pelo conteúdo.

Um abraço, Mathis, Magda e Sérgio.
E cumprimentos ao Embaixador, pela postura e pela carta.
:)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Ideia genial a fingir

E se toda a malta tuga que tem quintas lá no LivroDasCaras começasse a plantar tomates como se não houvesse amanhã?

Será que chegavam para mais uma boa dose de ketchup imaginário?
É que não me importo que seja esquisito, de mochilinha, com o esquerdo, com o direito, com a cabeça, o calcanhar ou sequer com o traseiro!
Quero é que entrem - na baliza deles!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Não, não é para a Lídia

... mas não quis alterar as palavras de um Mestre!

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento de mais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento –
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.


Ricardo Reis, 1914

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pequenices

Pequenos momentos.
Pequenos nadas.



Lyrics | Rob Thomas - Little Wonders lyrics


Gostava de ter mais, mas dos bons - momentos e quase-nadas.
E às vezes, de surpresa, pequenas maravilhas.
Coisas que me façam recordar, sorrir, aquecer por dentro.
E sim - neste momento tenho um pequenino sorriso, secreto, ao evocar algumas em particular.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Amizades

Amigos. Há-os de muitos tipos.
Os mais-conhecidos-que-amigos, que são amigos de amigos;
os "amigos" do Facebook, alguns de quem não conhecemos sequer a cara (nem eles a nossa) mas mesmo assim podem ser uns belos compinchas de jogos;
os amigos de infância/adolescência de quem perdemos um bocado (ou completamente) o contacto quando crescemos;
os amigos-mesmo-amigos de infância ou adolescência que reencontramos de vez em quando e é como se nos tivéssemos visto na véspera (tirando a quantidade de novidades a contar de parte a parte);
os amigos que poderiam-ter-sido-mais-qualquer-coisa-mas-não-foram, fosse qual fosse o motivo;
os amigos próximos, mesmo próximos, que tanto podemos conhecer há vinte anos como há vinte dias.

Temos tanta maneira de "classificar" os amigos... às vezes dentro do mesmo grupo há-os muito diferentes uns dos outros, como os que são bons a desenrascar-nos com algum problema prático e os que não têm jeito nenhum para isso mas são óptimos para nos levantar o astral num dia de neura; aqueles a quem telefonamos para pedir uma opinião sobre um portátil novo ou os que arrastamos atrás para ir comprar livros; os que convidamos para ir a um museu ou os que nos convidam para ir à praia; os que nos dão uma palmadinha nas costas quando algo correu mal e os que choram connosco.

Tudo isto porque deparei com uma frase que me fez sorrir - sim, sobre os amigos. Sobre a distinção entre um bom amigo e um verdadeiro amigo.

"Um bom amigo é aquele que paga a tua fiança se fores preso; um verdadeiro amigo é o que está na prisão sentado ao teu lado dizendo: Hehe, desta vez fizemo-la bonita..."

Acho que me posso considerar uma pessoa emocionalmente rica: tenho amigos de todos os tipos. Muitos.
Isso sabe muito bem... e faz-me sorrir, como hoje.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dúvida que não tira o sono

mas tem todo o potencial para isso.

As pessoas mudam?
O animal humano é capaz de mudar, realmente?
Ou é apenas capaz de mudar algumas das suas atitudes em função do que deseja obter?



E quando muda... seja o core seja apenas a atitude; consegue-se que dure "para sempre"?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

E vão duas

tentativas bem diferentes.

Se derem ambas para o torto (a probabilidade é maior numa do que na outra), ou deixo de me armar em Julius Cesar com as frases ou deixo de atirar dados, que é como quem diz, mandar o barro à parede.

Deixo de perseguir cataratas e fico-me pelos rios e lagos que conheço...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Do fingimento dos poetas

Em meia dúzia de linhas, criamos/recriamos realidades alternativas/virtuais/deslocalizadas no espaço-tempo.
Espraiamos uma dor real espelhando-a na fantasia - impessoalizada; no tempo - deslocada. Até que se torne tão irreal como um sonho. Ou um pesadelo.

Concentramos a dor imaginária nesse espaço/tempo retratado, virando contra ela as baterias da negação.
Negando a dor imaginada, afastamos a dor real, ficcionando-a para recreação, nossa e de outrem.

Por fim, terminado o expurgo, rimo-nos dizendo que tudo é virtual, irreal, imaginário. Rasgando as folhas escritas rasgamos também o retrato ficcionado, ficcionário, lançando-as num vento de alívio, também ele muitas vezes fictício, fingido.

Mas só nós sabemos onde, no meio de tudo isso, se quedou a realidade, mudamente escondida sob o manto da fantasia.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Bah!!!

Eu aqui a preparar o rufar dos tambores para um TA-DAAAAAAAAAAAAAAA triunfal... e fico a saber que afinal vai demorar mais um bocadinho do que o previsto e que já nem era a data inicial mas o segundo adiamento consecutivo.
Já se tem tão pouca coisa com que ficar contentita e ainda por cima toca a afastar um pouco o prémio como um puto sacana a tirar a cenoura da frente do burrico.

Fonha-se, pá! Não há condições!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

They're Back!!!!!

Eles estão de volta, eles estão de volta, eles estão de volta!

Markl, fartaste-te de falar deles na Caderneta de Cromos mas o Alvim é que deu a boa notícia!

Eles estão de volta!

Sim!!!!!!

Os míticos SANJO voltaram!!!!!

Alea Jacta Est

Não sou o Julius Cesar mas acho que posso dizer o mesmo.
No fim do prazo à boa maneira 'tuga - mas já vai a caminho.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A vida

é uma treta.
Quando se pensa que as coisas parecem estar a correr bem, paft! leva-se um sopapo.
Daqueles que nos fazem ver estrelas, mas não das bonitas.
Daqueles que nos fazem sentir que o chão desapareceu sob os nossos pés.
Daqueles que nos fazem questionar uma montanha de coisas - como o que raio andamos aqui a fazer e para que perdemos tempo com mesquinhices.
Daqueles que nos deitam mesmo ao chão e nos tiram toda a vontade de levantar.

Hoje levei um desses sopapos. Caí, vi estrelas, fiquei zonza e sinceramente não tenho vontade de me levantar. Por agora, não.

What's the point?
Life's a bitch.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Crónicas

Era uma menina sossegada. Tinha o riso fácil sem gargalhar, que subia até aos olhos e criava covinhas nas bochechas. Brincava com bonecas ou carrinhos, sem distinção – mas a sua preferência ia sempre para os livros que lhe abriam portas de outras casas, retratos de outras paisagens, vozes de outras gentes.

A menina cresceu. Pouco falava de si e do que pensava, excepto quando as perguntas lhe eram colocadas directamente.
Na escola os professores dividiam-se: uns gostavam da adolescente calada que não perturbava as aulas e só mostrava o que sabia nos testes escritos; outros achavam que isso apenas provava que ela se limitava a estudar para esses mesmos testes sem apre(e)nder de facto a matéria e penalizavam-na na nota final.
O seu riso tornou-se mais reservado, poucas vezes passando além do sorriso, o seu humor tornou-se apreciador da ironia, do sarcasmo, dos subentendidos.
“Humor britânico” era o que lhe atribuíam os colegas que lhe conheciam essa faceta.
Teve os seus amores e desamores como todas as meninas adolescentes. Sofreu em silêncio e desabafou por escrito as dores de crescimento como muitas meninas adolescentes. E à semelhança dessas outras meninas criou-se dentro dela um mundo feito de palavras, cores e sentimentos, que não partilhava com quase ninguém – normalmente só com outras meninas portadoras de mundos similares.

A menina tornou-se mulher. Achando que tudo seria mais fácil, que já não precisaria do seu pequeno mundo, trancou-o. Fez-se à vida adulta de peito feito, acreditou no poder do amor para tudo vencer e foi traída pela sua crença. Uma, duas, várias vezes acreditou – e de todas essas vezes foi derrotada.
Acabou por perceber que, para de facto ter poder, o Amor precisa que dois seres lhe dêem a força necessária para vencer os obstáculos; um não é o suficiente.
Magoada, reabriu o portão do seu mundo secreto, pequeno mas verdejante: de tantas lágrimas engolidas durante anos, tinha rios, e as sombras escondidas no olhar tinham chovido abundantemente sobre os altos e baixos feitos colinas. O seu mundo interior era agora um imenso Mar a redescobrir, sonhos liquefeitos em cambiantes de azul.

Partiu em descoberta, registando em pequenas notas os caminhos que trilhara, as baías onde se abrigara das tempestades, os monstros que lhe tinham tolhido passagens. Via o mundo exterior como uma continuação desse mesmo mar, para cuja exploração as suas notas seriam preciosas.

De vez em quando o mundo interior da menina corria perigo. As águas contidas estalavam em tempestades ensurdecedoras capazes de a fazer perder o controlo. Chorava então, um dia inteiro de choro silencioso ou uma noite inteira de soluços fungados. Ambos, às vezes. Quando a acalmia se impunha, partia de novo então na sua viagem, crendo que iria um dia encontrar o que procurava; a razão da sua partida.

Ao longo dos anos conheceu muitos mundos como o que criara. Uns completamente abertos, outros bastante fechados, outros ainda divididos onde existia sempre uma zona reservada, um domínio proibido. Coloridos, baços, áridos ou florestados, tão variados como os seus criadores.

Acabou por abrir as suas portas a outros viajantes, guardando no entanto para si os locais favoritos: as montanhas escarpadas, o promontório, a ilha e sua torre de marfim. Sítios onde podia isolar-se quando quisesse, ou largar tudo e navegar até ao seu próprio centro. Criou outros mundos (alguns terrivelmente estranhos) para onde viajava a seu bel-prazer, traçando cores novas num imenso arco-íris. Visitou mundos alheios, deixando quase sempre uma pincelada da sua imensa paleta nos livros de visitas.

O tempo foi passando, as notas e cartas de marear acumularam-se bem como as experiências.
A menina, hoje mulher, não perdeu apesar de tudo a vontade de navegar e viaja de olhos postos no céu.
Sabe que o mundo é enorme e sonha que talvez algures, no mar ou entre as estrelas, exista algo ou alguém que torne desnecessária a existência de um mundo secreto para onde fugir, que lhe proporcione forças para construir uma realidade inquebrável, fazendo erguer dos mares do medo uma ilha segura.
Talvez nem valha a pena procurar, porque a menina também aprendeu que mais importante do que o destino é ter coragem para se pôr a caminho. Companhia, se existir, será um bónus... mas a viagem terá que ser sua. Não mais viajará a reboque de outros.

Contra medos e marés, sonha num qualquer amanhecer acostar à última praia acolhedora e deixar-se adormecer sem receio, embalada pelo arrulhar das ondas.


Um dia irá partilhar com o mundo as suas crónicas de viagem - e as cartas de marear.
Espero que seja em breve...

Finalmente...

Qual deles?

Contra Medos e Marés

ou

Num qualquer Amanhecer

??????

quarta-feira, 21 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ainda os nomes

Bom. Fiz uma lista exaustiva de todos os nomes que já me passaram pela ideia e equacionei, ainda que brevemente, usar como título do meu projecto. Depois submeti-a ao crivo de alguns amigos que me conhecem melhor - a mim e aos meus textos - para me darem feedback sobre qual achavam que melhor traduziria as minhas pancas.

De uma página consegui reduzir a coisa a dois. Acho que só decido qual será quando tiver todos os textos escolhidos e puder olhar para a "cara" do projecto - exactamente como fiz para decidir o nome da minha filha ;)

Nota: Brevemente vou ter novidades para contar. Não posso ainda divulgar quais; embora não estejam no segredo dos deuses, articulam-se em três partes distintas mas relacionadas e não quero estragar o efeito. Por isso, só quando tiver essas novidades nas minhas mãos é que conto - embora quem me conhece mais de perto saiba exactamente do que falo...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Dar nomes às coisas

Uma amiga disse-me hoje que um elaborar um livro será algo como um parto - sem a parte da dor.
De facto, um livro é como um filho, mas saído da nossa alma em vez do corpo.

Portanto agora tenho um pequeno dilema: tenho um projecto de "filho" para apresentar a uma editora mas não sei que nome lhe dar. Os amigos que consulto com ideias são tudo menos consensuais. Quero que "o meu menino" tenha um nome mais apelativo do que apenas "Retalhos do Arco-Íris", que convide mãos sensíveis a ler as palavras moldadas no seu interior, as paisagens descritas e os sentimentos pincelados. Quero que quem olhar para ele saiba que mostra as minhas rotas, os meus caminhos, as minhas baías seguras e as costas infestadas de monstros de que me afasto, como velhas Cartas de Marear da minha vida e do meu sentir.
Ainda não achei nenhum que me faça retinir um sininho cá dentro como se dissesse "é mesmo isto!".

E agora?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Projectos

A amiga de quem falei no post anterior e à qual por razões de privacidade chamarei agora (até que ela me diga o contrário) Prinçusa Leandra adora escrever. Tenho acompanhado a sua evolução de escrita (meteórica, por sinal) e gosto de brincar aos revisores com ela - que é como quem diz, olhar para um texto em bruto e dizer-lhe o que acho que falta ou está a mais. Coisas como vírgulas ou parágrafos, por exemplo.

Um dia destes a Prinçusa veio falar-me de um concurso. Uma editora propunha-se lançar uma antologia de contos e ilustrações na área do Fantástico, com prémios para os primeiros classificados em cada categoria e tudo. É claro que pensei "Fantástico! Até que enfim alguém dá lugar aos autores desconhecidos!". Ainda pensei em concorrer também - mas, como devem ter calculado pelo ar de abandono que o blog teve até esta manhã, estava total e completamente desinspirada tirando uma ou outra convulsão sináptica que jorrou para o Arco-Íris do lado.
Surgiram vozes contestando a editora (chamando-lhe vanity press e author mill) e a validade do concurso. Mas o concurso foi para a frente e no final de Outubro passado o livro foi lançado. Quase todos os textos submetidos foram publicados - creio que com as ilustrações se passou o mesmo. Perguntei à Prinçusa qual o saldo da experiência: "Negativo. A revisão foi pobre e o preço dos livros foi alto... se soubesse não me tinha metido nisso". Passou a encarar concursos/passatempos com esta tipologia com um pé atrás.
Mas gostou, como eu sei que um dia gostarei, de pegar num livro e ver o seu nome, o seu texto, as suas palavras impressas e à disposição do público. Não como num blog, onde damos as nossas palavras, o nosso tempo e muito do que nos vai cá dentro. Um livro, material, palpável, que outros pagarão para ter. O nosso "trabalho" a ser avaliado, a ser apreciado, a servir de prenda para alguém, a ser lido por quem vai saber o nosso nome - não apenas XR, Mag, Laranja ou Prinçusa Leandra, mas quem somos "lá fora".
Para ti, Prinçusa, o meu voto de que as tuas palavras cheguem aos escaparates das grandes livrarias, que os teus contos sejam lidos à lareira ou nos transportes públicos, oferecidos ao irmão ou à namorada. Sabe-se lá se um dia até fazem um filmucho baseado nas tuas histórias ... olha que acho que gostaria de o ver. ;)

Xiii... já???

Epá... mudámos de ano e quase nem dei por isso! A sério!
A vida continua mais ou menos na mesma. Alegrias e desilusões, chatices e projectos - uns com pernas para andar outros irremediavelmente arrumados na prateleira (e nem sempre por culpa minha).
Já uma vez tinha dito que não vejo o blog como uma página do twitter. Se me apetecer escrever, escrevo - caso contrário fica a ganhar pó virtual. Não tenho obrigação a não ser comigo mesma, de não sentir que tenho algo a dizer e atirar para o canto. Não sou politicamente correcta. Barafusto, grito e digo asneirolas se estiver francamente irritada. Mando outros condutores brincar com um cone de sinalização quando me obrigam a travar a fundo devido a uma manobra mal feita (deles, claro).

Só que durante todo este tempo ocorreram várias coisas que quero mencionar.
*A mais recente foi a minha sobrinha de cinco anos ter começado a fazer as chamadas "perguntas complicadas"... o que quer dizer que a mãe dela vai ficar a saber o que eu passei quando os meus tiveram essa fase (big evil grin showing up).
*A minha irmã de alma envolveu-se em projectos que a enchem de alegria - e a mim de desmedido orgulho por ter tido o privilégio de acompanhar a gestação desses projectos e sonhos e, ainda que numa escala minúscula, dado o meu apoio ou espicaçado a prosseguir consoante o caso.
*Uma amiga "recente" mas a quem pareço conhecer há décadas (não muitas senão teria andado com ela ao colo ... ai espera, até tenho idade para isso!) conseguiu algo que também quero para mim um dia (ser publicada! estavam a pensar no quê, hum?)
*Comprei uma mesa gráfica que, embora não seja daquelas marcas e modelos todos XPTO-ripipi, faz o que quero, portanto fico contente com isso
*Voltei a um dos meus grandes amores ....... a escrita sái-fái
*Tive uma resposta "mais ou menos positiva" de uma editora aos meus textos do Arco-Íris - agora que implicação/contornos terá essa resposta ainda está para ser visto
*Aprendi coisas novas, algumas sobre mim mesma.

Como vêem, estive ocupada. Já perceberam porque é que não andei a escrever por cá?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ora bolas

Só hoje me dei conta de que já passou mais de um mês desde o meu último post.
A verdade é que tenho andado bastante ocupada, entre o trabalho e a família - e isso tem precedência sobre o lazer (que inclui andar por aqui). Não é que eu não goste de cirandar pelos vossos blogs e ir actualizando este com as coisas que me vão passando pela moleirinha. Mas a família vem sempre em primeiro lugar; e, quer queira quer não, precisamos de €€ para quase tudo.

Muita coisa aconteceu neste intervalo, comigo e decerto convosco. O Luís Pingu ganhou a corrida à Antárctida (e aí agradeço aos que tiveram conhecimento do projecto por este cantinho e votaram nele) e eu caí no terrível vício de gerir uma quinta online - sei que boa parte de vocês sabe do que falo ;) - enquanto outra(s) pessoa(s) conseguiram algo que queriam muito. Sobre este ponto não posso ainda divulgar mais nada a pedido da própria :D mas garanto que quando tiver autorização para falar do assunto farei aqui uma festa ...

Até breve!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Life is a game

Sempre gostei imenso de jogar Tetris.

Embora possamos antever a próxima peça não a podemos escolher e temos que a posicionar da melhor forma em relação ao que já lá está, libertando o écran de complicações (a.k.a. peças mal encaixadas).

No início as peças demoram imenso a surgir* e despachamo-las com rapidez, clicando nas teclas que as façam descer mais depressa. Depois é que são elas. Surgem cada vez mais depressa e torna-se difícil antever a seguinte, encaixamo-las conforme dá e depois passamos as jogadas seguintes a limpar a borrada que fizemos. A velocidade aumenta vertiginosamente e a páginas tantas deixamos de ser capazes de corrigir as bodegas ou colocar o raio das peças no sítio devido. E estoiramos.



Parece mesmo a vida real, não parece?

* ai, adolescência, adolescência ...

Magia

A minha soulsister, Mag, ofereceu-me este belo selinho:

Com a devida "autorização", não faço o agradecimento no Arco-Íris uma vez que se destina apenas aos frutos das minhas convulsões sinápticas "criativas" (vá, parem de rir, sim?). Mas este é o cantinho das minhas divagações, dos desabafos, das tonteiras, onde agradeço os mimos que me dão e os distribuo a seguir, onde falo das trilhentas coisas que me passam pela moleirinha, sejam sapatos, barcos, lacre, cera, couves ou reis ... ou mesmo cones de sinalização, pronto.

Portanto, para dar cumprimento ao desafio, eis as questões:

1) Música mágica: "Who wants to live forever", Queen

2) Filme mágico: Serendipity, pois então!

3) Viagem mágica: Paris ou New York - como só conheço uma delas tenho que visitar a outra para comparar ;)

4) Maquilhagem mágica: Errmm ... pois. Não é coisa que use muito, de facto. O que não dispenso é um bom corrector de olheiras, um lápis de sobrancelhas e um khôl/eyeliner como o Luminelle Duo (bronze doré/rose irisé); se estiver para aí virada uso o Lèvres Fix'Intense (bâton-pincel + gloss). Tudo da Yves Rocher.

Bom, agora a parte complicada: escolher cinco blogs "mágicos" a quem repassar o selo.
And the award goes to ... (tchan tchan tchaaannn)
* Misteriosa atracção, da Miss Glitering;
* de luz e de sombra, da Luz;
* Coração de Amores (Im)Perfeitos, da Diana;
* Um mundo de sonhos, da Fadinha da Sombra;
* Destilado, da Princesa (des)Encantada;
* A minha nuvem, da Nuvem.

Estes são os blogs que me despertam o lado sonhador; outros fazem-me rir ou acordam-me para coisas que às vezes me passam ao lado. Todos, no entanto, são Blogs de Primeira. A todos, obrigado por fazerem parte do meu dia-a-dia :)

P.S. Eu sei, deviam ser cinco premiados e pus seis; e ?
P.P.S. Não concordo com a atribuição deste prémio ao Arco-Íris, mas o que se poderia esperar de alguém que acredita em banshees e leprechauns? Não faz mal, sis, adoro-te na mesma!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Coisas e loisas

Há blogs em que tudo é lindo e cheio de cores bonitas, em que só se fala de coisas agradáveis, engraçadas ou doces (incluindo receitas).

Outros optam por ser do mais do contra que há, não gostam de (quase) nada, destilam pessimismo e posts aguçados.

Alguns mais parecem (pelo que me contam) o twitter*, já que pouco falta para falar de quantos golos de água beberam nessa manhã ou quantas vezes o gato foi ao caixote de areia.

Outros limitam-se a desabafar, seja qual for a cor do que vai na alma dos seus autores. Abrem-nos uma janelita, não para o seu dia-a-dia mas para o que de facto lhes interessa ou (des)motiva, partilhando alegrias e tristezas sem detalhes desnecessários e sem nos dar a sensação de sermos paparazzi de uma vida anónima.

Para mim, estes últimos são, de facto, Blogs de Primeira e podem encontrá-los na minha lista de leituras do lado direito. Foi exactamente um desses que me fez uma oferta bem fresca ...

Obrigada, Antígona. :) Espero que gostes tanto da oferta como eu gostei deste selo fresquinho.

Uma sugestão final ... se acabar o gelo podemos ir à Antárctida e cravar ao Pingu um icebergzito. Dividido entre todos acho que dá para termos bebidas frescas até ao fim deste Verão.

P.S.
1) Não uso o twitter; pelo que me contam aquilo parece-me um voyeurismo pegado.
2) O Luís "Pingu" Monteiro continuava ontem em primeiro lugar da votação. Ajudem-no a chegar à Antárctida - só assim conseguimos ter a quem cravar um iceberg.
3) Gosto de quebrar regras que não prejudiquem ninguém. Portanto, este prémio fica à disposição dos meus leitores e dos Blogs de Primeira que costumo seguir. Levem-no e refresquem-se :D

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Antárctida - 'bora lá e sem parar em Madagáscar!

No blog do Nuno Markl (o link está ali do lado esquerdo) fiquei a saber da iniciativa do Luís "Pingu" Monteiro - ir à Antárctida, como representante nacional, em nome de milhares de bloggers.
Fiquei fã da causa - acho que Portugal deveria ter ratificado o Tratado há bem mais tempo mas por cá gostamos de deixar tudo "para mais tarde" ... neste caso, cinquenta anos depois.

Ora dificilmente Portugal terá tão depressa uma missão científica à Antárctida; o mais provável será irmos "às cavalitas" que é como quem diz, em missão conjunta com os nossos vizinhos do lado e de quem meio mundo pensa que somos uma província.
O Luís vai provar que:
a) Portugal existe mesmo, não é uma província espanhola;
b) Um pinguim português pode sobreviver na Antárctida e até bloggar a partir de lá;
c) Os 'tugas, se quiserem, conseguem muita coisa quando se unem.

Fica então aqui o meu apelo: Dirijam-se a Rumo à Antárctida, leiam o que o nosso Pingu explica e votem. Não pagam nada, só têm que se registar. Votem, vá lá.

Bolas, podemos mostrar que a comunidade bloguística portuguesa consegue fazer mais do que usar um banner a declarar que "este blog diz piaçaba"!
Pois este blog até podia dizer Piaçaba mas escolheu em vez disso apoiar o Luís.
Estão a ver o novo banner ali em cima? Às vezes é mesmo muito fácil fazer alguma diferença. 'Bora lá?

(Luís, nada de passar por Madagáscar, por favor. Os pingus de lá são um bocado chalados ...)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Do Coração

Há pessoas com o coração emparedado; outras com ele empedrado.
Há ainda os que o têm em permanente sobressalto, descompassado como um (mau) acrobata. Há também os que criam borboletas lá dentro, que vivem cada paixão (sempre novas, sempre curtas) como se fosse a primeira, só para sentir as tais borboletas a esvoaçar.

E há os que o têm bem quente - uns em chamas, outros em brasa.
Nem sempre esta brasa é visível, aparecendo aos olhos dos outros como cavacos arrefecidos pela vida. Mas só os seus donos e aqueles com quem partilham o seu calor sabem a que ponto arde um coração assim, a que ponto pode fazer derreter os outros.

Muitos dos que têm o coração a elevadas temperaturas criam vasos comunicantes desse órgão abrasador até aos dedos.
Escrevem.
As suas palavras não são cerebrais, são sentidas.
E só elas deixam transparecer o calor que lhes deu origem - como faúlhas lançadas através dos dedos e guiadas através de uma caneta ou um teclado.

Ainda que escrevam em prosa, a esses chamamos Poetas.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Frenesim fixe

Ando a descobrir novos sons.
O grupo tem tido uma outra música a passar na rádio. Mas esta senhora é dona de uma voz espectacular que acompanha com o piano.
Deixo-vos com uma melodia calma para corações com dói-dói:

Como disse à Princesa, vou aprender Engenharia Emocional para fazer pontes de coragem sobre os rios do medo com que me deparo.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

(...suspiro) Ai ai

O "MEU" filme eleito. Uma música linda, linda.
O resultado?

Epá, não me batam, ok?
Eu adoro este filme e o conceito por trás da história.
É a cair para o lamechas? I don't care!!!
Gosto da ideia de um mundo de possibilidades que se conjugam num imenso caleidoscópio para nos dar a hipótese no momento certo e altura certa. E ainda mais da ideia da segunda chance sem interessar o porquê de não se ter aproveitado a primeira.
Não fiquem por causa disto a achar que sou alguma Rapunzel sentada à janela da sua torre à espera do brave sir knight prometido. Eu cá sou mesmo uma Brites a desancar invasores com a pá do forno. Ou, se quiserem entrar no reino da fantasia, Éowyn de espada-e-escudo por aquilo em que acredita.
(Mas se calhar sou assim porque já conheci muitos, muitos sapos que nunca teriam hipótese de ser príncipes de coisa nenhuma ...)

Hoje só quis mesmo lembrar-vos este filme e dar-vos a conhecer esta canção. A mais bonita que já ouvi nos últimos tempos - e como não é assim tão recente não anda a passar na rádio a torto e a direito até enjoar (embora não me lembre de a ter ouvido quando foi lançada em 2004).

[E se não gostarem, batatas! Eu gosto e mai nada!!!]