terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Valen-what?

Não preciso de datas especiais no calendário para dizer o que sinto.
Aqui canto, aqui declamo, aqui repito Amar - Amor - Amar todos os dias, porque um ano é feito de 365 (ou 366) dias para amar e não apenas um.

Hoje é um dia como os outros.
E tal como em todos os outros dias... amo-te. Só isso.

Echo

I think I was searching for treasures or stones
in the clearest of pools
when your face...

__________when your face
like the moon in a well
where I might wish...

__________might well wish
for the iced fire of your kiss
only on water my lips, where your face...

where your face was reflected, lovely
not really there when I turned
to look behind at the emptying air

the emptying air


(Carol Ann Duffy)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sometimes

... words aren't enough to get us anywhere.

Take me home



Take me home, you silly girl
Put your arms around me
Take me home you silly girl
Oh the world's not round without you

I'm so sorry that I broke your heart
Please don't leave my side
Take me home you silly girl
Cause I'm still in love with you


you cannot kiss an idea, cannot touch it, or hold it... ideas do not bleed, they do not feel pain, they do not love... And it is not an idea that I miss, it is a man.




(From V for Vendetta)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

De que serve o Amor?

Para quê o Amor quando não serve de nada?

Amor só não basta, tal como desejo só não basta.
'O Amor é lindo!'. Então e o resto? Não falo da pele contra pele, do tocar, da suspensão de gravidade que parece existir nos momentos em que os corpos se fundem. Isso também é importante, também é bom.
Mas uma relação, uma vida em conjunto é muito mais. São as adversidades que se enfrentam, as prioridades que se revêm, a roupa para lavar e dobrar, as compras, a despensa arrumada, a lenha e os rolos de cozinha, o chá e o leite com chocolate, o pão com manteiga e os vegetais, o vinho e a água, os hábitos que mudam, os amigos - os comuns e os outros - que passam a lidar com uma unidade recém.criada que, por muito que integre duas pessoas que não perdem individualidade, é algo de novo a ter em conta com as suas próprias rotinas e horários e passatempos e sítios e coisas.

Pontos de vista que se alteram, coisas a que se não dava importância e que afinal passam a entrar nas rotinas essenciais, momentos que passam a ser a dois - escrever uma história em comum, recordações que serão partilhadas, vidas entretecidas em conjunto a partir de certa altura.

Não se pode comer o bolo e ficar com ele. Há coisas de que inevitavelmente se abre mão, uma escolha que se tem que fazer quando se acha que alguém vale a pena, que o querer estar com essa pessoa nos é mais caro ao coração do que a total independência e o fazer o que nos dá na telha a toda a hora e momento, que a felicidade de estar juntos é melhor do que a felicidade de estar sozinho.

Não, só o Amor não chega, só o desejo não chega.
É preciso coragem, é preciso esforço, é preciso colaboração, é preciso todos os dias aparecer e arregaçar as mangas e dar o seu melhor e arriscar e abrir o coração sem defesas a quem nos pode magoar mais do que qualquer outra pessoa. E se esse 'quem' não tirar partido dessas defesas em baixo, se tiver a coragem de abrir igualmente o coração e se dispuser também a arriscar e esforçar-se e arregaçar as mangas e dar o seu melhor todos os dias, a verdadeira história a dois poderá então começar, e fazer-se dos momentos de alegria e de tristeza, de glória e de dor, de um que ampara o outro que está em baixo, o outro que defende o um injustamente atacado, dos risos, dos silêncios, das noites em branco, dos beijos, dos olhares e todas as outras coisas que não se podem comprar.

Não se pode comprar o Amor, embora se possa fingir que existe.
Não se pode comprar o desejo, embora se possa fingir que existe.
Não se pode comprar a coragem de arriscar, de tentar, de dar um salto para o desconhecido - e isso não se pode fingir. Ou se tem e se tenta e nos arriscamos a experimentar o fogo e o trovão e todas as dimensões que se concretizam... ou não se tem e nunca se saberá como poderia ter sido.


'Sometimes you wake up. Sometimes the fall kills you. And sometimes, when you fall, you fly.'
(Neil Gaiman, The Sandman - vol. 6)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Silencio

"Yo voy a cerrar los ojos.

Y sólo quiero cinco cosas,
cinco raíces preferidas.

Una es el amor sin fin.

Lo segundo es ver el otoño.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.

Lo tercero es el grave invierno,
la lluvia que amé, la caricia
del fuego en el frío silvestre.

En cuarto lugar el verano
redondo como una sandía.

La quinta cosa son tus ojos,
(...)
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que tú me sigas mirando.

Amigos, eso es cuanto quiero.
Es casi nada y casi todo."


Pablo Neruda
(excerto de 'Pido Silencio')

Talvez



Here I go climbing a mountain
It's much too high for me
And here I go crossing the ocean
Losing myself, getting lost in the sea
Where did I go wrong
When did I stop singing a love song

Maybe I was wrong
Maybe I was blind and could not see
Maybe you were never the one
Maybe you were not the one for me
Maybe

Here I go posing a question
Not sure of what I'll hear
Here I go refusing to let you answer
Until I make myself so very clear
We can take what was wrong
We can end these words in a love song

Maybe if we try
Maybe we can start again when we've already said goodbye
Maybe we can still be what we always dreamed that we could be

And I know that I was wrong to let you go
But I'm still holding on to let you know

Maybe I was wrong
Maybe I was blind and could not see
Oh but baby I'll be strong
And I'll sacrifice the very breath I breathe
If I could only hear you say to me
When I ask you if you think you still love me
...Maybe

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Azul frio

Amar, amor, amar-te
sob todos os céus
sob todas as estrelas do Universo
é a minha realidade constante.



Céu.
Imenso, intenso, onde perdemos o olhar, imersos nas possibilidades e nos sonhos. Mergulhamos no céu como nos olhos do ser amado, igualmente esquecidos do que nos rodeia, desejando para sempre estar perdidos assim.

És o meu céu.
E igualmente inatingível.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Neruda & eu

"Aqui te amo
Nos sombrios pinheiros desenreda-se o vento
a lua fosforesce sobre as águas errantes
andam dias iguais a perseguir-se.

Desperta-se a névoa em dançantes figuras
uma gaivota de prata desprende-se do ocaso
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Sozinho.

Às vezes amanheço e até a alma está húmida.
Soa, ressoa o Mar ao longe.
Este é um porto.
Aqui te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
Às vezes vão meus beijos nesses barcos solenes
que correm pelo Mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos
mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores
E como eu te amo! Os pinheiros no vento
querem cantar o teu nome com suas folhas de cobre
AQUI DISTANTE, EU TE AMO!"

(Pablo Neruda)




Daqui distante te mando um beijo
em cada sussurro de brisa
que me apaga as lágrimas que não deixo que meus olhos vertam
e arrasto-me sob o sol que incendeia a tarde, lá no alto
neste mesmo céu sob o qual estás, e o teu espírito tão longe
tão longe, para lá do Mar.
E eu aqui, distante. Mas sempre tua.
Aqui te amo. E em todo o lado.

Swords



See her come down, through the clouds
I feel like a fool
I aint got nothing left to give
Nothing to lose

So come on Love, draw your swords
Shoot me to the ground
You are mine, I am yours
Lets not f**k around

Cause you are, the only one
Cause you are, the only one

I see them snakes come through the ground
They choke me to the bone
They tie me to their wooden chair
Here are all my songs

So come on Love, draw your swords
Shoot me to the ground
You are mine, I am yours
Lets not f**k around

Cause you are, the only one
Cause you are, the only one

Through the looking glass

"The time has come," the Walrus said,
"To talk of many things:
Of shoes—and ships—and sealing-wax—
Of cabbages—and kings—
And why the sea is boiling hot—
And whether pigs have wings."

(Lewis Carroll)

There's got to be more to life than this.
But right now I don't know where. My compass keeps pointing to the one place I cannot go, the kingdom I was banned from.
A warrior in exile, whose strength was dispensed.
Yet I prefer to bury my sword than to become a mercenary and sell my beliefs.

I hold the truth I've discovered, precious knowledge even if it leads me nowhere.
And though broken and scarred, I walk in the sun standing tall, holding it close to my soul. For this is what I know, my most cherished thought and delightful certainty.

It is my just.discovered true desire, "the deepest secret nobody knows, and I carry it in my heart".

With a sad smile I bid farewell to you, my silent lord; for thou shall not know what I keep within.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Crystal clear

I never was very good at handling others' indefinitions. Even more so when I have my own to deal with.

Now that the haze gave way to clarity, I realize I've gone too far beyond the looking glass to return. It's lonely out here.
Where was this on the hologram you claimed to have seen beforehand?
Where are the years you said we would need to explain everything we saw?

The sun has dripped down beyond the shadowy lines.
Where is the droning engine that throbs in time with your beating heart?


I miss you, Dwayne.
I've got so much to tell you
but all that comes out
of my silent lips is a sigh.
Damn, how I miss you!

Love,
Ellen.

Done, Pause

Terminei de processar(-te).
E se em relação a algumas coisas se me fez luz, sobre outras ficou um véu de incompreensão. Contradições que não entendo.
Mas isso já não faz grande diferença, do teu lado do espelho.

Afastei-me porque tinha que o fazer; avassalada como estava por dúvidas que não tinham só a ver contigo, tinha que me recentrar, ganhar perspectiva. Não entendeste isso dessa forma; aliás, não entendeste, ponto.
Por isso não compreendes decerto que te guardo no mesmo local onde guardava e que uma série de coisas permaneceram, apesar dos esforços.
Essa parte nem vou tentar perceber sequer. Sei que está lá e isso, para já, chega-me.

Digo-te, a parte pior de não saber de ti é mesmo essa, não saber de ti, não saber se estás bem, se estás doente, a precisar de uma sopa quente ou apenas de conversar. Não o facto de não me leres e como tal não vires a saber onde estou ou para onde me dirijo. As minhas rotas não são as tuas - mas gostaria de saber a quantas andas, que é feito de ti. O carinho não se apaga assim.

Terminei de processar(-te).
Nesse grocar descobri muito sobre um e outro, semelhanças e diferenças. E houve algo que me atingiu como um raio, um clarão de entendimento, uma epifania. Algo que nunca suspeitaste porque nunca to disse, pois nem eu ainda tinha lá chegado.

Não sei se teria feito alguma diferença dizer-to enquanto pude; mas na altura não o sabia, portanto não podia. Belo paradoxo...
Na verdade tinha uma vaga consciência de algo indefinido, mas não te iria falar de indefinições. Também nunca me deitei a pensar sobre o assunto por julgar que não se justificava, que a seu tempo tudo seria esclarecido; enganei-me.

Esta noite fez-se luz e uma noção tornou-se certeza cristalina. E, a este ponto, dolorosa.
Mas nunca saberás o quê.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ainda vem longe

... essa coisa chamada Primavera.



Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...

No surprises

Doorbell rang.
Wrong address.

I knew it wasn't you - yet, for a split second, my heart smiled at the possibility.


I guess I should spank it for being so stupid.

Leggendo Calvino

Si conobbero. Lui conobbe lei e se stesso, perché in verità non s’era mai saputo. E lei conobbe lui e se stessa, perché pur essendosi saputa sempre mai s’era potuta riconoscere così.

Una parola piú e sarebbe troppo...

And?

I am writing as I process things, one after the other - like I said I would.

I'd really love that you would read all of this, so you'd know why I had to walk away when I did; but I know you won't, solidly anchored in your own stubbornness, the one thing in which you can claim (and win, hands down) to be stronger than me.


The truth is, if you would show up on my doorstep I would call upon your bluff and you'd have to stand for what you once said (you claim to know everything, but I do remember everything - well, the stuff worth remembering, of course).









Oh, wait! That has already happened!
And you just hid behind excuses.

(Yet I believe in 2nd chances, and that the only way to prove a theory is to demonstrate it).

Processando... (5)

Escavo memórias.
Aos poucos vou grocando oito anos de ti.
Vejo que tinha razão, que as certezas anunciadas já antes o eram... e também se enganaram, de todas as vezes que pensaste ser a última e voaste até te fazeres Ícaro.

Perante mim, contradisseste-te; as dúvidas permaneceram - as tuas, disfarçadas de certezas diferentes das minhas.

Eu, que não afirmo certezas tão grandes, digo-te desde já que sim, sei como seria...
Mas tu nunca o saberás.

E ainda dizes que não foi por medo?

Undeniable

No matter what... I am.

Processando... (4)

Nunca fingi ser o que não era.

Mas quando, intenso trovão, quiseste ver a face do relâmpago, deparaste com a pura tempestade.

E naufragámos.

Processando... (3)

Tudo o que eu queria era um igual, que combatesse ao meu lado e com quem pudesse contar, costas com costas e espadas desembainhadas contra o que o mundo nos atirasse.

Avisei-te que não era donzela em apuros à espera de ser salva.
Os outros é que precisam de ser salvos de mim.
Incluindo tu.

Placidamente lavras a terra em silêncio e colhes frutos com uma lança ao crepúsculo enquanto eu, de alma em fogo com a intensidade de mil sóis, faço cantar a espada ao vento e grito amor.
Houvesse em ti um coração igual ao meu e teria morrido por ti.

Sou guerreira do relâmpago.
Continuo a queimar aquilo em que toco.

Break



My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

I'm standing on a stage
Of fear and self-doubt
It's a hollow play
But they'll clap anyway

My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

You're standing next to me
My mind holds the key

I'm living in an age
That calls darkness light
Though my language is dead
Still the shapes fill my head

I'm living in an age
Whose name I don't know
Though the fear keeps me moving
Still my heart beats so slow

My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

You're standing next to me
My mind holds the key
My body is a

My body is a cage
We take what we're given
Just because you've forgotten
That don't mean you're forgiven

I'm living in an age
That screams my name at night
But when I get to the doorway
There's no one in sight

My body is a cage that keeps me
From dancing with the one I love
But my mind holds the key

You're standing next to me
My mind holds the key

Set my spirit free
Set my spirit free
Set my body free

Processando... (2)

Perguntaste-me uma vez se poderia existir algo como sermos demasiado parecidos.
Ri-me. Pareciam de facto coincidências a mais.

Mas termos trilhado os mesmíssimos caminhos lá atrás não queria dizer que a partir do cruzamento enveredássemos por um em comum.

Por muitas que sejam e se acumulem quando se sobrepõem duas cartas náuticas distintas, há coincidências que não passam disso mesmo. Coincidências.

Processando... (1)

O que se anunciara como reacção termonuclear que alteraria vidas inteiras não passou do surdo fragor do choque de madeira contra metal dos tacos irmãos que dormem em lugares gémeos.

Tu concentras-te no que não é e cruzas os braços à espera de um clique na mente.
Eu danço na vertigem do que pode ser e abro o peito, pronta a deixar que a vida flua através de mim, absorvendo, absorvendo.

Poderíamos alguma vez partilhar mais do que um momento no tempo?

Apontamento

Tínhamos uma folha em branco para escrever a história dos nossos dias.
Derramaste-lhe em cima o tinto da indiferença, comprado no supermercado da esquina e pegaste-lhe fogo com o súbito relâmpago da tua partida, deixando-me sem ter onde escrever as minhas memórias de ti.

Está frio e a lareira tem estado acesa todas as noites na casa semi-vazia.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

The last bridge

O projecto está concluído.
Algo diferente do que tinha pensado ao início - mas, na minha opinião, para melhor. Aliás, quando se muda algo por nossa iniciativa e se tem controlo sobre todo o processo, a intenção é sempre que seja para melhor. Há coisas na vida que não conseguimos controlar, sim. Mas no caso de algo que depende apenas de nós, temos tudo nas mãos.

Com tanta coisa à minha volta a escapar-se-me por entre os dedos, tantas circunstâncias que me afectam e que não consigo alterar, este projecto foi algo que eu tinha que fazer para me recentrar. Fazer algo com princípio, meio e fim, mesmo que tenha alterado coisas a meio; mas alterei-as porque quis, não porque mo tivessem imposto.

Cada passo deste projecto foi pensado e trabalhado para um dado objectivo. Empenhei-me em chegar ao final e agora olho para a minha criação com orgulho - porque não desisti, porque acreditei que seria capaz, porque me entreguei por completo a concretizá-lo. Foi, como dizia ontem, um acto de amor total; porque o fiz por mim mas não para mim.
Se servirá o seu objectivo final, o da ideia pela qual nasceu, ignoro. Nem sei sequer se alguma vez o saberei. Mas fi-lo, com gosto, com entrega, com amor. E nesse processo passei o ponto de fuga sem parar, atingi o horizonte de eventos e, embalada na minha criação, larguei a mão e deixei(-me) ir.

One of the hardest things in life is knowing when to let go.

Emergi do lado de cá, livre do que me pesava: a dor, a tristeza pelo que podia ter sido, pelo potencial perdido sem retorno, pelo que quis dar e não pude.
Dentro de algumas horas o resultado do meu trabalho, do meu intenso acto de amor, será preparado e enviado para onde tem que ser. Fechar-se-á um capítulo de aprendizagem, amor e perda.

O que virá a seguir, ainda não sei. Ainda não o escrevi.
Sei, sim, que o serão de domingo será diferente - sem estar a olhar para a lareira querendo estar noutro lado ou que o outro lado fosse aqui. Sem sonhos acordados, que já não tenho idade para isso e a vida já me mostrou que não basta querer e sonhar para que os nossos desejos se concretizem. Tonta fui eu por ter acreditado que por uma vez poderia ser diferente... mas isso foi no capítulo que agora se encerra.
Já chega.



Before our innocence was lost,
You were always one of those,
Blessed with lucky sevens,
And the voice that made me cry.

It's a song to say goodbye.


A vida segue dentro de momentos.

Events horizon



With the fire from the fireworks up above me
With a gun for a lover and a shot for the pain at hand
You run for cover in the temple of love
You run for another but still the same
For the wind will blow my name across this land


In the temple of love you hide together
Believing pain and fear outside
But someone near you rides the weather
And the tears he cried will rain on walls
As wide as lovers eyes

In the temple of love: Shine like thunder
In the temple of love: Cry like rain
In the temple of love: Hear my calling
In the temple of love: Hear my name

And the devil in black dress watches over
My guardian angel walks away
Life is short and love is always over in the morning
Black wind come carry me far away

With the sunlight died and night above me
With a gun for a lover and a shot for the pain inside

You run for cover in the temple of love
You run for another it's all the same
For the wind will blow and throw your walls aside
With the fire from the fireworks up above
With a gun for a lover and a shot for the pain

You run for cover in the temple of love
I shine like thunder cry like rain
And the temple grows old and strong
But the wind blows longer cold and long
And the temple of love will fall before
This black wind calls my name to you no more


In the black sky thunder sweeping
Underground and over water
Sounds of crying weeping will not save
Your faith for bricks and dreams for mortar
All your prayers must seem as nothing
Ninety-six below the wave
When stone is dust and only air remains

In the temple of love: Shine like thunder
In the temple of love: Cry like rain
In the temple of love: Hear the calling
And the temple of love is falling down

In the temple of love: Shine like thunder
In the temple of love: Cry like rain
In the temple of love: Hear my calling
In the temple of love: Hear my name

In the black sky thunder sweeping
Underground and over water
Sounds of crying weeping will not save
Your faith for bricks and dreams for mortar
All your prayers must seem as nothing
Ninety-six below the wave
When stone is dust and air remains
The only haven you can trust

And the devil in black dress watches over
My guardian angel walks away
Life is short and love is always over in the morning
Black wind come carry me far away

With the fire from the fireworks up above
With a gun for a lover and a shot for the pain
You run for cover in the temple of love
I shine like thunder cry like rain
And the temple grows old and strong
But the wind blows longer cold and long
And the temple of love will fall before
This black wind calls my name to you no more


In the temple of love you hide together
Believing pain and fear outside
But someone near you rides the weather
And the tears he cried will rain on walls
As wide as lovers eyes

In the temple of love: Shine like thunder
In the temple of love: Cry like rain
In the temple of love: Hear the calling
And the temple of love is falling down

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Um acto de amor

Papel em branco, lápis, caneta, pendrive, apontamentos, caneca de chá enorme, toros, pinhas, acendalhas.
Tudo pronto na sala.

Enrosco-me na poltrona com o bloco ao colo, pronta para iniciar o projecto.
Na poltrona ao lado, o estojo de plástico com um estampado a imitar granito e um pacote de acendalhas.
Sobre a mesinha de apoio, os lápis e o portátil ligado para ouvir música e conversar com a A.
Aparece o R no chat, a querer fazer-me inveja com o concerto que vai ver amanhã. Faz beicinho quando lhe digo que tenho a lareira acesa; o R não tem lareira.
O A publica um desenho no FB. Faço beicinho porque gostaria de desenhar tão bem como ele. Raisparta o talento do gajo.

Banda sonora da noite: Indochine, Moby (aos montes), Placebo.

Uma hora e tal depois, o primeiro draft está alinhavado. Já sabia que não iria dormir enquanto não passasse a ideia para o papel. Há coisas que resultam melhor pelos métodos tradicionais...

Continuo a conversar com a A enquanto apago umas coisas, altero outras, acrescento mais um ponto aqui ou ali. Três toros já foram. Pinhas nem sei.

Mais uma hora e dou o draft como pronto.
Olho para os papéis com um sorriso. Nada mau para um rascunho.

Ponho os papéis para o lado e coloco o último toro da noite. Vou à cozinha aquecer a terceira caneca de chá e volto à sala para espevitar o fogo. As chamas fascinam-me, como sempre. Seria capaz de ficar a olhar para elas durante horas, se a lenha durasse tanto. O melhor é amanhã trazer duas sacas do supermercado. Quando vou buscar o chá, ainda trago as chamas na mente e qualquer coisa faz clique. Quando regresso à sala volto a pegar nos papéis e acrescento o que acabei de imaginar.

Altero partes da ideia inicial e o resultado fica melhor do que eu tinha inicialmente pensado. O que fazem algumas linhas a mais...
Desta vez, o sorriso ao olhar para os papéis é de orgulho, mesmo que ainda não dê o projecto por terminado. Mas a estrutura está lá, esqueleto já coberto de carne embora a precisar de pequenas alterações estéticas. Está criado.
Criar dá-me prazer, como se tivesse a alma em fogo. Verto-me nas linhas que traço.

Quando a lenha acabar de arder vou dormir, com a satisfação de ter conseguido o que queria.
Amanhã será tempo de voltar a pegar no rascunho, passar a limpo, experimentar trocar posições de um elemento ou outro, limar arestas, burilar aqui e ali até o resultado ser exactamente o que quero. É a gestação do projecto: nutri-lo, acarinhá-lo, aperfeiçoá-lo como uma criança que cresce no ventre.
Até chegar a altura de o dar à luz, sem as dores físicas do parir mas com a pequena dor da saudade na alma ao ver o projecto terminar.

Porque um projecto assim é, acima de tudo, uma filho da imaginação, da alma que se empenha e se entrega e se dá em cada linha. No produto final revemo-nos, revemos o que demos, revemos a entrega e a dedicação em cada ponto, como uma criança fruto de um amor profundo.

Criar é sempre um acto de Amor.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

The Fabric of Our Lives - III

Quando me tornei mãe, quis que os filhos pudessem ter memórias igualmente preciosas para guardar.
Uma ida à praça com a minha filha para comprar pão quente transformava-se numa excursão por todos muretes dos canteiros da avenida, contando os bichinhos-de-conta que encontrávamos pelo caminho. O pão chegava a casa já frio, e nós com enormes sorrisos.

Com ela, criei o hábito da leitura ao deitar. Os livros da Rua Sésamo eram lidos em voz alta, com todas as vozes imitadas o melhor que se podia – ainda hoje sou um Becas espectacular e um Gualter aceitável.

Quando me divorciei da primeira vez, ficámos sozinhas mas não deixámos que a tristeza se instalasse. Um serão em que a electricidade faltou foi pretexto para um jantar à luz das velas. Nunca um prato de douradinhos de peixe com batatas fritas foi motivo para tanta risota.

Quando nasceu o irmão, a minha filha tentou ser ‘a melhor irmã do mundo’. Rodeava o bebé de peluches para que, se rebolasse, não caísse. Num daqueles parques infantis com os lados feitos de rede, fez buraquinhos com uma tesoura para que o irmão pudesse trepar e ‘libertar-se’.
As sessões de Rua Sésamo passaram a ser a três, e as gargalhadas do meu filho eram memoráveis. Um livro do Winnie the Pooh deu direito a incontáveis reboladelas na cama: na história, o tonto do ursinho imaginou ser uma abóbora a rebolar ladeira abaixo e, claro, o garoto quis imitá-lo. Resultado: mais gargalhadas, que ele repete cada vez que se recorda.

Num passatempo, obtivemos uma PS3. Os momentos que ficam não são com os jogos lhe foram oferecidos nos aniversários e natais seguintes; são as nossas sessões de tiroteio contra robots malévolos e gangsters perigosos no meio de filmes imaginários (em que nos revezamos a disparar contra o écran) ou os avatares idiotas que escolhemos para os quizzes musicais.
Uma ida a uma conhecida loja de artigos desportivos para comprar um par de ténis de futsal deu direito a uma sessão de toques na bola no meio do corredor da loja.


Tal como durante o meu período de crescimento, os momentos mais memoráveis não são nem serão aqueles proporcionados por coisas que comprámos – mas sim por aquilo que fizemos e pela alegria de que disfrutámos e partilhámos.


O que estou a viver agora vai ajudar a moldar o carácter dos meus filhos. Faço o melhor que posso para que não sejam demasiado afectados pelas ondas negativas que se alastram malgrado os meus esforços – mas eles conhecem as dificuldades e dão todo o apoio que está ao seu alcance, pequeno ou grande.
Neles, na família e nos amigos próximos (a quem alguém chamou um dia ‘a família que escolhemos’) encontro todos os dias a coragem para prosseguir.

Um dia de cada vez.

The Fabric of Our Lives - II

Foi essa imaginação irrequieta que me ajudou a inventar brincadeiras sem muitos brinquedos. Na escola, rolos vazios de fita-cola eram phasers do Espaço 1999. As mesas da sala de aula, deitadas, eram naus dos Descobrimentos.

Pensando bem, nunca tive brincadeiras tipicamente ‘de menina’… A minha irmã, onze anos mais nova, tinha Barriguitas e Barbies. Eu tinha os Exin Castillos com que construía fortalezas medievais e os conjuntos Meccano com que fazia guindastes e carros para as bonecas dela. De embalagens de iogurte vazias fazia casinhas para a Heidi e os Estrunfes de PVC, e os dias de mudar os lençóis das nossas camas significavam tendas árabes armadas junto ao canto do roupeiro – os cobertores eram puffs e as fronhas davam excelentes turbantes.

O meu pai tinha como passatempo a pesca desportiva. Percorri os ‘pontos piscatórios’ da costa Sintra-Cascais de cana na mão, trepando rochedos, aprendendo a empatar anzóis e perdendo o asco a minhocas que se retorciam no meio das algas que as mantinham húmidas. Nas férias, acampava na costa alentejana, e numa noite de temporal conhecemos um jovem canadiano que se abrigou da chuva no “alpendre” da nossa tenda de dois quartos. Aprendi a grelhar peixe e descascar batatas ao ar livre – mas por incrível que pareça nunca aprendi a nadar decentemente...

Durante o tempo de aulas subia às árvores, fazia corridas de bicicleta, jogava volley no pátio das traseiras, jogos de cartas ou Monopólio no vão das escadas de casa dos amigos. Nada disto requeria que gastássemos dinheiro para nos divertirmos, e são essas as memórias que perduram.

The Fabric of Our Lives - I

Diz-se que a experiência forma o carácter de cada um. O que vivemos desde a infância, bom ou mau, e a forma como reagimos a isso, faz de nós as pessoas que somos a cada momento.

Numa altura em que atravesso um período bastante complicado da minha vida, vêm-me à memória recordações de uma infância e adolescência nem sempre fáceis, mas que ultrapassei o melhor que pude. Alguém que me é muito próximo diz-me com frequência: “This too shall pass… better days will come.” Eu sorrio, porque ela sabe o que é estar onde eu estou, olhando em volta sem antever grandes perspectivas de melhoras. E se alguém que passou por momentos bem mais difíceis do que eu consegue ter uma visão tão positiva… diabos me levem se eu não serei capaz de fazer o mesmo.

Tenho quarenta e três anos, um emprego pouco seguro, uma carreira de sucesso mediano, uma vida construída com esforço. Bens materiais? Alguns, não muitos - dos quais terei provavelmente que me desfazer. Mas ao pensar nas tais recordações de infância isso não me assusta.
Cresci numa família onde o dinheiro não abundava. O que havia era para as nossas necessidades básicas, mas com o que sobrava permitiamo-nos pequeninos luxos: livros e discos. Enquanto outras pessoas iam passar férias fora, eu passava férias em locais exóticos na minha imaginação ou em períodos históricos interessantes, ouvindo a orquestra de James Last, o trompete de Nini Rosso, o piano de Richard Clayderman, Demis Roussos, Nana Mouskouri, a Royal Philarmonica ou árias diversas. Li Robin Hood aos oito anos, Quo Vadis aos dez, Guerra e Paz aos onze… e ao longo da adolescência juntaram-se-lhes Ivanhoe, Ulenspiegel, Cinq Mars, Os Miseráveis, O Vermelho e o Negro, Madame Bovary, Mickey, Tio Patinhas, Astérix, Michel Vaillant. A estes somaram-se ainda todos os livros que requisitava nas carrinhas-biblioteca itinerantes da Fundação Gulbenkian… Tolkien, Michener, as irmãs Brontë, Remarque, Sven Hassel foram autores que de outra forma talvez não tivesse conhecido.

Com o meu pai, discreto empregado bancário, nasceu em mim a fascinação pela Ficção Científica, um amor que perdura até hoje: foi ele quem me levou ao cinema para ver O Abismo Negro e 2001, Odisseia no Espaço. Foi também ele quem me ‘apresentou’ Carl Sagan ao oferecer-me o livro “Contacto”. Por todas as formas com que alimentou a minha imaginação irrequieta, tenho mais a agradecer-lhe do que alguma vez poderá imaginar.

Undefined

Em tempos antecipei o prazer de estar só, de fazer do meu tempo tudo o que me aprouvesse... até que chegaste. Numa perfeita tempestade, com a brevidade do clarão de um relâmpago e o incontido fragor de um trovão, inverteste-me a polaridade do sentimento. E como uma tempestade partiste.



És agora um fantasma nos meus dias, intangível presença cujos sinais se evaporaram com um simples clique.

Pelas quatro dimensões que um dia iluminaste alastra-se agora um impalpável mar cinzento cujas ondas imóveis parecem talhadas em pedra.
Quando tento mover-me, tropeço na imponderabilidade da tua ausência e agarro-me ao único vestígio sólido que me ficou, para evitar cair no vazio que deixaste; o mesmo de onde as memórias recusam aproximar-se com receio de desaparecerem também.

Desvaneceram-se para ti todos os meus ecos, sugados pelo buraco negro que criaste ao franzir o espaço-tempo onde por breves momentos existi na tua vida.
Tornei-me invisível ao teu espectrómetro.



Nunca se regressa de um buraco negro, pois não?

Home

"There is an Indian proverb that says that everyone is a house with four rooms: a physical, an emotional, a mental and a spiritual.
Most of us tend to live in one room most of the time, but unless we go into every room every day, even if only to keep it aired, we are not a complete person."

I knew I had found home when all rooms at once were filled with wind and light, with one single touch - as if a storm had crashed in, opening all doors and the lightning and thunder had turned dark night into day, binding all four dimensions together in wholeness.



Here is a song from the wrong side of town
Where I'm bound to the ground
By the loneliest sound
That pounds from within and is pinning me down

Here is a page from the emptiest stage
A cage or the heaviest cross ever made
A gauge of the deadliest trap ever laid

And I thank you for bringing me here
For showing me home
For singing these tears
Finally I've found that I belong here

The heat and the sickliest sweet smelling sheets
That cling to the backs of my knees and my feet
But I'm drowning in time to a desperate beat

And I thank you for bringing me here
For showing me home
For singing these tears
Finally I've found that I belong

Feels like home
I should have known
From my first breath

God send the only true friend
I call mine
Pretend that I'll make amends
The next time
Befriend the glorious end of the line

And I thank you for bringing me here
For showing me home
For singing these tears
Finally I've found that I belong here


(This is who.you.are)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Not to me

I've admitted it before, it's not easy for me to apologize when I think I am right. But nevertheless, being right does not mean acting right or having done the right thing.
My short temper has too often made me commit mistakes. And when I realize it, I never hesitate to say 'I'm sorry, I did wrong.' And when I say it, I mean it.
I do not present empty apologies.

I'm sorry never were the hardest words for me to say.
But seeing them go unaccepted... well, that hurts.



(The fond memories are mine to keep, shaped in the form of a small token I carry all the time - with me; with love.)

Under skin

Uma canção que é como certas coisas... e certas pessoas.
A princípio sorrimos, dizemos "ah, e tal, é giro" sem nos aproximarmos demais... e quando damos por isso já se nos entranhou no sistema.
Bolas!



Ni una sola palabra más
No más besos al alba
Ni una sola caricia habrá
Esto se acaba aqui
no hay manera ni forma
de decir que sí

Night cry

This is who I am.

Those who know me know I'm impulsive, I'm abrasive, I say things out of my heart that sometimes I regret afterwards... even if I was sincere when I said it.
I sometimes hurt other people's feelings, as much as they've hurt mine and will continue to do so. I can forgive, even if they can't.
I never was too afraid or too proud to say "I'm sorry" and "Forgive me".
Also, I never was afraid to say "I miss you" or "I love you".
Those who know me also know that when I say any of those things, I mean it.

That's part of the problem, I guess. Some people are so used of being surrounded by posers wearing masks that when they see someone like me, without any mask, wearing nothing but my heart up my sleeve, they don't really know how to react to heartfelt speech. So, they just back off and leave no room for an appology, even if it's due.


I am proud of who I am, of how I feel about things and how openly I speak of what I feel, even when other people don't agree or feel uncomfortable with it. Stubborn people who don't understand this will only get likewise stubborness from me, even if I feel like I have a black hole inside my chest, instead of a heart.

That's why I try taking care of my problems on my own. Pride is my nemesis.
I hate showing weakness, even more so to people who have turned their back on me, even shunned me, for being 'me': for saying what's in my heart.
I never ask for help unless I actually need it - if something happened that is way too big for me to handle alone. And I would never disguise an appology with a help request, because that's not who I am.

So, if you're out there and you got a help request from me, know this: if I turned to you for help is because I really needed it and trusted you enough to ask, even if I had to swallow all of my pride before doing so.

This is the time when the size of a soul reveals itself: whether you choose to reach out with an open hand to help me in a critical time, or keep your back turned and pretend you did not hear my cry... this says more about yourself than it says about me.

I am an open book to those who can read me.
I am sincere, even in my regrets.
I regret being so stupid to think people would understand the difference between a fake request and a deep cry for help.
I regret being so stupid to believe in the best of people's heart.
But I will never regret having said "I love you" - and this time won't be any different. Because I love the way I feel and I love the way I love: openly, pureheartedly, always willing to forgive and take it from there.

Too bad some people are so used to fakes that they cannot recognize the real deal when they find it right in front of them - standing proud or crying for help, both genuine, both deeply felt.

Love me or hate me. Take it or leave it.
This is my way of loving. And loving you, for all that matters... even if you can't understand any of this.

This is who.I.am.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Hi.Fi moment

Rob: I'm tired of the fantasy, because it doesn't really exist. And there are never really any surprises, and it never really...
Laura: Delivers?
Rob: Delivers. And I'm tired of it. And I'm tired of everything else for that matter. But I don't ever seem to get tired of you, so...



(ok, so I am hopelessly romantic and still believe there is room for love in this world, and that real guys can do something so sweet and charming and unexpected as a marriage proposal like this! You don't agree? Sue me!)

Wanderer

Quando liberto a mente e deixo os pensamentos divagar, invariavelmente seguem os passos do coração.
E quando dou por eles estão sentados em silêncio junto ao portão da vereda que leva até ti - como crianças perdidas à procura do caminho de casa.

E é como se fossem crianças que lhes dou a mão para os trazer de volta ao mundo real, palpável, da dor e da luta diárias; mas não sem que os meus olhos se fixem com tristeza nesse portão fechado que não mais se voltará a abrir... esse mesmo caminho por onde o meu coração fugiu.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Aftermath

It's always cold in this lonely house
a house I cannot call 'home'.
Cold, always cold in every room
every dark and lonely room
Warmth would arrive with spring
in your arms, like fire
but now, spring shall not come
for I have thrown away the maps
locked the gates, secured the walls
and burned down all bridges

for I, my love, am no easy breeze
I am the lightning before your thunder
I am the castle you needed to conquer
the fortress you needed to vanquish
to get hold of the best you could ever want

But when I closed the gates before dawn
and stood behind them, waiting
for you to come and bring them down,
the lord of morning turned his back on me
walking down the path to the unknown,
leaving me in excruciating darkness...
and I, who had dreamt of being swept away
by the incomparable strength
of the thunder, the perfect storm...
I am still standing on frozen ground

And now, my love, now it's too late
to start over & again
Now all the storms will go unnoticed
and fade into silence



Simple Together

You've been my golden best friend
Now with post-demise at hand
Can't go to you for consolation
Cause we're off limits during this transition
This grief overwhelms me
It burns in my stomach
And I can't stop bumping into things

I thought we'd be simple together
I thought we'd be happy together
Thought we'd be limitless together
I thought we'd be precious together
But I was sadly mistaken

You've been my soulmate and then some
I remembered you the moment I met you
With you I knew god's face was handsome
With you I suffered an expansion
This loss is numbing me
It pierces my chest
And I can't stop dropping everything

I thought we'd be sexy together
Thought we'd be evolving together
I thought we'd have children together
I thought we'd be family together
But I was sadly mistaken

If I had a bill for all the philosophies I shared
If I had a penny for all the possibilities I presented
If I had a dime for every hand thrown up in the air
My wealth would render this no less severe

I thought we'd be genius together
I thought we'd be healing together
I thought we'd be growing together
Thought we'd be adventurous together
But I was sadly mistaken

Thought we'd be exploring together
Thought we'd be inspired together
I thought we'd be flying together
Thought we'd be on fire together
But I was sadly mistaken

Zest

To most people, life is not always easy.

There are - and will be - times when you don’t get what you want or feel you deserve. The recognition. The pay. The outcome of your efforts. The love of the one person in your dreams.

Sure, everybody knows someone who seems to slide through life as if nothing could ever go wrong for them – winning the prize on the church raffle, getting the last ticket to that much coveted concert, having their book published at first attempt. But maybe that’s just because they value what goes right, they’re thankful for it, and make the best of what went wrong.

It’s the attitude that marks the difference, as strongly as if it carried one big dark X on its back. When something goes wrong, one can simply put their hands down and sob on how life is unfair, wallowing in their disappointment. Or one can analyze why things went wrong and take it as a lesson for next time. Polarized attitudes.
Some things can’t be thoroughly analyzed - like the lottery results or someone’s decision that you don’t understand; things that fall into the category of ‘unprocessable’. But those won’t be the majority, and the way one reacts to them also makes a difference. All lessons, hard or easy, have their value. If one can extract the zest of it, all will be precious.

Life gives and will continue to give you lemons. You can hold the lemon in your hand and cry to the wind on how sour it is… or you can take it to the kitchen, use the zest to bake a cake, then squeeze the juice and make some salad dressing.

Life is all about what you make of your lemons. Life is what you make it.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Post-It's do Exílio

Escrevo porque me dá na telha. "E mai' nada".
Escrevo porque me apetece escrever, porque tenho que atirar cá para fora, sob a forma de palavras, algo que me alegra ou me assola.
Post-it's pequenos que são fotogramas de momentos nos meus dias.
Post-it's grandes que são pequenas peças deste confuso puzzle que sou eu.

Gostava de saber escrever melhor. Ser sucinta, conseguir condensar num texto pequeno uma imensidade de sensações, transmiti-las a quem me lê, cristalizar em poucas linhas um conjunto de imagens que se sobrepõem até fazer um quadro.
A sério. Gostava de escrever como a Sofia Vieira, que em meia dúzia de linhas não deixa nada por dizer - ao contrário de mim, que tento focar um assunto de vários ângulos com receio de deixar escapar alguma coisa e acabo por me tornar prolixa, insistente - chata.

Gostava de escrever a um tempo sucintamente e com tanto desprendimento sobre qualquer assunto, mesmo que muito pessoal. De exorcizar algumas coisas que se tornam fantasmas nas minhas meninges e me enevoam as sinapses. Mas não sou capaz de me expor assim tanto. Nada do que aqui escrevo é falso, mas não escrevo sobre tudo o que me diz respeito. Não tenho que me revelar por completo - excepto a quem realmente quero.

Escrevo sem recados escondidos mas por vezes com mensagens expressas e dizendo as mesmas coisas que diria se estivesse à frente dos destinatários dessas mensagens. A diferença é que frente a frente há toda uma paleta de gestos, olhares, franzires de sobrolho, risos e sorrisos em infinitas nuances. Num texto corrido não há nada disso, e acabo por escrever e escrever e escrever até sentir que verti tudo o que tinha dentro do peito.

Ainda assim, há coisas sobre as quais opto por não escrever. Coisas que não podem ser escritas num post-it e coladas numa parede virtual. Coisas que, a serem ditas, têm mesmo que o ser cara a cara. Ou caladas bem fundo. Não é que seja 'púdica' ou que ache que alguns assuntos sejam tabu. Frente a frente falo de olhos nos olhos e quem me conhece sabe que sou assim.

Esses poucos a quem abro o meu sanctum sanctorum, conhecem-me as alegrias e as tristezas, os risos e as lágrimas, sabem a que altitude voa o meu espírito e por que ruas os lobos me perseguem. Sabem como fazer-me rir ou pensar. Sabem quando preciso de uma gargalhada, uma belinha na testa ou um abraço silencioso. Sabem sem que eu o diga por extenso e chegam-se à frente dizendo "estou aqui". Sabem quando tenho um nó na garganta, quando a solidão ataca sorrateiramente como um ninja, quando os velhos demónios se atiram à minha jugular e me deixam caída de joelhos, tremente. Conhecem as minhas cartas náuticas e basta alguns pontos satnav para saberem quando estou a navegar com vento de popa ou à bolina - ou quando estou apenas encostada ao traquete a olhar para as estrelas, quase à deriva, em busca do caminho que me leve até casa - esse lugar doce, seguro e envolvente como um ninho para onde não posso regressar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Cosmic Lessons

A vida é aprendizagem. Conhecimento, evolução.
Quem não aprende estagna, morre em vida.

Nunca me importei de aprender; aliás, sempre gostei dessa coisa da aprendizagem contínua porque sempre me foi dito (e aceitei) que o saber não ocupa lugar. Existem muitos tipos de saberes, que ignoramos se alguma vez nos serão proveitosos ou até essenciais em alguma circunstância da vida. Mas nunca usei a óptica do ‘bah, sei lá se alguma vez vou precisar de saber isto!’ para virar costas a uma oportunidade de aprender qualquer coisa.

O Cosmos dá-nos lições constantemente. Não de coisas ‘práticas’ e ‘materiais’ - não é o cosmos que me vai ensinar a fazer bacalhau com natas nem a mudar o pneu ou o óleo do carro! Por acaso até são coisas que eu sei fazer mas garanto que não foram aprendidas por epifanias nem de qualquer forma transcendental. As lições do Cosmos dotam-nos de ferramentas psicológicas e emocionais que nos sirvam para progredir no nosso caminho individual, quer através de coisas que observamos e sobre as quais reflectimos, quer através de pessoas que cruzam esse caminho e com quem temos algo a aprender (ou a ensinar).

Há um texto largamente divulgado pela net (umas vezes atribuído a Eleanor Roosevelt, outras a Brian Chalker) que resume essa ideia; creio que a maior parte das pessoas reconhecerá o início desse texto:
People come into your life for a reason, a season or a lifetime.
When you figure out which one it is, you will know what to do for each person.


Não é fácil para nós perceber à partida o porquê de determinada pessoa ter entrado nas nossas vidas – muito menos por quanto tempo. Haverá algo para aprendermos e/ou ensinarmos, e por vezes só muito mais tarde nos aperceberemos do ‘quê’. Há casos em que a lição é mútua, cada uma das pessoas tendo algo a aprender com a outra: pontos de vista sobre um determinado assunto, formas de encarar a vida, tocar piano, o teorema de Pitágoras em BD, bifes com molho de mostarda e pimenta… sei lá! Se soubéssemos ‘o quê’, seria fácil ir ter com ‘os melhores’ para nos ensinarmos o que precisamos e pronto, lição aprendida, sigamos em frente. Mas não sabemos – nunca o sabemos de antemão.

Por vezes, a lição precisa de tempo para ser aceite, absorvida, entendida, grocada. Podemos resistir-lhe – ou enfrentar resistência. Podemos aprender a nossa parte num ápice – ‘nós, os intuitivos’ somos assim, damos saltos de lógica sem tocar nos pontos intermédios como quem passa do A directamente para o D – e a outra pessoa necessitar de muito mais tempo – os ‘racionais’ com a lógica a ter que ser seguida ponto a ponto, com o D sempre após o A, o B e o C, tudo no seu devido tempo.

É como um daqueles desenhos que se fazem unindo pontinhos. Uns, ao fim de três ou quatro traços, dizem logo que qual é a imagem (aquilo é um dragão, não estás a ver as labaredas a sair pela boca?). Os outros insistem em juntar os pontinhos todos, por ordem (lá porque uma parte do desenho é uma chama não quer dizer que seja um dragão, pode ser uma lareira acesa!).

Aqui nasce a impaciência de um lado (opá, demoras muito a lá chegar? Já estou farto de estar à espera!) e a exasperação do outro (não me pressiones! Se queres ir embora vai e pronto, não me chateies!).
Ambas as partes têm algo a aprender: um, a ter paciência, a não confiar cegamente na intuição, a não tirar conclusões precipitadas, a não pressionar; o outro, a não julgar que a lógica é a única forma de apre(e)nder, a confiar (também) um bocadinho na intuição, a não perder tempo que pode ser precioso só porque quis confirmar o que já sabia.
Mas qualquer que seja a lição, para a absorvermos temos que estar receptivos. Não pensar que já vivemos muito e que o cosmos já nada tem para nos mostrar de novo. Que somos demasiado velhos, ou ignorantes, ou cansados da vida para aprender.

Isto traz-me de volta ao texto que citei. Quando alguém cruza o nosso caminho, não sabemos o porquê. Não sabemos se foi por uma razão, por uma estação ou para a vida inteira. Não sabemos se nos limitamos a encontrar numa encruzilhada, se faremos uma parte do caminho juntos ou todo o remanescente a partir daí.
Não devemos descartar a oportunidade, seja por acharmos que já sabemos tudo, seja por receio de que a lição vá doer. Sim, algumas lições são dolorosas. Na verdade, algumas são-no mesmo muito, daquelas de deixar marca e não apenas a lição. Cicatrizes que podemos ocultar… ou ostentar com orgulho.

Às vezes doem não pela lição em si mas pela expectativa gerada. Pensamos que após a lição aprendida, se a pessoa não saiu da nossa vida ainda, será porque veio para ficar. E afeiçoamo-nos. Até que um dia parte porque já aprendeu a sua lição também. E sofremos.
Mas será que isto é razão para não aceitarmos a sua presença? Para lhe virarmos as costas logo ao início, só porque a sua partida pode vir a trazer dor? E se afinal até for daquelas presenças para a vida inteira? Não somos donos da verdade, não podemos dizer antecipadamente que sabemos tudo o que se vai passar! Rejeitar a lição e todos os bons momentos que possam existir pela probabilidade de que isso venha a acabar?

Não, desculpem-me mas essa postura não é para mim. Recuso-me a estagnar, recuso-me a privar-me de uma oportunidade só porque pode doer depois. Não só porque um ‘pode’ não ‘é’ garantidamente, mas também porque não sei o que há para aprender ou para ensinar. Não sei se a pessoa chega por uma lição, por uma estação ou para toda a vida. Em vez de ficar de pé atrás até perceber qual, escolho aprender, escolho abraçar a oportunidade com mais força, vivê-la e vivenciá-la ao máximo, exactamente porque posso nunca mais voltar a tê-la na minha vida. E se acabar, se a dor sobrevier, a lição ficará, tal como os momentos vividos. E eu serei emocionalmente mais rica por isso.


Como dizia Vinicius de Moraes sobre o amor…

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


(Soneto de Fidelidade – Antologia Poética, 1960)

But then again... nunca sabemos se até não é mesmo para a vida toda, não é?
;)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

To be or not to be a girl

Tomboys walk close to the frontier between guys and girls.
Nature says they're girls, parents say they're girls, but they don't like pinkish stuff, dresses, dolls, princesses and the likes. They feel far more comfortable playing soccer, climbing trees, riding bikes or skateboards with the boys.
The girls look at them sideways, the boys consider them one of their own.

Until biological changes start to happen.

Like it or not, tomboys are girls. They have feelings, they fall in love just like the rest of them.
The problem is that, by then, they come to the very frontier itself: other girls dislike them, they have little or no one to confide, no BFF to turn to - and guys don't talk about those things with one another.

Some tomboys are actually pretty and develop into goodlooking young women, which makes it even worse on the "other girls" front (yeah, we can be jealous bitches sometimes). Some guys begin to notice them as girls, which can be quite confusing when you have no one to talk to... but the worst of all is that very frequently tomboys fall for one of their closest friends. Not that there is anything wrong with the fact itself: people spending a lot of time together become close and it can happen, no matter the age. The problem is that, most likely, that guy who happens to be a close friend, has never seen her as a girl. It's not a question of finding her unattractive; it´s just that, as I said, she has always been considered one of the guys and he won't look at her differently.
No matter how hard she tries, the chemistry will not appear out of thin air, the fires will not ignite. It can be her first and biggest crush - and her first and biggest heartbreak.

It can be hard when you're a growing teen, even when the tomboy is a pretty girl who will eventually find a guy out of her friends' circle.

Now imagine a homely tomboy after growing up - with male friends who don't see her as a woman, with her own feminine feelings and needs.






Yeah... we still fall, sometimes badly.
Hurts all the same, believe me.
I got the scars to prove it.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Tudo

Autodenominamo-nos seres racionais, mas a verdade é que tendemos a simplificar em demasia algumas questões. A lógica racionaliza muitas coisas, mas algumas não se podem simplificar ao extremo sob pena de se cair numa falácia.

Que exemplo melhor do que “Tudo vs. Nada”?

Se perguntarmos a uma criança qual é o contrário de “tudo”, a resposta será, quase seguramente, “nada”. E à primeira vista isto parece perfeitamente lógico...
Mas desenganem-se aqueles que pensam que isto é uma verdade absoluta, baseando-se em coisas como o ciclo lunar – o disco iluminado opondo-se ao apagado, o falso vazio que antecede novo recrudescer rumo à plenitude de prata.

Quem tenha estudado os fundamentos da Lógica (normalmente no âmbito da matemática) sabe bem que não é assim.
A negação de “tudo” não é realmente “nada” – mas tão simplesmente “nem tudo”. No extremo oposto, o inverso de “nada” é “alguma coisa”.

No fundo, se nos detivermos a pensar um pouco mais sobre isto, até sabemos que é assim; quando confortamos alguém que nos diz “estou triste, não tenho nada”, a resposta não é “errado, tens tudo” mas sim “não é verdade, tens alguma coisa”. E quando alguém afirma (quantas vezes de forma impante) “eu tenho tudo!”, a reacção dos discordantes não é contrariar dizendo “bah, não tens nada!”... é antes dizendo “olha que na realidade não tens mesmo tudo...”
Contrariar é, afinal, uma reacção humana de “nivelamento”. Com o mesmo tipo de atitude baseada na lógica, elevamos quem se sente em baixo, e puxamos para baixo quem se coloca em cima.

Bom, isto não passa na realidade de um preâmbulo demasiado extenso para falar de emoções, relações humanas, escolhas e porquês.

Ao abordar uma relação a dois, há várias aproximações. Há quem tente conjugar o maior número possível de factores que considere fundamentais, com a plena consciência de que é virtualmente impossível conseguir “o pleno” (não vou discutir as probabilidades do Euromilhões porque ando destreinada de cálculo de Combinações, Arranjos e Factoriais); há quem pense que um só é o suficiente; e há quem ache que todos têm o seu grau de importância mas dando primazia a um factor acima de todos os outros, a ponto de os suplantar.

Uns contentam-se, em teoria, com “amor e uma cabana” – até começarem a acumular-se as contas para pagar. Outros concentram-se na estabilidade financeira e relacional até se aperceberem de que falta ali uma pitadinha de um tempero qualquer para dar sabor.
As prioridades variam de pessoa para pessoa, de casal para casal.

Àqueles que dizem que o romance é tudo e a compatibilidade física é sobrevalorizada, respondo que além das prioridades há necessidades humanas a serem supridas, e que se isso não suceder há o sério risco de:
a) um dos membros anular essas necessidades em favor do outro (a bem da suposta “estabilidade”);
b) a relação ir-se desgastando até chegar ao fim;
c) o membro cujas necessidades não estão a ser supridas procurar fora da relação a forma de o fazer.

Quanto aos que dizem que o sexo é fundamental, riposto dizendo que é importante, sim, como parte do todo mas não a peça sem a qual nada vale a pena – para isso chegam bem as ditas amizades coloridas ou os inúmeros elementos de ambos os géneros que se dedicam profissionalmente a suprir essa necessidade a quem os procura.


Bottomline? Simples.
Se me perguntarem se o amor, a ternura, o companheirismo, a compatibilidade intelectual, o sexo, não são “nada”, respondo de forma franca e directa “claro que são alguma coisa, são importantes no seu conjunto – mas individualmente nenhum deles é tudo...”

.....

Eis finalmente a prova de que, ao invés dos que são "darks", sou assumidamente geek: misturei no mesmo texto a Lua, lógica, Euromilhões, factoriais e sexo. Acho que sou um caso perdido ;)

Nada

A expressão "sentir um vazio" remete-me invariavelmente para a BD – Obélix dizia isto nas suas incontáveis ocasiões de fome, apontando para o vasto estômago.

"Sentir um vazio". Vazio é quando algo simplesmente não está. Se não está, não se sente. Pode-se é dizer que se sente que falta qualquer coisa – e às vezes não se sabe bem o quê. Outras até se sabe bem demais. Mas o que se sente então?

Sente-se o espaço em branco, o volumoso nada que preencheu o lugar onde antes estava algo que entretanto desapareceu. Já sei, agora perguntam-me: o nada vê-se? Sente-se?

De facto não se vê. Não se sente. Mas quando sabemos exactamente o que perdemos, sabemos o tamanho, o volume, o sabor e a forma do nada que entretanto surgiu naquele sítio específico da nossa vida. Não o podemos sentir – pois não. Mas sabemo-lo com todos os sentidos, os que sentiam "antes" e que agora só encontram o tal vazio. Talvez seja por isso que dizemos que "sentimos um vazio". Porque os sentidos vão à procura do que lhes era familiar e deparam-se com o nada.

Pode ter a forma de uma pessoa, de um animal, de um objecto. Pode ter o peso de um sentimento ou o volume de uma ideia. São as nossas memórias, as recordações guardadas pelos nossos sentidos que definem o vazio – o tal que se sente quando se deixou de sentir.

E é por lá que muitas vezes os nossos olhos se perdem quando tentamos reter essas memórias às vezes agri-doces.


"Estás cá com uma cara ... passa-se alguma coisa?"
"Não"
"Não acredito. O que foi? O que tens?"
"Nada"

(Sorrio para dentro, um sorriso secreto e amargo que sem palavras suspira: "Se ao menos soubesses ...")

"Nada, mesmo"

sábado, 7 de janeiro de 2012

Lucas (Set 2006 - Jan 2012)

Chegaste ainda pequenito e amei-te desde o primeiro dia.
Uma bolinha peluda a preto e branco, com malhas que te faziam parecer uma vaquinha miniatura - e foste algumas vezes confundido com a vaquinha de peluche que morava na varanda do quarto do mais novo, a ponto de eu perguntar quem é que te tinha lá deixado trancado por engano...
Aqueceste-me o colo, os pés e o coração. Um ser totalmente indefeso e dependente do cuidado e carinho de humanos que nem sempre te souberam devolver o amor que nos oferecias como só um animal ou uma criança sabem: incondicional.
Eras o meu bebecas, o terceiro filho que nunca cresceria, que nunca sairia de casa para a faculdade, para morar noutro lado, o que ficaria a fazer-me companhia até ser velhinho.



Longe estava eu de saber que algures no teu corpito uma bombinha-relógio aguardava a hora de me gorar os planos. E hoje ela foi activada...
O teu miado aflito, que nem miado parecia, quase um ganido, alertou-me para algo de errado. Inconsciente do que se passava, pensei "tolinho, meteu-se debaixo da cama e agora não consegue sair!" e quando me dirigi ao quarto dei contigo deitado no chão, como tantas vezes fazias quando pedias mimo... mas agora não te mexias, só miavas daquela forma estranha e angustiante que me apertou o coração até ficar do tamanho do teu.
Peguei-te ao colo e tive então noção de que sofrias; pousei-te sobre a cama o mais delicadamente que consegui, deitei-me junto de ti, afaguei-te, vi a dor nos teus olhos e soube que em breve te perderia...

Perdi a noção de quanto tempo ali estive, chorando ambas as dores, a tua e a minha - teria sido mais avisado ir a correr procurar o número de um veterinário, mas não queria deixar-te sozinho, sabia lá eu há quanto tempo estarias já tu naquele sufoco e eu sem te poder sequer acalmar! Chegou então o D e quando lhe disse que estavas doente, juntou as suas lágrimas às minhas, mas as dele também de irritação pela injustiça cósmica que nos caíra em cima.

Passado o primeiro impacto, teve mais calma do que eu: conseguiu pensar a frio e dirigir-se ao computador para procurar o número de algum sítio onde te pudessem ajudar. (*)
Atenderam o telefone de imediato, recomendaram que te embrulhássemos e te levássemos rapidamente para lá. Embrulhei-te ao colo como um bebé, como tantas vezes fizera durante estes anos juntos, só que desta vez miavas de dor, um miado cada vez mais fraco e triste... o carro quase voou até à clínica, entrámos de sopetão e a veterinária examinou-te logo, fazendo as perguntas da praxe. Nos olhos dela vi o mesmo medo que eu carregava, quando te levou para a sala de observação e nos pediu para sair e aguardar.

Sabes? Tinha deixado de fumar no Ano Novo, uma resolução que tinha tomado a bem da saúde de todos - livrar a casa do fumo e pronto - mas tremia dos pés à cabeça e voltei a puxar de um cigarro para me acalmar. Depois desse houve outros enquanto não parei de tremer...
A médica voltou dizendo que o prognóstico era muito reservado, que os raios-X e os exames não mostravam nada, mas que suspeitava de algo do género de uma trombose e que terias que ficar na câmara de oxigénio porque nem estavas a conseguir respirar bem. Não valia a pena ficar à espera, seria melhor ir-me embora e ligar mais tarde para saber como estavas.

Saí, o coração pesado como chumbo.

À hora combinada telefonei, a médica estava ocupada e ligaria mais tarde. Mas quando ligou foi para dizer que tinhas acabado de partir... e chorei sem vergonha, chorei a tua dor, chorei a nossa perda, chorei a minha estupidez de ficar imóvel ao pé de ti em vez de te ter levado para lá de imediato, porque talvez te pudesse ter salvo...

Esta noite perdi um dos únicos seres que alguma vez me amou de forma totalmente desinteressada, incondicional e pura.



Teria ficado contigo toda a noite se soubesse como te salvar, meu pequenino.
Adeus Lucas, meu bebecas, meu fofo, minha vaquinha peluda.
Até qualquer dia.
Até sempre.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Star

Ad astra, ad astra
I am up, I am there
my body, a galaxy
my heart, a star
my love, a supernova
chain reaction, explosion
I burn, I bring down
whatever surrounds me
I tear, I destroy
those too near me
I shine like a thousand fires
and then collapse
into a dwarf shadow of myself
but even then, until
the last proton of the last atom
finally breaks free into the cosmos

I will hold the memory inside me
that silhouette, that warmth
of the place I call home
that dear and beautiful fire
I have come to cherish dearly
my raging sky, my awe
o thunder... my love

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Portrait

Sou uma pessoa normal.
Há quem me chame "complicada", "doida", "invulgar". Mas já conheci outros como eu e como tal esses epítetos não me chocam.

Como muitas outras pessoas, a minha vida exterior não deixa transparecer o que me vai na alma, a maior parte do tempo.
O turbilhão interior esconde-se e revela-se nas minhas cartas de marear, infinitas auroras em busca de algo que (ainda) não encontrei: o último porto acolhedor onde o meu esquife possa ficar de vez ancorado, o ninho nas escarpas de onde eu possa partir em voo livre - para voltar.

Muitas correntes, muitas vidas ficaram para trás, ninhos abandonados onde só restam os grilhões de que me libertei, sem ódio ainda que por vezes com raiva. Não sei ao certo onde fica esse último porto - sabê-lo-ei instintivamente quando o encontrar, pois terá o sabor de regressar a casa.

Nesse dia terminará o tempo das viagens; chegará a hora da shieldlady pronta a defender o seu forte, Éowyn de cabelo escuro que até agora não encontrou um igual... pois até hoje houve quem a quisesse subjugar e quem a quisesse transformar em rainha-mãe, em qualquer dos casos querendo que abandonasse a luta - mas não quem tivesse a força e a coragem de pegar num montante e lutar ao seu lado, costas com costas e lâminas desembainhadas contra o que fosse preciso.

Serão talvez resquícios de vidas passadas que me assombram, ecos do ano em que nasci, ou talvez tenha apenas nascido na época errada, alma a espaços cheia de uma insatisfação indescritível, umas vezes negro sufocante, outras braseiro incandescente, mas que nunca chegou a desaparecer desde a infância. Não, não sei o que é isto. O que sei é que I still haven't found what I'm looking for.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Irian

No ar, no vento
no fogo e na tempestade

Voo.

E sou vento, e sou trovão
Sou tempestade liberta
Sou fogo indomado

De alma em chamas
vivo.

Sou.

On Life and other things

“Life is like a box of chocolates”… can’t agree on that. Sure, among a few rows we’ll find a number of them we aren’t very fond of. But someone will like it, so we offer those gladly.

No, I prefer “Life is what happens while you were making other plans”. Because it is. You think you got it all figured out and then Bam! something happens that knocks your socks off.

You find something you did not expect. You get curious. You try to learn more. The more you learn the more you find it intriguing. You notice details, coincidences. Well, some of those are simple coincidences, but others leave you wondering. And thinking of it a lot more than you first anticipated.

Before you know it it’s under your skin. You feel it, you know it’s there and still you can’t say exactly where or why or how it got in. It makes you feel uncomfortable, not only because it’s there, but also because you have a number of questions you aren’t able to answer. It itches, it burns.
You’re divided, because part of you wants to get rid of it and the other part likes the way you have become so attached to it, even if it doesn’t understand the ifs and whys.
You realize it makes your attention wander off – or your heart beat faster. Side effects you can’t control. It gets more and more space on your mind, ‘til the point you have to get it sorted.

You feel you’ve changed somehow. Maybe you can’t pinpoint exactly what in – or maybe you can. The thing is, you’re no longer the same. You still don’t know why and it bothers you. In fact, it’s the issue itself of not knowing that bothers you the most. Itching and burning.

At some point, you have to make a decision even without all the facts: to drop the ball, cut your losses and get it out of your system… or accept that it’s there, that you like it and simply go for broke and embrace it for the duration.

It’s that choice that defines much of who we are: the way we handle the unknown. Particularly that uncomfortable feeling about the thing that got into your system. Do you ignore it and retreat to safety or go for it and see what happens? What do you value? Stability or adventure? Do you run away or open your arms to it? Do you start accounting what you may lose from the experience or simply take a gamble and whatever the outcome see the experience as a profit?

I know my answer to this.
Do you?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Vollüspa

Está quase a sair.

Ainda só houve uma crítica, mas... 'tou babada so far!
:D
:D
:D

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

260

Amanhã vai ser um dia muito longo.
Horas de viagem, reuniões, mais reuniões.
Acho que nem vale a pena levar a máquina por uma questão de tempo: 1) não sei como vai estar o tempo, se chove ou nem por isso; 2) acho que entre reuniões só vai haver tempo para ir ao WC porque até os cafés se bebem à mesa de trabalho!

Sítio bom para descansar... mesmo bom porque ao serão não há NADA para ser fazer excepto ficar a ver TV ou conduzir mais um bocado para ir a outro lado qualquer. Mas isso é para quem não vai lá para trabalhar.

Aquilo é lindo, mas um bocado a dar para a pasmaceira, sabem?

Dormir, e no dia seguinte mais reuniões antes das horas de viagem de regresso.


Ufa!
Ainda não começou o dia e já estou cansada só de pensar nisso!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Alvorada

Embracing the change... my wings are spreading wider than before.
I think I am almost ready to fly again.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

E ainda...

Porque ela parece decididíssima em expandir-me os horizontes musicais...

(babe, o tal café há-de ficar para a história, garanto... origami airplanes flying all over, geeks and proud of it, whoever feels upset may go sit somewhere else...)

Novos sons

E eis que uma amiga me apresenta uma grande voz...
Gawd, como é que isto ainda não me tinha passado ao alcance dos ouvidos?

Momento fofo

Eu a tentar trabalhar e a minha gata a enroscar-se aos meus pés a pedir mimo...
Já sei que daqui a pouco vou ter o pé dormente, mas não tenho coragem de a enxotar :P

Porque sim

terça-feira, 8 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Desafio "Acrescenta-me um ponto"

Foi-me lançado pela Mag e à boa maneira portuga (não que eu seja mesmo mesmo portuga mas isso agora não vem ao caso) toca a tratar do assunto só no último dia do prazo...

Texto do desafio:

Esta rubrica surge da necessidade de renovação e intensificação do espírito de unidade e imaginação da blogosfera e pretende que cada um dos bloguistas seleccionados seja autor de um parágrafo de um texto realizado em conjunto por vinte bloguistas.
Assim, passamos a enunciar as seguintes regras:

Regras da Rubrica "Acrescenta-me um ponto!":

1 - O texto, constituído por vinte parágrafos, terá início no blogue "O Sabor da Palavra", segundo o seu autor Gonçalo Cardoso.
2 - Cada bloguista terá direito a um parágrafo de texto com o máximo de cinco linhas.
3 - Após a realização do parágrafo respectivo, cada bloguista terá que seleccionar outro que cumpra a continuidade do texto segundo as regras mencionadas.
4 - Cada bloguista terá o limite máximo de três dias para realização do parágrafo, estando sujeito a desclassificação da rubrica e selecção de novo bloguista por parte do seu autor.
5 - Cada bloguista assinará o seu nome e respectivo blogue na lista dos participantes.
6 - O último participante ou autor do vigésimo parágrafo, finalizará o texto e partilhará com o autor do blogue "O Sabor da Palavra" para a sua divulgação no blogue inicial.
7 - Sejam criativos.

...§§§...

E tudo começa assim…


"Ao fundo ouvia-se o barulho dos pescadores na lota de Aveiro. Mais perto a maresia de Agosto percorria o nosso rosto e o teu sorriso revelava o reflexo da luz solar sobre o mar. A areia fina e molhada envolvia os nossos pés e, de frente um para o outro, estendias-me a mão salgada e preparavas-te para a mais doce revelação..."
"Pensava, enquanto o Sol se punha diante dos nossos olhos... Quão bela é a profundidade de um sonho?! Tiveste medo. Não te revelaste. Mais uma vez, o tempo esvaía-se nas pegadas que se apagam. Tal sangue, tal sofrimento. Larguei-te a mão e prometi a mim mesma que nunca mais ficaria à espera. Chamaste por mim...."
"É sempre complicado quando a vida já é muita e as histórias pesam em vez de preencher... Mas o teu olhar preenchia-me como os fados cantados em noites sobrenaturais e eternas, e a tua boca queria falar, queria dizer, queria murmurar... Diz, pedi eu, diz... "

"Olhas-me nos olhos e acaricias-me as covinhas. Invade-me uma sensação de calor. Pousas os teus lábios nos meus sem dizer nada. A doçura faz-me esquecer, por um instante, as resoluções. O meu coração dispara, desata aos pulos em silêncio. Levas a mão ao bolso e retiras uma pequena caixa.
- Não posso aceitar um presente teu - digo-te baixinho. - Lamento muito. Não tornes as coisas ainda mais complicadas. "

"Ele segura-lhe na mão e eleva-a para junto da sua de modo a tocar na caixinha que ele trouxe para lhe oferecer. Nisto ela fica apreensiva, olhando para a sua mão e retomando o olhar para ele uma vez mais, mas desta com uma expressão de dúvida e angústia. Ele já conhecia bem esta expressão e retomava-lhe um olhar de confiança e de uma ternura irresistível, à qual ela não poderia recusar... "

"No entanto olhando bem fundo dos seus olhos ela recusou ao mesmo tempo que delicadamente pousava um beijo na sua face. Saiu dali a correr, as lágrimas correndo livremente pelo seu rosto. E ele ali ficou sentado, segurando a caixinha nas mãos. Olhou o mar mais apelativo do que nunca e pensou "E porque não?" ao mesmo tempo que se levantava em direcção às ondas que o convidavam a entrar."

"A fuga é sempre mais fácil. O sonho por realizar. O "se" que nos marca e tanto nos impede, como nos impele a agir. E se desta vez abrisse a caixa de Pandora? E se lá dentro estiver a felicidade? A luz momentânea do Sol ou o correr entre a areia e a vagas do mar?
Abdico das lágrimas. Respiro fundo... "

"Abraço o mar com a força de quem ama profundamente e finto-lhe as ondas na tentativa de encontrar uma resposta ao que me queima por dentro. A tal pergunta que dói e que sei ser mais dirigida a mim mesmo do que a ela. E Agora? pensei. Saí da água com o sal a queimar-me o corpo e abanei a cabeça como para afugentar pensamentos desagradáveis. Atrás escuto uma voz doce e rouca... "

"Ainda tentando recuperar das tormentas, que por longos minutos me povoaram a mente debaixo da água cristalina, viro-me lentamente para responder ao chamado da voz doce e rouca nas minhas costas. O sol ofusca-me, mas lá estavas tu de rosto iluminado. Afinal, as tuas lágrimas perderam-se no caminho das dúvidas e abriram um sorriso sem hesitação, na tentativa de resgate de uma última oportunidade:
- Diz!… - e mais uma vez proferiste a palavra num murmúrio, quase suplicante."

“Sorri! Aproximei-me junto do teu medo e poisei a caixa na palma da tua mão. O bater do teu peito, roubava-me o respirar que esperava por algo mais que o ar. Preso nas palavras e num tom trémulo de esperança, disse: - Ainda não vi! Queria ver contigo.
Indecisa entre a vontade de um sim, assombrado pela recente perda, e a vontade de um não, apavorado pela impotência de ser possível, revelaste um “abre” embebido em lágrimas.
O vento, que soprava entre as ondas dos teus cabelos, sussurrava-me os infindáveis cenários.
- Positivo! – Exclamei ao ver o resultado.”

"Senti o que deve sentir alguém quando vê uma coisa assim: o céu caiu-me em cima da cabeça e o coração palpitou junto à boca. Os meus olhos olharam para os teus, à procura de uma reacção - uma que fosse- que me desse uma pista sobre o que sentes também. Vi um mundo novo no teu olhar, uma esperança, um alento. E depois olhei em redor e a praia inteira devolveu a minha inquietação. Lá longe ouviam-se os barulhos na lota e os motores dos barcos a passar. O farol observava-nos, altivo e sobranceiro, como sempre..."

“Fechei os olhos. Senti de novo os medos a enrolarem-me a alma, a fragilidade de algo tão desejado colou-se na pele, as pernas fraquejaram.
E agora? Pensei. E agora? Sinto-me tão pequena e tão cheia deste receio, desta incerteza que me consome, deste medo de um futuro tão desejado quanto temido por tudo o que já havíamos passado.
Abri os olhos e fixei-te. O teu olhar abraçou-me e a tua mão procurou a minha suavemente.
Olha para o mar - diz-me em tom suave e rouco -, lembra-te que o barquinho da Esperança consegue navegar mesmo em águas tumultuosas… desta vez vamos conseguir.”

“Entre o aconchego do abraço e o conforto do corpo junto ao dela, lágrimas rolavam-lhe pela face. A revelação na caixa. A felicidade tantas vezes adiada, estava agora nas suas mãos. Sentiu um nó na garganta. “Não posso voltar atrás”, pensou, “lutei e sofri muito para o conseguir. Há muita gente envolvida. Muita confiança depositada em mim”. Sentiu-se sufocar pela angústia, o coração apertado. Sentiu náuseas. Olhou-o nos olhos e diz-lhe com a voz embargada “Aceitei o lugar na AMI, parto na próxima semana para o Sri Lanka…”

" Parto... e parto sozinha. Afinal a Tua companhia era imaginação minha. Nunca entendeste a verdadeira razão e muito menos a cor do mar onde mergulhavas confiante... o (a)mar não é teu. Nunca foi. Precisamente por isso, não soubeste que o (a)mar te retribuía a vida que querias ter. Tudo te pareceu sempre certo, afinal o mar só tem marés cheias e vazas, não te lembrou que entre umas marés e outras Ele sempre existiu... Lamento vou (a)mar quem precisa. Vou ser amada. Tenho o coração cheio de espuma... espuma essa que nunca viste... e era Tua..."

"Parto... mas nunca sozinha... Parto sempre com a imaginação daquele momento junto ao farol.... Parto sempre com a imaginação da tua recusa em quereres aceitar aquela verdade diferente daquilo que sempre imaginaste para ti... dizem que nunca se pode perder o que nunca foi nosso... sim... dizem mas... eu sei o que foi meu e sei... e sinto que foste meu sim.... os olhos nunca mentem mesmo quando os lábios falam algo oposto...
Parto sozinha sim mas... acompanhada com a sensação de já foste meu uma vez... e quem o foi uma vez... poderá sempre ser mais vezes.... também dizem ... "

"Os dias sucedem-se, rápidos e terríveis, não a deixam pensar no que poderia ser e não é, no que poderia ter sido e não foi. Nos "Se"s da vida.
Prepara a mala, a viagem, as despedidas. Sempre na ausência dele.
Não interessa, pensa. O nosso caminho deixou de ser o mesmo e eu preciso de avançar.
Já no aeroporto, embrenha-se num livro para não pensar em mais nada a não ser na AMI, no desafio.
Uma voz grave, masculina, conhecida de um Passado longínquo, soa-lhe aos ouvidos:
- És tu!!! És mesmo tu!!!"

"Jorge, ressoa o teu nome dentro de mim. E as memórias em catadupa, lançando-se no coração como se o tempo não te tivesse alguma vez tocado. O teu sorriso franco e aberto, a alegria genuína de me ver que sempre foi porta aberta em ti. Os mesmos olhos verdes que me perturbavam os sonhos e me procuravam, ávidos, a boca que de forma vã te tentava esconder. Os braços abertos esperando o meu corpo, para o abraço redentor.
E, dentro de mim, uma súbita e inexplicável vontade de mergulhar neles."


"Conteve-se. Levantou-se devagar e olhou-o de frente, sem conseguir refrear um sorriso: "Há tanto tempo.... "Demasiado", respondeu ele. Timidamente, como se os pés a traíssem, deu dois passos e viu-se envolvida num abraço quente tão acolhedor como o seu velho cobertor de menina. Uma lágrima solitária brilhou sob as pálpebras, mas logo um manancial delas jorrou incontidamente quando a voz profunda se fez ouvir entre os seus cabelos: "Tive tantas saudades tuas!""




Lista de Participantes:

1 - Gonçalo Cardoso (O Sabor da Palavra)
2 - Eli (E o amor acontece?) Dantes "Isso Agora... :)" ou "Eu Sou Nómada"!...
3 - Ana (Construir... Sorrindo)
4 - Myosotis (Myosotis)
5 - Fatinha (Para lá das lentes)
6 - Poetic Girl (Just Me)
7 - izzie (Unleash your thoughts...) [Peço desculpa pela demora. Rosnem à chefe...]
8 - Susana (Ondas e Devaneios)
9 –Sus (Suspiros da Alma)
10 – Jorge (Santo&Pecador)
11 – Star (Pocket full of stars)
12 – Blueangel (Blueangel)
13 – chrysaliis (Chrysaliis)
14 – Apenas Eu (Algodão Doce)
15 – Pequenas Decisões (Eu Mesma)
16 – Fada (Uma Fada na Selva)
17 – Mag (Laranja no Preto)
18 – XR (Post-It's Soltos / Arco-Íris)
19 –
20 –

Neste momento, já que ela voltou a escrever (e eu continuo a gostar imenso do que ela escreve!) encaminho o desafio para a Princesa (Des)encantada, do Destilado. Vamos fazer com que um grego fique de olhos em bico? ;)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Time to

change.
Quando o ritmo pára e a vida estagna, ansiamos por mudança.
O mal é que se/quando ela surge muito depressa nem sempre estamos preparados para aquilo que tanto queríamos. E aí vemo-nos perante a decisão de ter que abrir mão de algo, qualquer que seja a escolha.

Sucks, huh?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desilusão (ou que treta de país este)

Volta e meia surge anunciado mais um Projecto de apoio ao investimento, ou um Projecto de apoio à recuperação económica das empresas.
Qrens, Patarens ou Fonixrens, interessa é criar almofadinhas para amparar a queda de algumas pobres empresas que não analisaram bem a área de negócio onde se iam meter, ou empresas que se andam a governar com os dinheiros dos projectos de apoios anteriores em vez de o aplicar para aquilo que declararam.

Agora pergunto eu:
Onde é que está o Projecto de Apoio à Recuperação Económica das Pessoas Que Perderam o Emprego Porque a Empresa Onde Trabalhavam Fechou (podendo até ter fechado depois de embolsar apoios do estado para modernizar equipamentos e afins)?
Onde é que está o Projecto de Apoio à Recuperação Financeira das Pessoas que Não Têm Com Que Pagar a Renda Porque a Empresa Onde Trabalham Tem Salários em Atraso (e que mesmo pagando os salários, se vão governando com o IRS e a TSU que descontam aos trabalhadores mas não entregam ao Estado)?

Alguém sabe onde estão esses Projectos??? Existem???
Eu cá gostava de saber.
A sério.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Cobertas? Coberturas?

Que é como quem tenta traduzir de ouvido a palavra "covers".
Por muito bom que seja um original, há versões que lhes emprestam uma outra dimensão, alcance, emoção, whatever.
Chamem-lhe o que quiserem. Para mim, esta é imperdível.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Grrr

Irritam-me as pessoas que tomam (as) outras por certas. És um dado adquirido, não tenho que me preocupar contigo / dar-te atenção / tratar-te bem / etc.
Mais ainda quando além disso não lhes dão o devido valor.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Polaridades

Antes que a Ursa blogueira desanque a coitada da Daniela, deixa cá mostrar o postalinho que ela mandou pelo postcrossing natalício:


Pólo Norte, a moça cumpriu, tá? Eu é que não dava com o cabo do teleléu para passar as fotos, bolas... mea culpa, mea culpa!

Novidades 2011? Há, nem todas boas.
Quando tiver um bocadinho eu conto ;)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Natalice

Depois de uns dias de qualquer coisa que me deitou abaixo com tanta força que me impediu de celebrar a consoada com a família, voltei hoje ao trabalho. Encolhida e enregelada.
O trabalho é muito meu amigo. Esperou pacientemente por mim...

Mas o que me colocou um sorriso no rosto esta manhã foi um postal.
Não um postal qualquer - nada disso. Um postal quadripolar.

Ao que parece, estes dias têm sido pródigos em sorrisos para uma quantidade de gente da "comunidade blogótica".

Ursa rulez. :)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Terapia

Esta manhã estava com uma disposição pouco recomendável. Sim, daquelas que dá para topar só de olhar. Pés quase a arrastar-se, ombros descaídos, lábios esquecidos de como se sorri.

À hora do almoço, algo que tinha de ir fazer: comprar mitenes lá para casa. Aparentemente, são o ideal para manter a mão quente sem perder a sensibilidade nos dedos, mas as que há por lá estão cheias de pêlo de gato.
Pronto, ok, eu vou comprar mitenes. Mas passo primeiro pela tabacaria a ver se já chegou a minha encomenda. Ainda não, mas deparo com algo que não conhecia e que acho que vai dar uma excelente prenda para alguém que está quase a fazer anos: um postal, quadrado, com o ano X (supostamente do nascimento da pessoa) num tipo de letra do mesmo estilo do que se usava nessa altura - à frente alguns acontecimentos importantes, atrás uma selecção de músicas que foram sucesso, tudo relacionado com o ano. Os dos anos 80 têm um estilo "disco", os dos 50 são adoravelmente "retro". Interessante, a sério. E subitamente os lábios recordam-se e sorriem.

Ainda a arrastar o passo chego à loja. Mitenes, luvas, check. Já chegaram os pijamas polares? Já, sim. Oh, boa, um casaco como o que S. queria. Se calhar tiro uma foto e mostro-lha a ver se ela o quer. Contorno o expositor e dou de caras com algo de que não vou falar para o caso dela até calhar vir aqui ler - a prenda que "é a cara" da minha irmã. Mando embrulhar, ganho votos de feliz natal, descontos e uma lembrancinha pela quadra.
Quando dou por mim estou a sair da loja com dois sacos cheios, costas direitas e sorriso aberto.

Ir às compras é mesmo terapêutico!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ai!

Tenho o braço dorido.

Raisparta os jogos da PSMove que nos fazem parecer tontinhos a dar pulos e mover uma coisa parecida com um microfone às voltas pelo ar, ora é uma espada, uma marreta ou uma raquete de ping-pong, até ficarmos a suar num dia de Inverno.

Bolas, está dorido - mesmo.
E hoje vai haver mais. É que apesar das figuras de tontinhos aquilo é divertido à brava...