terça-feira, 23 de outubro de 2012

A vida, a esperança, o futuro

Será que quando nascemos já trazemos o itinerário traçado? Os sítios onde haveremos de ir, cabendo-nos a nós escolher a rota e a forma de lá chegar?
Uns vão de concorde, foguete, maglev, whatever, chegam, assunto resolvido, karma saldado e pronto; outros levam tempo, perdem-se, enganam-se, tentam não ir àquele sítio ou ignorar que mais tarde ou mais cedo vão ter que passar por lá, mesmo que numa outra vivência.

Será que quando nascemos já trazemos marcadas as doses do que iremos ter? Quanto de amor, quanto de carinho, quanto de frustração, dor ou alegria? E será que se soubéssemos de antemão quanto do quê nos está reservado viveríamos de outra forma? Desistiríamos antes do tempo, talvez, se achássemos que as doses do que é negativo ou menos bom seriam demasiado para suportarmos?

Será que perderíamos a esperança se soubéssemos que já tínhamos vivido todo o amor, carinho e alegria a que tínhamos direito nesta vida? Ou será que faríamos finca-pé de resistir e tentar reverter as possibilidades, trocar as cartas que nos foram dadas como quem tenta nova mão no poker?

Não sabemos. Nada. O futuro é uma incógnita, por mais que queiramos conhecê-lo, por mais que nos anunciem que no-lo vão revelar a troco de algumas notas. E talvez não o saibamos para nossa própria protecção, para que continuemos a tentar, para que não percamos a esperança de que um dia vamos (voltar a) ser felizes, por fim.

sábado, 16 de junho de 2012

Funambular

Viver o dia-a-dia como se andasse sobre uma corda bamba cansa.
Fisicamente, porque se tem que manter uma força e um equilíbrio tremendos para não cair.
Mentalmente porque vive em nós o receio de que não haja rede de segurança lá em baixo. E pior ainda quando sabemos que não há mesmo.

domingo, 27 de maio de 2012

&

I have wasted years of my life
Agonizing up at the fires
It started when I thought that to be strong you must be flame retardant



And I may be romantic
And I may risk my life for it
But I ain't gonna die for you
You know I ain't no Juliet
And I'm not gonna watch you wanna burn yourself out baby
No I'm not gonna stop you
Cause I'm not the one that's crazy, yeah
I'm not the one that's crazy, yeah
I'm not the one that's crazy…

quarta-feira, 23 de maio de 2012

525,600 moments

To a very, very dear & close friend, this.song.is.me :)

This is also what friends are about - to see, in us, something beautiful we never thought was there. Some will say nice things to make us feel better. But not her - she is a true friend, a sincere and honest one, and she doesn't believe in white lies.
So, maybe... maybe this is me, somehow. And to think of it warms my soul.


(i.heart.thee.A.N.!)

Five hundred twenty-five thousand six hundred minutes
Five hundred twenty-five thousand moments so dear
Five hundred twenty-five thousand six hundred minutes
How do you measure, measure a year?

In daylights, in sunsets, in midnights
In cups of coffee
In inches, in miles, in laughter, in strife.

In five hundred twenty-five thousand six hundred minutes
How do you measure a year in the life?

How about love?
How about love?
How about love? Measure in love

Seasons of love. Seasons of love

Five hundred twenty-five thousand six hundred minutes
Five hundred twenty-five thousand journeys to plan

Five hundred twenty-five thousand six hundred minutes
How do you measure the life of a woman or a man?

In truths that she learned,
Or in times that he cried
In bridges he burned,
Or the way that she died.

It's time now to sing out,
Tho' the story never ends
Let's celebrate
Remember a year in the life of friends
Remember the love!
Remember the love!
Seasons of love!

Oh you got to got to
Remember the love!
You know that love is a gift from up above
Share love, give love spread love
Measure, measure your life in love.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Desabafos

A suprema felicidade não é um mito. Acontece é que é diferente para cada pessoa, o próprio conceito e a ideia do que nos poderia proporcionar tal coisa. E para além disso, toda a ideia pode mudar com o tempo e a vivência de cada um.
Eu sei o que me faria a mim feliz, neste momento. Sei o lugar onde encontraria essa felicidade.
Mas ir até lá não depende apenas da minha pessoa...


Dito isto, deu-me de repente uma daquelas vontades que não sabemos como é que aparecem nem de onde vêm até nos acertarem na fronha (pensando bem, até tenho uma ideia de onde veio: li algo há bocado que contribuiu para isso).
Subitamente apeteceu-me beber moscatel.

domingo, 20 de maio de 2012

É ou não é?

"O amor é o medo de que possa não ser e a certeza de que só pode ser. O amor não é; o amor só pode ser." (Pedro Chagas Freitas)

Às vezes indagamo-nos: "Será?". E a resposta está mesmo aí.
Se não temos a certeza, então não é.

sábado, 19 de maio de 2012

(others' words)

O joy! that in our embers
Is something that doth live,
That nature yet remembers
What was so fugitive!
The thought of our past years in me doth breed
Perpetual benediction: not indeed
For that which is most worthy to be blest;
Delight and liberty, the simple creed
Of Childhood, whether busy or at rest,
With new-fledged hope still fluttering in his breast: -
Not for these I raise
The song of thanks and praise;
But for those obstinate questionings
Of sense and outward things,
Fallings from us, vanishings;
Blank misgivings of a Creature
Moving about in worlds not realised,
High instincts before which our mortal Nature
Did tremble like a guilty Thing surprised:
But for those first affections,
Those shadowy recollections,
Which, be they what they may,
Are yet the fountain-light of all our day,
Are yet a master-light of all our seeing;
Uphold us, cherish, and have power to make
Our noisy years seem moments in the being
Of the eternal Silence: truths that wake,
To perish never;
Which neither listlessness, nor mad endeavor,
Nor Man nor Boy,
Nor all that is at enmity with joy,
Can utterly abolish or destroy!
Hence in a season of calm weather
Though inland far we be,
Our Souls have sight of that immortal sea
Which brought us hither,
Can in a moment travel thither,
And see the Children sport upon the shore,
And hear the mighty waters rolling evermore.

(William Wordsworth, "Ode: Intimations of Immortality" - IX)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Unwriting

“I believed that I wanted to be a poet, but deep down I just wanted to be a poem”
("Yo creía que quería ser poeta, pero en el fondo quería ser poema...")
Jaime Gil de Biedma (1929-1990)

I...
I wanted to be a word
so I could dance in your mouth
between the teeth and the velvet
of your liquid tongue
before slipping out to the air
I...
I wanted to be a sound
not the haunting voice
of the mermaid
not the deep roar
of the thunder
but the soft, hidden, rhythmic
thump-thumping of your heartbeat
I...
I want to be a poem
your poem, your very own
that shall never be written
for every poem, before
being captured by words
is born in the poet's heart

So, make me your poem
and never write me
so I can live in your heart forever

domingo, 13 de maio de 2012

Em repeat

If you've been hiding from love
If you've been hiding from love
I can understand where you're coming from
I can understand where you're coming from

If you've suffered enough
If you've suffered enough
I can understand what you're thinking of
I can see the pain that you're frightened of




-_-

quarta-feira, 9 de maio de 2012

HBD

Há um desconforto que não consigo identificar, um cansaço quase extremo que se alastra ao espírito e faz com que qualquer esforço, físico ou mental, pareça para além das minhas forças.

É como se um manto de desalento me cobrisse e tolhesse o corpo - este corpo que não sinto como meu.
Há muito tempo, acreditava que corpo e mente formavam um único elemento. Levou muito tempo mas habituei-me ao conceito de duas entidades unas mas independentes - como se imagina que seja a perfeita união de dois amantes. Já não estranho (ainda que não compreenda nem goste) estar a funcionar, ultimamente, em piloto automático. Meras rotinas - (sobre)viver.


Estou cansada de fingir uma normalidade que não é minha.
Ajo como é suposto agir, falo como é suposto falar, rio quando é suposto rir. Mas são (re)acções sem sensações, apenas o que esperam de mim - não aquilo que realmente sou atrás da imagem que vêem.
Sou muito mais do que pensam - e ninguém me compreende. Tentam, mas quedam-se longe, muito longe da realidade.
Um dia desabafei dizendo que todos estamos aqui de passagem, que os meus dias estão contados, que anseio deixar a terra como acabará por acontecer. Foi um erro. Primeiro pensaram que eu tinha uma doença terminal. Depois suspeitaram de uma tentativa de suicídio e quiseram medicar-me, psicanalisar-me, internar-me. Como poderia então contar-lhes quem sou, falar-lhes do ser alado e ardente com que me identifico interiormente?

Aprendi a calar-me, a não desabafar, a não partilhar o que penso e/ou sinto. Afasto-me das pessoas, inventando afazeres. O convívio custa; a incompreensão é um fardo.

Perguntam-me se estou bem mas evito responder. Da minha boca saem palavras quando gostaria de expelir labaredas... acabo por sorrir de uma forma tão enviesada que se transforma num esgar de insatisfação, quase desprezo por este corpo com que me arrasto.



Ao anoitecer, no terraço, recosto-me a olhar para as estrelas.
Deixo-me invadir pela saudade e de olhos molhados conto os dias que faltam para o fim do meu tempo aqui.


Fecho os olhos.
Não é fácil estar a mais de cem anos-luz de casa.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

[Sigh]

Estes últimos dias têm sido de loucos. Correrias, papeladas, números, impostos. Trabalhar em quatro softwares diferentes, coordenando a transição e parametrização de dois deles. Horas em ligação remota com um servidor a 300km. Debater opções. Combater resistências - de quem quer continuar a deter algum controlo sozinho e de quem apenas não está habituado a um método diferente daquele que usou durante dez anos.

Estou tão cansada...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

This... what do you call it?


This Love
This love is a strange love
A faded kind of
Day love
This love

This Love
I think I'm going to fall again
And even when you held my hand
It didn't mean a thing
This Love

This love
Now rehearsed we stay, love
Doesn't know it is love
This love

This Love
Doesn't have to feel love
Doesn't need to be love
Doesn't need a thing

This love
This love

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Oh ffs!!!

Quando achamos que já suportámos o que podíamos suportar e que finalmente há uma luz ao fundo, a silver lining in the cloud, a vida encarrega-se de nos pregar mais uma rasteira.
E a seguir atira-nos um balde de água fria em cima.

Aquela velha história de que quando se fecha uma porta se abre uma janela? Ninguém nos avisa do comprimento do corredor até lá! E é escuro p'ra caramba :(

Oh ffs!!!

sábado, 28 de abril de 2012

From the edge

... of the deep green sea


i wish i could just stop
i know another moment will break my heart
too many tears
too many times
too many years i've cried for you
it's always the same
wake up in the rain
head in pain
hung in shame
a different name
same old game
love in vain
and miles and miles and miles and miles and miles
away from home again...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Zero

A simple tale.
How long can one stand against prejudice and disdain?
How strong must one be to endure being different?
How big must a heart be to hold enough hope and survive when everyone else is against you?
Would you be this strong?


Take a good look at yourself: we're all zeros in one way or another.
Can love really make a difference?


I hope so.
Love FTW :)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Breve instante

Um instante.
Breve - por isso há coisas que são instantâneas.
Doce - por isso há coisas que queremos que durem para sempre.
Azul - um intervalo no cinzento dos dias.

Um sonho no silêncio para além do olhar.

Alguns sonhos calam-se... adormecem... desfalecem.
Alguns sonhos morrem na espuma da alvorada...
Uma palavra e desvanecem-se no infinito.

Mar - azul de sonhos liquefeitos. Breves.
O intervalo acaba. O instante não volta mais.

A realidade continua dentro de momentos.

terça-feira, 24 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A golden memory

Ou como uma canção da Alanis

You've been my golden best friend
Now with post-demise at hand
Can't go to you for consolation
Cause we're off limits during this transition


me recordou outra, que em tempos teve muito significado.



Memories exist to be remembered. They cannot be relived.
I want to create new golden memories to treasure in the future.
Can we?

e sonhar

No post anterior falei sobre a importância/necessidade de analisarmos os nossos desejos/sonhos, o que nos motiva, o que nos leva a continuar. Para nosso próprio equilíbrio, é conveniente analisar e distinguir aqueles que valem a pena tentar alcançar dos que são apenas miragens em que perdemos tempo e com que nos arriscamos a sair magoados.

Acontece que não somos perfeitos. Ninguém é.
Guardamos sempre num lugar recôndito do coração um sonho que nos é mais querido do que todos os outros, por muito impossível que possa ser. Uma carreira de que se desistiu, um projecto que nunca se iniciou, um amor que se perdeu.



São estes que nos lembram a incontornável questão de sermos humanos.
Falíveis, anónimos ou gloriosos - sempre com sentimentos.
São estes os mais preciosos, os que nos doem mas ao mesmo tempo nos fazem ter noção de estarmos vivos - e nos afastam da mente a certeza de que um dia "todos esses momentos se perderão no tempo... como lágrimas à chuva".