quinta-feira, 8 de março de 2012

Possível vs. Impossível

Eu acreditava e tu não. Quando me dizias que "não é possível de forma alguma", eu ficava sem saber como te demonstrar o contrário. Se fosse hoje, mandar-te-ia ler esta crónica do José Luís Peixoto e talvez percebesses que, às vezes, o impossível só o é num dado enquadramento temporal.

Ao encontrar-se um novo sentido, é o mundo todo que renasce. Uma boa ideia carrega em si o tamanho do mundo, uma espécie de felicidade incandescente.
(...)
As ideias são fogo, fazem corar as faces. Quando se tenta contar uma ideia, luta-se com os limites das palavras. Nesse momento, a esperança é que o outro se possa inclinar nas janelas dos nossos olhos e, descobrindo-se no alto de uma torre, possa ver tudo o que contêm, horizonte, distância.

Então, pode muito bem acontecer que o outro fique a olhar com o rosto impassível, anestesiado, pálpebras semidescaídas, até ao momento em que, perante o silêncio e a obrigação de se pronunciar, diz: não, acho que não vai correr bem. Nesse momento, há algo que nos é roubado. Perdemos as chaves de casa, estamos, de repente, numa cidade estrangeira, deixamos de saber quem somos. Nesse momento, há uma reacção térmica, fogo versus gelo, e há um desapontamento sem direcção. Não sabemos se estamos decepcionados com o outro por não ter conseguido compreender o alcance da ideia que tentámos descrever, ou se estamos decepcionados connosco próprios por não termos sido capazes de descrevê-la, ou se estamos decepcionados com a ideia por não ser à prova de descrença.
(...)
Este é o momento de dizer a esses pessimistas disfarçados de prudentes, de racionais ou de razoáveis, que não. Dizemos não ao não deles. Quando nunca se tentou contradizê-los, parece difícil. As primeiras tentativas de resposta, magoadas, escorregam nas paredes da sua intransigência. Mas a prática demonstra que é incrivelmente fácil resistir-lhes, basta deixar que a sua descrença nos atravesse, basta transformá-la em silêncio, subtrair com uma seringa invisível todo o sentido à sua descrença, basta não acreditar nela. A sua decepção total e permanente para com o mundo não nos arrastará.
(...)
O impossível de antes sempre foi possível, apenas não tinha acontecido que alguém tivesse sido capaz de chegar até ele. Faltava a quantidade de pessoas que acreditaram, que perseguiram o filão até o demonstrarem e construírem. O mesmo acontece com o impossível de agora. O impossível de agora não deve ser muito diferente do impossível de antes. Por sua vez, o impossível mesmo impossível existia num e continua a existir no outro, mas como não pode ser distinguido do impossível que será possível no futuro, a hipótese mais criadora, aquela que propõe mais esperança é a que considera que tudo o que formos capazes de imaginar poderá ser materializado. Ou seja, todo o impossível poderá vir a ser possível. Assim, não há nenhum motivo para fazer cara de peido e dizer: não, acho que não vai correr bem.


Sabes que mais? Ainda acredito.

A crónica completa está na Visão.
Portanto vai lá ler, vá. E sem cara de peido, se faz favor.

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