quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Sursum corda

- Hamei-te, sabias?
- Pff, escreveste mal
- É porque foi um erro...

Weightless



*When we let go of something heavy that we hung to for so long, we feel... weightless.

Let the storm rage on



The snow glows white on the mountain tonight
Not a footprint to be seen
A kingdom of isolation,
And it looks like I'm the queen.

The wind is howling like this swirling storm inside
Couldn't keep it in, heaven knows I tried!

Don't let them in, don't let them see
Be the good girl you always have to be
Conceal, don't feel, don't let them know
Well, now they know!

Let it go, let it go
Can't hold it back anymore
Let it go, let it go
Turn away and slam the door!

I don't care
What they're going to say
Let the storm rage on,
The cold never bothered me anyway!

It's funny how some distance
Makes everything seem small
And the fears that once controlled me
Can't get to me at all!

It's time to see what I can do
To test the limits and break through
No right, no wrong, no rules for me I'm free!

Let it go, let it go
I am one with the wind and sky
Let it go, let it go
You'll never see me cry!

Here I stand
And here I'll stay
Let the storm rage on!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Intervalo

O espaço foi preenchido por silêncio de rádio.



O tempo passou.
Continuo a ser eu mesma mas já não sou a mesma.
- O que quer isso dizer? perguntas
Que já não me conheces - respondo
E que te recuso o direito
de achar que sim.
É arrogância - digo-te
achares que sabes porque
faço o que faço
ou digo o que digo
sem sequer me perguntar.

Tudo muda, e todos, sem excepção - entropia.
Também és quem és mas já não és quem eras.
Já não te conheço embora te reconheça.


Agora que já expliquei, podemos fazer reboot?
Sem falsas partidas, voltar ao início?

Olá, sou a XR.
Acho que esta poderá vir a ser uma bela amizade.

Círculos

Dias, horas, minutos foram passando e já lá vão quase cinco anos.

Demorei a enterrar os sonhos e a apagar os números.
Acabei por fazê-lo, não contra vontade mas com alguma tristeza. Há sempre tristeza quando deixamos para trás um capítulo que consideramos não ter sido devidamente encerrado, mas que só uma completa loucura justificaria manter em aberto, como uma ferida à qual se arrancam constantemente as crostas - sem deixar fechar, cicatrizar, sarar de vez.

E, no entanto, como tantas vezes acontece em filmes e em livros, a história que ficou por contar alcandora-se de novo no horizonte, como uma carruagem de um comboio louco num círculo mal desenhado. Desafiando-me.

Paro e semicerro os olhos, sem saber bem o que fazer. Tento focar à distância mas o que consigo ver é muito pouco. Quero ver mais, mas não ouso pedir. Talvez agora, como mera espectadora, pudesse assistir ao desenrolar dos eventos, os encontros e desencontros e as batalhas. E sorrio ao pensar no clamor de metal contra metal de espadas desembainhadas... ou não fosse eu quem sou.

É que, apesar do tempo que já passou, ainda mantenho (pelo menos parcialmente) o que disse.
Não foi o medo que me tolheu.
Não foi a doença nem a descrença.
Ainda seria capaz de fazer o que disse que faria.
Mas a história mudou. Já não é a mesma, pois que nem eu sou já a mesma.
Ela lá está, a história - noutros locais, com outros personagens, diferentes vontades e ambições.

Talvez a história seja eterna - círculos atrás de círculos, dentro de círculos.
E talvez eu possa voltar a entrar nela, só o tempo necessário para cumprir o meu papel e voltar a desembarcar, encerrando de vez o capítulo.

Ou talvez não.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Desejo

Deixa-me encostar a cabeça
na curva do teu pescoço.

Quero o cheiro da tua pele na minha.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Inesperado

Sem aviso.

Surpresa.
Hesitação.
Recuo.

Deixo-me ficar.
Não é receio, é descrença
por saber que não há nada para mim aí.
Não agora.
Nem talvez nunca.

Um só gesto, aberto
gentileza simples
que ainda assim deixo cair
no abismo que teimas em não fechar.

Cerro as pálpebras para que não me vejas o olhar ansioso e sorrio.

Enquanto a minha língua tropeça nas palavras que guardo na boca, todas as palavras que não te digo e que se avolumam até me sufocar.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Moving forward

"...
We have no need of false revolutions
In a world where categories tend to tyrannize our minds
And hang our wills up on narrow pegs.
It is well at every given moment to seek the limits in our lives.
And once those limits are understood
To understand that limitations no longer exist.
Earth could be fair. And you and I must be free
Not to save the world in a glorious crusade
Not to kill ourselves with a nameless gnawing pain
But to practice with all the skill of our being
The art of making possible."



- Nancy Scheibner, "The art of making possible"

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Raincheck

Ainda esperei que decidisses
surpreender-me
e aparecesses ao fundo da rua
com aquele teu jeito calado
o sorriso
e as estrelas que sempre
trazes no olhar
para me abraçar de encontro ao peito
e apagar a distância
e a saudade.

Mas os ponteiros completaram
as suas voltas, ordeiros
como animais presos à nora
e de ti apenas o eco
de um "até breve"
sem data nem hora de acontecer.

Fecho os olhos e adormeço
esperando que o breve
aconteça cedo.