Domingo, 18 de Março de 2012

Uma casa, uma vida

... ou como um filme nos agarra pelos colarinhos, fazendo-nos abrir bem os olhos, e nos obriga a ver que, por vezes, se conseguem corrigir erros passados.



(mesmo que às vezes seja demasiado tarde para desfrutar disso)


Direitinho para o meu top de "movies of a lifetime".


(esperando que a vida, além de tempo, me dê oportunidade de corrigir pelo menos alguns dos erros que cometi nesta longa estrada)

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Storm


(imagem linkada de HowStuffWorks)


Tempestade.
Raios, trovões, chuva intensa.

Gosto do cheiro da terra molhada.
Gosto de tempestades: de estar à janela, na varanda ou no terraço e olhar para o céu. Gosto ainda mais quando tenho uma máquina fotográfica decente e consigo tirar uma foto a um relâmpago.
Gosto de presenciar a força imensa que se desencadeia nesses breves instantes, sentir os cabelos da nuca e do braço a arrepiarem-se, testemunhar a luz que tudo inunda.

Sim, gosto de tempestades. E às vezes gosto de andar à chuva.


(Há ainda outra coisa relacionada com tempestades de que gosto, mas como não pode ser é melhor nem falar disso...)

XS

"I was standing
you were there..."


two worlds collided
in a storm that echoed across the universe

no one could tear us apart
but ourselves



... and we did.

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Pearls of salt

Estava a ler as notícias no G+ e um título chamou-me a atenção.
The Soundtrack of Loss e a história de Jacqueline du Pré. Ao fundo, Elgar.

Resolvi ouvir o 1º movimento do concerto para violoncelo - tocado por ela, claro. Não as consegui conter... nem às lágrimas nem às palavras.



Loss...
tears peeking under the eyelid
caught like pearls by the eyelashes
until the eyes close, as if swooned by raw emotion
and pearls become water
salt water running free
down the cheeks to the sound
of the mourning strings

Voando

Tenho visto muitos por aí, de há uns tempos para cá. Meses.

Totalmente negros, com penas de um preto muito muito denso, uns parecendo mais brilhantes e outros mais opacos, mas todos eles intensamente negros e com um bico alaranjado. Melros, acho eu.

Não sei o que lhes terá mudado os hábitos por forma a andarem mais visíveis em sítios que de ermos e/ou florestados pouco têm. A temperatura? A ausência de chuva? A falta de comida? Não sei, mesmo.
O que sei é que aparecem por todo o lado, pulando e saltaricando, na relva do canteiro à porta de casa, nos ramos baixos dos pinheiros que ainda crescem entre os prédios lá do bairro, nos muretes das escadinhas, nos passeios do canto meio enviesado onde costumo estacionar o carro quando os lugares já escasseiam... e até mesmo no trabalho, onde já me cruzei com um bando pousado no parque de estacionamento e há alguns (parecem sempre os mesmos) que visitam a espécie de terraço rodeado de canteiros para onde dá a janela do gabinete onde trabalho.

Saltaricam, piam, olham como que pedindo atenção. Talvez procurem os seus semelhantes. Talvez tenham fome. Os pedacitos de pão que lhes atirei um dia à tarde já lá não estavam no dia seguinte - mas também podiam ter sido os pombos, esses esganados, a comê-los.

Já não estranho vê-los tantas vezes mesmo que não saiba o porquê. Eles aparecem, simplesmente. E depois voam.



Voltam as memórias e espreita a saudade. E eu sorrio, com vontade de voar para casa.

Equilíbrio

I want you but I don't need you

Quando podemos dizer com toda a certeza que não precisamos do outro para nos completar - mas sim que queremos que faça parte da nossa vida, porque quando isso acontece somos 'mais'/'maiores'/'melhores', porque os voos sabem melhor quando partilhados e porque as quatro dimensões se iluminam todas de uma só vez.



(e em vez de lágrimas a lâmina desperta sob um sorriso para se embriagar de sumo de maçã recém-cortada)

Terça-feira, 13 de Março de 2012

Lâmina

Como descrever uma saudade maior do que o corpo que a enovela e a alma que a embala?

Faltam-me as palavras para o fazer.
Faltam-me os gestos para o desenhar.
No bolso trago uma recordação - mas não chega para fazer com que doa menos.

A tua ausência é como uma lâmina a roçar-me os nervos nus.
Faltas-me.



Na raiz da saudade está algo - pessoa, coisa ou lugar - inesquecível.

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Aceitar

que há coisas que terminam e outras que começam - incluindo a necessidade de umas para que aconteçam as outras;

que há acções cometidas e palavras ditas que são como o atirar de uma pedra - depois de suceder, não há como voltar atrás e o melhor é viver com isso, tentando corrigir o que se fez de errado;

que, por vezes, nada do que façamos pode corrigir um erro;

que há sentimentos que nenhuma distância consegue apagar ou diminuir;

que um mal entendido pode fazer uma amizade engasgar-se mas não matá-la, se houver a vontade de lhe fazer uma manobra de Heimlich;

que há coisas que são inquestionáveis e é uma perda de tempo matutar nos porquês;

que há coisas que são inevitáveis e é uma perda de tempo tentarmos escapar-nos delas;

que, por mais que tentemos, por vezes não é possível alterar certas coisas;

que o amor não tem que ter razões, explicações ou outras -ões que a razão desconhece;

que o amor não nasce nem cresce à conta de lógica, pragmatismos, racionalismos e outros -ismos;

que o amor não tem que ser integralmente compreendido e dissecado para ser sentido;

que, por muito que tentemos, não é possível forçarmo-nos a amar alguém - nem a deixar de o fazer.


Por vezes tenho que fazer uma pausa para me lembrar de tudo isto e não deixar que coisas impossíveis (sim, daquelas de que nos podemos lembrar às meias dúzias antes do pequeno almoço) me bloqueiem os passos e me impeçam de viver a minha vida o melhor que posso... é que, quer queira(m) quer não, a vida é minha e ninguém a pode viver por mim. Por isso o melhor que tenho a fazer é sentir-me bem na minha pele e fruir um dia de cada vez.
:)

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Possível vs. Impossível

Eu acreditava e tu não. Quando me dizias que "não é possível de forma alguma", eu ficava sem saber como te demonstrar o contrário. Se fosse hoje, mandar-te-ia ler esta crónica do José Luís Peixoto e talvez percebesses que, às vezes, o impossível só o é num dado enquadramento temporal.

Ao encontrar-se um novo sentido, é o mundo todo que renasce. Uma boa ideia carrega em si o tamanho do mundo, uma espécie de felicidade incandescente.
(...)
As ideias são fogo, fazem corar as faces. Quando se tenta contar uma ideia, luta-se com os limites das palavras. Nesse momento, a esperança é que o outro se possa inclinar nas janelas dos nossos olhos e, descobrindo-se no alto de uma torre, possa ver tudo o que contêm, horizonte, distância.

Então, pode muito bem acontecer que o outro fique a olhar com o rosto impassível, anestesiado, pálpebras semidescaídas, até ao momento em que, perante o silêncio e a obrigação de se pronunciar, diz: não, acho que não vai correr bem. Nesse momento, há algo que nos é roubado. Perdemos as chaves de casa, estamos, de repente, numa cidade estrangeira, deixamos de saber quem somos. Nesse momento, há uma reacção térmica, fogo versus gelo, e há um desapontamento sem direcção. Não sabemos se estamos decepcionados com o outro por não ter conseguido compreender o alcance da ideia que tentámos descrever, ou se estamos decepcionados connosco próprios por não termos sido capazes de descrevê-la, ou se estamos decepcionados com a ideia por não ser à prova de descrença.
(...)
Este é o momento de dizer a esses pessimistas disfarçados de prudentes, de racionais ou de razoáveis, que não. Dizemos não ao não deles. Quando nunca se tentou contradizê-los, parece difícil. As primeiras tentativas de resposta, magoadas, escorregam nas paredes da sua intransigência. Mas a prática demonstra que é incrivelmente fácil resistir-lhes, basta deixar que a sua descrença nos atravesse, basta transformá-la em silêncio, subtrair com uma seringa invisível todo o sentido à sua descrença, basta não acreditar nela. A sua decepção total e permanente para com o mundo não nos arrastará.
(...)
O impossível de antes sempre foi possível, apenas não tinha acontecido que alguém tivesse sido capaz de chegar até ele. Faltava a quantidade de pessoas que acreditaram, que perseguiram o filão até o demonstrarem e construírem. O mesmo acontece com o impossível de agora. O impossível de agora não deve ser muito diferente do impossível de antes. Por sua vez, o impossível mesmo impossível existia num e continua a existir no outro, mas como não pode ser distinguido do impossível que será possível no futuro, a hipótese mais criadora, aquela que propõe mais esperança é a que considera que tudo o que formos capazes de imaginar poderá ser materializado. Ou seja, todo o impossível poderá vir a ser possível. Assim, não há nenhum motivo para fazer cara de peido e dizer: não, acho que não vai correr bem.


Sabes que mais? Ainda acredito.

A crónica completa está na Visão.
Portanto vai lá ler, vá. E sem cara de peido, se faz favor.

Afiados

Nem sempre sou uma moçoila calma e simpática.
Às vezes irrito-me.
Às vezes grito.
Às vezes mordo - e deixo marca.

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Dicionário: Saudade

Saudade [sɐwˈðaðɨ]:
Sombra no olhar.
Um vazio no peito.
A fome na pele.