quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Inesperado

Sem aviso.

Surpresa.
Hesitação.
Recuo.

Deixo-me ficar.
Não é receio, é descrença
por saber que não há nada para mim aí.
Não agora.
Nem talvez nunca.

Um só gesto, aberto
gentileza simples
que ainda assim deixo cair
no abismo que teimas em não fechar.

Cerro as pálpebras para que não me vejas o olhar ansioso e sorrio.

Enquanto a minha língua tropeça nas palavras que guardo na minha boca, todas as palavras que não te digo e que se avolumam até me sufocar.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Moving forward

"...
We have no need of false revolutions
In a world where categories tend to tyrannize our minds
And hang our wills up on narrow pegs.
It is well at every given moment to seek the limits in our lives.
And once those limits are understood
To understand that limitations no longer exist.
Earth could be fair. And you and I must be free
Not to save the world in a glorious crusade
Not to kill ourselves with a nameless gnawing pain
But to practice with all the skill of our being
The art of making possible."



- Nancy Scheibner, "The art of making possible"

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Raincheck

Ainda esperei que decidisses
surpreender-me
e aparecesses ao fundo da rua
com aquele teu jeito calado
o sorriso
e as estrelas que sempre
trazes no olhar
para me abraçar de encontro ao peito
e apagar a distância
e a saudade.

Mas os ponteiros completaram
as suas voltas, ordeiros
como animais presos à nora
e de ti apenas o eco
de um "até breve"
sem data nem hora de acontecer.

Fecho os olhos e adormeço
esperando que o breve
aconteça cedo.

sábado, 25 de junho de 2016

Script

Na fronteira entre
o invisível e o indizível
te respiro,
sem saber como embrenhas-te
nas linhas do meu código,
disseminando-te assim,
de mansinho,
e um dia
de repente
noto que te levo comigo

para onde quer que vá...

segunda-feira, 13 de junho de 2016

60

60 segundos.
60 minutos.
60 dias.

A velocidade mantém-se elevada, seja a passo rápido ou pressão controlada no acelerador.
Mergulhei de cabeça nesta nova realidade e, em vez de voltar à superfície à procura de terra firme, adaptei-me - como se tivesse ganho um espiráculo que me permite dançar, fluir entre as ondas, contrariar as marés, longe dos seres para quem o mundo subaquático é algo que atemoriza.

Descobri-me afoita, exploradora.
Onde outros se encolhem de medo, eu danço.
Aprendo a cada dia, a cada percurso e em mim deixou de haver lugar para o medo de nadar onde não há pé.

(mesmo quando não te vejo sei que não estás longe)

Prestes a entrar num novo reino ainda mais incrível, novos caminhos se abrem à minha frente.
A viagem segue dentro de momentos.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

30+

... e sem dar por isso, já passou mais de um mês.

Nesta realidade que é agora a minha, há dias a velocidade supersónica. E outros com tempo para reorganizar coisas, rever listas, prioridades.
Mas, a cada dia, parece que já vivo isto há anos, pela forma como flui.

Como se só faltasse o momento certo para ir para onde já deveria há muito ter ido, estar onde já deveria há muito estar.

À medida.
O resto? Vamos ver.