sábado, 31 de outubro de 2015

G.8

Contas semanas como quem desfolha páginas de um livro de dor e saudade.

Quisera abraçar-te, dizer-te algo que te confortasse mas não sei o quê. Nem sei se deixarias, sequer - vejo-te casual a ponto de eu não perceber até que ponto a face que mostras é a de um estóico ou apenas máscara destinada a afastar quem não interessa.

Não queres nada de mim, mas ainda assim algo nesta nossa condição de seres humanos guarda em si espaço para a empatia e o carinho nas muitas formas que pode envergar. É só o que posso oferecer; e, se porventura alguma vez vieres a precisar, estarei por perto.


Allons

Há muitos anos, quando visitei Paris, trazia música na alma, música que reverberava a cada passo pela cidade, a cada ponto de passagem identificado.

Há muitos anos, quando visitei Paris, tive a certeza de estar num lugar onde a magia podia acontecer.

Sei que pode.
Talvez um dia lá volte com a pessoa certa e o confirme.
Ou talvez nunca o possa fazer e guarde no coração o sonho até ao fim dos meus dias.

(borrowed from here)

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O porquê dos porquês

Hoje pediram-me para fazer um Teste de Dominância Cerebral e o resultado está aí em baixo.
Não é que não estivesse à espera - mas ao olhar para o diagrama só me ocorreu uma palavra: "fónix!"

EXPERIMENTAL - Dominância de Superior Direito
Tem insights, imagina, especula, corre riscos, é impetuoso, quebra regras, gosta de surpresas, percebe oportunidades.
 Gosta de arriscar-se, inventar soluções, desenvolver uma visão, ler variedade, fazer projetos, causar mudanças, fazer experiências, vender ideias, desenvolver novidades, ver o quadro geral, ter muito espaço, integrar ideias, lidar com o futuro, enxerga o fim desde o começo, é visual.

Para quem tiver curiosidade de ser "diagnosticad@"...
  Teste de Dominância Cerebral

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

No Escuro

Abrir jogo - II

Isto de arrumar as ideias e passá-las a escrito tem muito que se lhe diga.
Vamos cá a ver... onde é que eu ia? Ah pois, abrir o jogo. Arriscar e ver no que dá.

Não me parece.
Não sou burra, tenho olhos na cara e sei como sou.

Primeiro, o exterior. Não sou "uma estampa"; não sou sequer atraente e já passaram muitos anos desde a altura em que podia despertar alguma curiosidade, baseada principalmente num aspecto vagamente exótico. Guess what? Actualmente este país está cheio de gente de todos os cantos do mundo, pessoas visualmente muito mais interessantes. Em qualquer sítio se encontra gente assim. Portanto, strike 1.

Agora o interior. Tenho "mau feitio" e sou difícil de aturar. Já mo disseram muitas vezes na cara e admito que é verdade. Irrito-me e às vezes digo coisas que não deveria. Sou retorcida, nada submissa, e não aceito um "porque sim" como resposta. Às vezes sou vingativa, mas só um bocadinho (o suficiente para a outra parte perceber que não me comem por parva). Gosto de ganhar, mesmo a feijões, e só tenho bom perder se o adversário não fizer batota (que o diga um certo tabuleiro de Monopólio). Strike 2.

Finalmente a cobertura do bolo: não tenho paciência para gente poucachinha, sem imaginação, sem ambição, que não gosta de ler nem aprender e acha que tudo é uma perda de tempo, ou que deve ser feito sempre, sempre, sempre da mesma forma "porque sempre foi assim". Arrrghhhhh! Como detesto essa frase! Gosto de dar, de criar, de inventar, de imaginar, de descobrir, e detesto sentir-me manietada. Gosto de coisas e pessoas que me desafiem intelectualmente, pessoas que consigam manter uma conversa decente mas não sempre sobre a mesma coisa, pessoas com quem consiga estabelecer múltiplos pontos de contacto de interesses. Há muita gente assim por aí, mas não ao meu alcance. Strike 3, I'm out.

No final de contas, é a isto que se resume: demasiados pontos negativos para poder ter um mínimo de chance. Então para quê arriscar quando se sabe qual vai ser o resultado?

Porque sim.
Porque amar, amar a sério, não depende de reciprocidade.
É, simplesmente.

Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure



Quem sabe um dia a sorte me sorria...

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Abrir jogo - I

Teoricamente, isto devia ser algo super-fácil. Mesmo! Muito fácil para quem, ainda por cima, tem experiência prévia. Mas não é bem assim.

"Quem não arrisca, não petisca!", "Quem não pede, passa fome" e outras frases do género declaram o que parece ser uma verdade de La Palice: se não tentarmos alcançar o que queremos, é muito provável que não venhamos a obtê-lo. Isto é trigo limpo, farinha amparo, se estivermos a falar de coisas como ganhar na Lotaria ou conseguir acesso a um curso, por exemplo.

É tudo muito bonito mas existe o reverso da medalha (claro!!!).

"Quem anda à chuva, molha-se", que é como quem diz, quando alguém se expõe, arrisca-se a que algo (ou tudo, numa bela demonstração da Lei de Murphy) corra muito mal e o resultado seja custoso. E quando o que está em causa são sentimentos... o "mal" passa a "terrivelmente mal" e "custoso" transforma-se em "francamente doloroso".

Traduzindo em miúdos: quando corre mal, dói p'ra catano.

É que, quando admitimos perante nós próprios e perante os outros que temos 'um afecto muito grande' por alguém, expomo-nos substancialmente. Ficamos desprotegidos, abrimos o flanco para quem quiser atirar lança ou pedra.
E como é quando abrimos o jogo, expomos o coração e o sentimento a quem é o objecto desse afecto? Altera-nos de imediato o ritmo cardíaco. O coração fica apertado, cada batida em esforço como se o sangue fosse pastoso. É a antecipação, o momento de maior perigo. E dói, esta vulnerabilidade, esta entrega, este depositar do sentimento nas mãos de alguém que não sabemos como irá reagir.

Quando essa reacção é positiva é como ganhar uma corrida, ver o nascer do dia seja a que horas for, uma aurora de bonança saudada por inúmeros arco-íris de uma chuva que acabou de partir.

Quando é negativa... mesmo que já a esperemos, custa, custa sempre.
Pode ser como se o chão desabasse e nos sentíssemos cair sem controlo, incapazes de saber o que acontece a seguir ou se vamos sequer sobreviver ao embate.
Pode ser como um corte de papel, daqueles que a maioria das pessoas nem vê, de tão pequeno que é. Mas quem o tem na carne sabe bem onde está e a dor que causa.
O efeito pode ser grande ou pequeno, mas nunca, nunca ficamos incólumes, nunca ficamos como se nada tivesse acontecido. Quem disser que não sentiu nada ao ver os seus sentimentos rejeitados, na realidade nunca amou sequer.

É por isto que custa abrir o jogo - mesmo tendo a noção de que, se não o fizermos, não alcançaremos nada pois ninguém o fará por nós.
O que queremos afinal?

[Palavras dos outros] Coisa Amar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente, longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como dói

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

(Manuel Alegre)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A simple truth


"You make my heart feel like it’s summer
When the rain is pouring down.
You make my whole world feel so right when it’s wrong
That’s how I know you are the one."


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Escultura

Neste lugar onde não estás
capturo o vento e agarro o ar
fecho os olhos, e de memória
moldo a tua face
que os meus dedos nunca tocaram,
desenho o teu sorriso e torneio
a traços largos o teu corpo.

Se alguém me visse, pensaria
que estou louca ou em transe
de olhos fixos num ponto
à minha frente
mas o que não vêem
é o teu eco, esculpido no nada
espécie de fantasma que olho
com incomensurável ternura...

Como uma estátua invisível,
a não presença que, esta noite,
quando adormecer sorrindo,
ficará ao meu lado,
no lugar
exacto
onde queria que tu estivesses.

(E talvez, nos estranhos caminhos dos sonhos, nos encontremos para lá da alvorada)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Think about it...

(...)
Life ain’t nothing if it ain’t hard
It’ll show you who you truly are
Knock you down when you get too tall
Till you spun around in a free fall

But somewhere out there past the storm
Lies the shelter of your heart
(...)

So how hard can it be (how hard)
To share your love with me?
How hard can it be
To rise with me each morning
How long it feels like
We will live forever
But I fear
That time can hide the years
Like we were never here
So hold on tightly my dear

Before we disappear
Before we disappear

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Rendição

Quem pensaria que algo tão doce e suave como a ternura pudesse tornar-se esmagadora?

Quando te vi hoje, foi como se o coração parasse por segundos, suspenso enquanto processava e gravava a tua imagem, e ao contrair-se me roubasse a respiração. Sim, senti-me esmagada e sem ar pelo volume da ternura que me preencheu, que me fez desejar correr, olhar-te nos olhos em silêncio, pegar na tua mão e pousá-la sobre o meu peito para que sentisses o coração lá dentro batendo por ti.
Esperando que sem palavras entendesses o que não posso verbalizar.

Ainda agora, ao recordar esse preciso momento, sobrevem um arrepio, uma urgência na pele em tocar e ser tocada, um desejo não traduzido em gestos a não ser os dos dedos dançando sobre as teclas. E uma vontade de escavar o peito, abrir um buraco e extrair o coração, depois carregá-lo na mão ainda batendo e procurar até te encontrar, para to oferecer.
Mas tu ficarias a olhar para mim, mudo e incrédulo - ainda que tivesses percebido tudo, lendo através de tudo o que tenho escrito para ti, não terias uso para ele, não saberias o que fazer com um coração como este, cheio de marcas, remendado, pousado na minha mão em concha. Ficarias a olhar para mim e para este coração que não queres, indeciso entre aceitar, para o deitar fora logo que eu virasse costas, ou simplesmente desviar os olhos e recusar.
Mesmo sabendo tudo isto não consigo escapar, não consigo evitar que esta ternura, esta vontade de estar contigo, de passar uma mão em silêncio na tua face - enquanto os meus olhos se enchem de mar revelando outro Mar cá dentro - e selar esse silêncio com um beijo leve e doce, me domine de forma avassaladora.
E rendo-me por fim ao que já não consigo nem quero combater.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A noite passada

... sonhei contigo.



Sonhei que nos encontrávamos algures numa praia, longe de tudo, longe de todos, em tarde de vento e chuva. Que caminhávamos na areia, conversando, de mãos nos bolsos; lado a lado, protegidos do vento por casacos quentes e dizendo disparates ao mesmo tempo que falávamos de coisas sérias.
Que respirámos o silêncio mesclado com vento, e nos rimos, caminhando, até perguntares - se era verdade, se tinhas lido bem as entrelinhas e entendido bem todas as pistas.

Sonhei que fechava os olhos ao vento, o assobio nos meus ouvidos quase ensurdecedor - desculpa perfeita para fingir que não tinha ouvido, só para não ter de responder e de ouvir a seguir o que receava. Que bebi o vento mesclado com chuva, e respirei maresia, tentando ganhar coragem - para te dizer que sim, que era e é verdade, que é a ti que falo e me dirijo quando escrevo aqui sobre o que sinto, e que tudo o que aqui escrevo e sinto é verdade e é tão intenso como o Mar.

Sonhei que fizeste silêncio, que foste silêncio até eu ter de me virar e ver para ter a certeza de que não te tinhas ido embora. Que não me olhaste nos olhos, porque até nem nunca olhas, mas nessa hora em que não me olhaste o meu coração se apertou e fez pequenino. Que respiraste silêncio mesclado com maresia, as mãos metidas no fundo dos bolsos até endireitares as costas e olhando para o céu cinzento disseste apenas "ok".

Sonhei que de novo foste silêncio e então também eu fui silêncio enquanto caminhávamos de volta ao lugar onde tinham ficado os carros; lado a lado, de mãos nos bolsos mas carregando o silêncio entre nós. Que, sem me olhar, disseste apenas "até amanhã" e te meteste no teu carro, conduzindo sob a chuva fina mas incessante. E que choveu e continuou a chover até que cheguei a casa, envolta em silêncio, sem saber o que fazer, o que dizer, o coração pequeno mas leve por já não encerrar um segredo tão grande.

Adormeci com maresia nas veias e acordei confusa, sem saber se tinha sonhado ou não, se apenas sonhei ou sonhei que sonhei.
Quando cheguei à janela, chovia.
E senti uma imensa vontade de caminhar junto ao mar contigo.

domingo, 18 de outubro de 2015

Música

... e chocolate. Deliciosa combinação.



"Eu quero ser para ti a camisola dez
Ter o Benfica todo nos meus pés
Marcar um ponto na tua atenção
Se assim faltar a festa na tua bancada
Eu faço a minha ultima jogada
E marco um golo com a minha mão"


Sorri, pensando em ti ao ouvir isto - por múltiplas razões.
(Gosto de imaginar que. por vezes, talvez te lembres de mim ao comer um pedaço de chocolate...)

Mas a verdade é que sorrio muitas vezes ao pensar em ti: recordando algo que disseste, ou apenas o som da tua voz ou do teu riso. E sinto uma e outra vez aquela ternura de que já falei, infinita e doce.

Embalada por essa ternura adormeço, desejando que estivesses a meu lado.

sábado, 17 de outubro de 2015

O som das ondas

Vou contar-te algo.
O que fica aqui não é mais do que o formato final, depois de uma série de tentativas que descarto por achar que não correspondem ao que quero realmente dizer. São inúmeras as folhas rabiscadas, palavras e estrofes riscadas, eliminadas, por não terem a força ou a suavidade requeridas - porque o que sinto não é sempre igual. Como o oceano.
Há ondas, há tempestades e há calmarias. Há dias de brilho azul interminável, quase cegante, de ondas preguiçosas que se espraiam nas rochas, e há-os de vento e turbilhão, em que as vagas verde-cinza afrontam as falésias ao mesmo tempo que se erguem para receber as gotas de chuva. E há as noites. Noites de chão prateado de luar, as ondas não mais do que um arrulhar que acaricia a areia, envolvendo-a em terno abraço.

Já vi todas essas cores, ao vivo e de perto. Senti os respingos e a maresia, caminhei na areia ou deixei-me estar de olhar perdido no horizonte líquido. Vi o mar em inúmeras encarnações, e sei o que digo quando te digo que o que sinto tem as mesmas nuances - porque há dias em que quero guardar este sentimento só para mim, e outros em que quereria gritar ao mundo as suas cores e a sua força, disposta a enfrentar qualquer coisa. Mas há também os dias e noites em que não sei se não seria melhor que nunca o tivesse sentido - porque um sentimento como este alberga em si mesmo uma semente, que tanto pode florescer em indescritível alegria como em inenarrável dor. Tudo depende da forma como é tratado: acolhido e aceite com ternura ou renegado com pena ou repulsa.

É por saber dessa semente que, por muita vontade que por vezes tenha de te falar de tudo isto, não posso fazê-lo. Não quero dar azo a que a semente se transforme no tipo de dor capaz de rasgar um coração. E, por mais suave que seja a voz, por mais delicada e atenciosamente que seja dito um "não", a dor que ele traz é inevitável.

Por isso, para que não tenhas de o dizer, não te chamarei, não te procurarei para dizer-te o que sinto. Para que não sejas inamovível rochedo, não te falarei deste sentimento que, cada vez mais, me apercebo que é como o oceano: grande, intenso, mutável e mais profundo do que se pensa.

Talvez um dia, em vez de rochedo, possas ser enseada; aí, se o quiseres, encontrar-me-ás: pronta a cantar-te baixinho na rebentação, a repousar em ti num beijo sereno e num terno abraço de Mar.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Seria?



Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Unsung

Unwilling?
Undesired...
Unrequited.

"Half of love is just lo" - which is how I feel everytime I realise there is no chance, no time, no place, no way for me to be with you.

Nocturno

Anoiteço na minha própria penumbra.
Sem saber como, fui apanhada no rebordo do teu campo gravitacional - de longe, como Plutão, que nem direito a ser planeta tem, mas que dia após dia orbita fielmente a sua estrela, ofuscado pela grandeza imponente de um Júpiter ou pelo esplendor anelado de um Saturno.

Às vezes queria ser um cometa, sabes? Poder largar amarras e partir rumo a ti, passar tão perto que não terias outro remédio a não ser ver-me, mesmo ver-me, enquanto me aproximasse e numa rápida passagem contornar-te, vendo-te de todos os ângulos, antes de voltar a cruzar o espaço rumo à distante Oort.
Saber que por um instante no tempo teria a tua atenção, ainda que mesclada do receio de que eu perdesse o rumo e me despenhasse contra algo ou alguém, numa apoteose de caos e destruição.
Saber que passar demasiado próximo seria o meu fim - mas que talvez valesse a pena.

Como o Sol - quente, brilhante, e não te posso tocar, nem sequer aproximar-me demasiado... mas sei a tua luz e não preciso de ver-te para te saber lá. Deito-me e quando fecho os olhos tenho a tua imagem gravada no interior das pálpebras; no silêncio da noite as meninges trazem-me de volta o som da tua voz e do teu riso e por momentos é como se estivesse a ver-te.

Mas estou sozinha, e continuo sozinha, calada, no escuro, ouvindo o tiquetaque do relógio, perdida no turbilhão de pensamento e sentimento que me assola.

"Lying in my bed I hear
the clock tick, and think of you

Caught up in circles,
confusion is nothing new..."

Admitindo, finalmente, com um suspiro o quanto gostaria que estivesses aqui ao meu lado, adormeço.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Everything

Find me here,
And speak to me.
I want to feel you,
I need to hear you.




You steal my heart,
And you take my breath away.
Would you take me in?
Take me deeper now

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Esta infinita ternura

... frágil e delicada, que me preenche e me inunda até transbordar pelos olhos ao pensar em ti.

Cristal

Às vezes penso se deveria ou não escrever aqui. Não é o escrever, em si, que questiono; quem escreve o que sente sabe que é como uma necessidade, verter em palavras tudo o que nos enche o peito e a mente num turbilhão alucinante - se bem que, escrevendo, moldando as palavras, libertamos espaço na cache para mais do que precisa de ser traduzido.
Não, o que questiono é se deveria escrever aqui, neste espaço, ao fim e ao cabo semi-público. E questiono-me porque existe o risco de, lendo o que escrevo, não entendas porque o escrevo.

Há sempre, para quem escreve, o risco de ser mal interpretad@ por quem lê. Mas é um risco acrescido para quem escreve sobre o que sente, às vezes revelando o seu segredo mais íntimo.
Porquê, perguntas? Porque há sempre quem, entendendo a razão, o motivo que leva alguém como eu a escrever, consiga distorcer o pensamento e a intenção por trás das palavras. E há quem, entendendo as palavras, não entenda o significado e o porquê de escrever.
E é neste segundo grupo que te incluo, sabes? Porque podes não entender que, embora escreva "para ti", contigo no pensamento e embrenhado nas minhas palavras, não escrevo para pedir ou obter de ti algo.

Embora sejas uma constante dos meus sonhos, a minha pele anseie conhecer o toque da tua e os meus lábios descobrir o sabor dos teus, não te peço nada, nem sequer que te apercebas que és tu quem desperta em mim este sentir. Não te peço que me olhes profundamente nos olhos e me digas, com palavras ou sem elas, "eu sei". Não te peço que me toques a face ou a mão com ternura e que me permitas sentir o teu calor.

Não está nas tuas mãos dar-me ou negar-me o sentir e o escrever. Já os tenho, são meus e preciosos na minha estima. A cada traço no papel, a cada toque nas teclas, cristalizo em palavras o que sinto, ainda que muitas vezes sem conseguir traduzir a sua verdadeira intensidade. Mas são, ainda assim, cristal formado a partir de um sentimento tão transparente que poderias vê-lo nos meus olhos se, verdadeiramente, os visses para além do mero olhar.

É frágil, este cristal. Tão frágil que o estilhaçaria o desviar da tua mão, a pena nos teus olhos ou a sombra na tua voz ao dizer "não pode ser".
E assim, é com infinita ternura que me limito a deixá-lo aqui onde o podes colher - como o sentimento que me preenche, cristalino e frágil e teu.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Já agora

Antes de mais, deixa-me dizer-te
que sei bem a diferença
entre sonho e realidade,
entre o vazio
e a presença.

Sei tanta coisa... sei
que a tua mão nunca tocou
carinhosamente a minha
e que nem sequer
sabes ao certo a cor
dos meus olhos;
que o teu braço não me envolve
de encontro a ti
e que nunca fiquei
sorrindo, a ver-te dormir.

Sei também que
se leres, sequer, estas palavras,
nem sonhas que te são dirigidas.

Então que me sobra?
Se não tenho o teu toque
se não tenho o teu olhar
se não tenho o teu abraço...
nesta realidade sem ti
resta-me apenas o sonho.
Por isso, dá-me licença,
deixa-me continuar a sonhar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Cantando o invisível

Invisível aos teus olhos,
este mundo cá dentro
de cor e luz e melodia,
de dor mas também de sonho,
mundo oculto que carrego
comigo, sempre
enquanto a Vida nos move
como peças em tabuleiro,
e nos levanta em turbilhão
como folhas secas de Outono,
rodopiando sem saber
onde iremos parar.

Mas por um breve instante, um acaso
partilhamos o espaço onde o vento
nos deixou.
E eu fico-me aqui
no silêncio de um sorriso
enquanto amordaço as palavras
quase todas
e tranco o desejo
num canto do coração,
a cadeado, código e chave
antes que o consigas ler
nos meus olhos.

Deixo-me embalar em fantasia
breve
sabendo que o vento
acabará por voltar a levar-nos
mas, no aqui e no agora,
as palavras que sobram, essas
liberto-as em canção
e fingindo não dizer nada
digo-te tudo.

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As palavras do Mestre

Nunca, como hoje, a Autopsicografia me pareceu fazer tanto sentido...

porque, ao dizer, finjo
mas, ao fingir, digo
e entre o que digo...........................
....................................e o que finjo
resta o que calo,
o que sinto.





(e tu não andaste em Hogwarts, pois não? ... pois.)

Rotina

De dia...
páginas, papéis, notas,
sons, música, conversas,
sorrisos, passos, pessoas
pausa
recomeça
palavras
palavras
palavras
trocadas, oferecidas,
escritas, atiradas,
guardadas
algumas caladas
até à despedida

De noite...
frio, o vazio
que guardo ao lado
fervente, a pele
que estremece
tristes, os olhos
que adormecem
desertos, os lábios
que cerro
sábio, o silêncio
que não quebro
perdidas, as palavras
que apago
inúteis, as entrelinhas
que não lês

todos os dias são teus
todas as noites são minhas