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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Não, não é para a Lídia

... mas não quis alterar as palavras de um Mestre!

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento de mais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento –
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.


Ricardo Reis, 1914

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ainda os nomes

Bom. Fiz uma lista exaustiva de todos os nomes que já me passaram pela ideia e equacionei, ainda que brevemente, usar como título do meu projecto. Depois submeti-a ao crivo de alguns amigos que me conhecem melhor - a mim e aos meus textos - para me darem feedback sobre qual achavam que melhor traduziria as minhas pancas.

De uma página consegui reduzir a coisa a dois. Acho que só decido qual será quando tiver todos os textos escolhidos e puder olhar para a "cara" do projecto - exactamente como fiz para decidir o nome da minha filha ;)

Nota: Brevemente vou ter novidades para contar. Não posso ainda divulgar quais; embora não estejam no segredo dos deuses, articulam-se em três partes distintas mas relacionadas e não quero estragar o efeito. Por isso, só quando tiver essas novidades nas minhas mãos é que conto - embora quem me conhece mais de perto saiba exactamente do que falo...