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domingo, 6 de março de 2016

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Por fim, o adeus.

Não havia volta a dar, claro. Nem retrocesso, curva ao lado, nem nada - apenas caminhos que se tornaram divergentes.

Ainda assim, esperava... algo. Não ter sido tão facilmente esquecida, talvez, como se nunca me tivesse cruzado sequer com aquelas pessoas. Mas não deixei que isso me modificasse a intenção que levava, de despedir-me da mesma forma que usei para lidar com os outros nesses dois anos: o mimo, a doçura.

Sei que não serei apagada de todas as memórias, que algumas pessoas que me foram e são queridas também não me esquecerão - e até se lembrarão, de tempos a tempos, de me ligar ou mandar uma mensagem a perguntar como estou e o que tenho feito, tal como tenciono fazer no sentido contrário. E talvez nos encontremos por aí, por acaso ou por acordo, e troquemos sorrisos e abraços e notícias.

E sei que haverá quem, embora se recorde, não vá sequer pegar num telemóvel para escrever "olá, como estás?" ou responder à mesma pergunta. Porque manter amizades, quando as pessoas não se vêem e falam diariamente, depende de duas coisas: ou de um laço tão, tão forte que os dois podem estar meses, anos sem se falar e ao reconectar-se tudo clica no sítio como se tivessem estado juntos ainda na véspera, ou então de um esforço, ainda que pequeno, de parte a parte para que o fio criado pela convivência não se rompa.

Há fios que não quero romper, laços que não quero quebrar.
Laços que quereria ver mais apertados. Mas não sei se tal será possível - porque, mesmo que eu esteja disposta ao "esforço", ninguém me garante que do outro lado se darão ao trabalho de me responder. E, se isso acontecer, vai doer, porque dói sermos ignorados.

Sei, porque já aconteceu - e magoou.
Mesmo assim estou disposta a tentar de novo; é que, mesmo que quem está do outro lado não esteja disposto a esforçar-se, eu estou, porque acho que a amizade merece ser alimentada.
E há amizades que merecem até ser nutridas, para que cresçam e floresçam.
Para que se tornem árvores grandes e frondosas.

Algumas árvores em particular serão regadas e acarinhadas para que o laço não se perca - pequeno fio que me liga a quem trago no coração.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O som do mar

Há gostos partilhados que, por vezes, dão origem a experiências extraordinárias.

Foi esse o caso, hoje. Uma surpresa auditiva que me deixou um sorriso nos lábios, como quase sempre que ouço esta canção.

E, como quase sempre que a ouço, cerrei os olhos por instantes, e imaginei-me numa praia sobrevoada por gaivotas, com os pés descalços junto à rebentação - e no coração um desejo:

Abrir a janela e voar.


Obrigada, G.

sábado, 31 de outubro de 2015

G.8

Contas semanas como quem desfolha páginas de um livro de dor e saudade.

Quisera abraçar-te, dizer-te algo que te confortasse mas não sei o quê. Nem sei se deixarias, sequer - vejo-te casual a ponto de eu não perceber até que ponto a face que mostras é a de um estóico ou apenas máscara destinada a afastar quem não interessa.

Não queres nada de mim, mas ainda assim algo nesta nossa condição de seres humanos guarda em si espaço para a empatia e o carinho nas muitas formas que pode envergar. É só o que posso oferecer; e, se porventura alguma vez vieres a precisar, estarei por perto.


domingo, 6 de setembro de 2015

Tão perto, tão longe

Não sei o teu sofrimento de perto, mas sei que sofres.
Não sei a tua dor de perto, mas sei que dói
muito, e que nada posso fazer
para te ajudar.

Quisera dar-te mais do que palavras,
estender-te a mão, estreitar-te contra o peito
e dizer-te baixinho "Estou aqui."
ou nem dizer nada
e partilhar apenas essa dor
agigantada, que escapa
ao consolo de quem não a tem como sua.

São só palavras o que te posso dar.
Mas aqui, tão perto e ao mesmo tempo tão longe,
quero que saibas que não estás só.