segunda-feira, 30 de novembro de 2015

To Learn


O tempo passa l-e-n-t-a-m-e-n-t-e
de forma pastosa
quando não estás...

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Deep Green Sea


It's always the same, wake up in the rain
Head in pain, hung in shame
A different name, same old game, love in vain
And miles and miles and miles and miles and miles
Away from home again


domingo, 22 de novembro de 2015

Em surdina

Entranhas-te nos meus sonhos e sob a minha pele.
É apenas o desejo que preenche o espaço vazio ao meu lado e no entanto é como se conseguisse sentir-te aqui. Impalpável, mas aqui.

Os lábios entreabrem-se para sussurrar o teu nome e só a noite me escuta. Sei que não virás, que nunca virás, por isso fico-me com o sabor proibido de dizer assim, em surdina, o que calo todos os dias - ainda que já o tenha escrito tantas vezes em letras de variados feitios.

Só a noite me escuta mas o vento não me responde, ainda que ulule por todas as frinchas das janelas, clamando o seu poder e exigindo passagem de forma impiedosa. Estremeço, desejando mais uma vez que aqui estivesses, querendo abraçar-te e ser-te porto de abrigo e conforto contra o vento e a dor.

Recolho-me ao leito frio e segredo uma vez mais o teu nome ao fechar os olhos, invocando o sonho onde irei ao teu encontro dos teus braços - algures num mundo irreal
Adormeço com o teu nome nos lábios, sorrindo.

Corres-me nas veias e a cada batida do coração percorres todo o meu corpo.
Sem o saberes, trago-te comigo. Sempre.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Lost and found

Will you let me lose myself
in you?
Or simply tell me to
get lost
somewhere
any place
anywhere
anywhere
but where you happen to be?

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Vazio

Contemplo o espaço
vazio
o aqui onde queria que estivesses
e toldam-se-me os olhos
enquanto
o coração se amarfanha em tristeza.

Na noite escura,
o tempo dobra-se sobre si mesmo,
os minutos tornam-se horas
e a manhã chega sem avisar.

Com ela chega o tempo
de vestir a personagem,
e o sorriso plastificado,
irreal.

Entro no palco do dia-a-dia
rotineiro, em que nos cruzamos
sem que os nossos passos
alguma vez
sigam na mesma direcção.

O tempo escorre como areia
a noite cai e com ela o pano
de mais um acto.

Parto rumo ao silêncio
do espaço onde não estás,
e horas (ou talvez anos) depois
quedo-me novamente
em contemplação.

No escuro
em que não te ouço respirar
deito-me na curva da tua ausência
e adormeço à escuta
do eco dos teus passos que não chegarão.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Cais

Nunca me encontrarás presa a um sítio pelas amarras do hábito, da rotina, do mero conforto - o que não é o mesmo que dizer que não fico em terra. Mas nem sempre a terra é o lar.

Posso ficar, ancorada, por minha vontade; por um desafio, um projecto, uma pessoa, pois qualquer destes factores implica paixão, envolvimento, entrega. E esperança.

Posso ficar em terra à espera da volta da maré, de provisões, ou que o vento melhore. Posso até estar apenas à espera do momento certo. Mas não posso ficar por ficar, presa a um lugar onde não pertenço e a algo que já não me mereça a entrega ou retorne a paixão.

Posso ficar em terra por falta de sítio para onde ir - porque a viagem é dura, e sem saber se há destino, sequer, torna-se numa forma de lento suicídio. Não me preocupa morrer durante a viagem, mas sim morrer à deriva sem um horizonte, um propósito, um lugar que coração e alma queiram alcançar. Lar não é onde ficamos apenas. É onde nos sentimos inteiros e queremos permanecer.

Até encontrar esse lugar, posso ficar em terra, quiçá por muito tempo. Mas sempre por escolha ou à espera. Nunca me encontrarás presa pelo medo de arriscar a viagem em si, pois se há um destino, um desafio, um horizonte a atingir, mais tarde ou mais cedo içarei velas e partirei sem olhar para trás. E se a morte me sair ao caminho, encontrar-me-á de pé, desafiante, esperançosa, com a alma ao alto e um sorriso nos lábios, viva e decidida a arriscar-se por aquilo que o coração deseja: encontrar o lar.



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Leónidas

Numa noite de estrelas cadentes,
há meses que pareceram anos,
rendi-me ao infinito
das longas horas
sem te saber
(e tu, sempre tão perto).

Outras estrelas estão agora
de passagem,
e continuo sem te saber
e sem saber
se sabes
que és tu quem eu queria
ao meu lado, a contá-las.

Mas tu,
tu continuas
(a cada dia tão perto)
sem dar qualquer sinal
de que suspeites sequer
o que és e significas
(como é possível
viver dentro do coração
de alguém
e não o saber?)

Outras estrelas virão
e passarão, céleres,
pelo firmamento
numa noite como esta.
Será que te saberei
então?
E tu, onde estarás?
Será que (me) saberás?

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Parte de mim

Sou o que vi e vivi,
o que senti e experimentei
Sou onde fui e não fui,
o que fiz bem e o que errei.

Sou tudo aquilo que amei
e amo, por isso sou tu
sou as gentes da minha vida
as que trago no coração nu.

Tudo o que passou por mim,
tudo o que quis absorver,
tudo isso agora sou eu
nesta minha forma de ser.

Sou vento, sol e maré,
sou flecha, árvore, lua
sou o que trago cá dentro
sou de ninguém e sou tua.

Intimidade

"(...)
Intimidade requer tempo, requer dedicação, requer interesse profundo. Intimidade é oposto de superficialidade.
Intimidade não é saber a cor da roupa interior. Intimidade é saber a cor dos sonhos, a cor dos olhos quando choram, a forma exacta dos lábios quando sorriem. Intimidade não é ver alguém de lingerie... isso tu podes ver a qualquer momento, com alguém que já conheces há muitos anos ou há poucas horas. Intimidade não é ver alguém despir-se das roupas. Intimidade é ver alguém a despir-se das barreiras, dos medos, das suas verdades incontestáveis, das suas certezas absolutas. Intimidade é a entrega, mas não a entrega do corpo. Intimidade é a entrega mais difícil: a da alma e do coração."

do texto de Nat Medeiros, aqui

domingo, 8 de novembro de 2015

Acreditar

Também eu estou à espera de mim
Algo me diz que a tormenta passará.


É a vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que demos em frente
Caminhando sem medo de errar
Creio que a noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar

sábado, 7 de novembro de 2015

Convite

Anda, vem sentar-te aqui
à beira do sonho,
deixa-me mostrar-te
as suas cores
e descrever-te
o seu sabor intenso

Fecha os olhos e recosta-te
sente na face o calor
do sol de Inverno
e na pele a brisa
do entardecer

Enquanto repousas
fico ao teu lado
e conto-te a história
deste sonho, como nasceu,
e até onde quer ir

Não adormeças! Este sonho
é para viver de olhos abertos
há um barco à espera, se tiveres
a coragem de arriscar
e seguir
até onde o sonho nos levar.

Vens comigo?

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Luzes na escuridão

Uma parede a toda a volta.
Foi essa a sensação esta noite, na estrada, ao sair do trabalho. Nevoeiro denso a ponto de não saber a que distância estava a saída que eu tinha que apanhar, ou sequer se já a tinha passado sem dar por isso.
"Algodão em rama", "sopa de ervilhas", já ouvi várias comparações para tentar descrever um nevoeiro assim espesso. Mas nenhuma consegue transmitir a ideia, a sensação de isolamento e desorientação que se tem numa noite destas, em que perdemos a noção de onde estamos e para onde vamos. Só as luzes de outros carros nos mostram que não estamos sozinhos.

Às vezes, a vida coloca-nos em situações em que nos defrontamos com a mesma sensação. A noite pode estar perfeita e o céu claro de luar, mas isso não impede que tudo nos pareça escuro.
Num momento ou noutro, por diferentes razões, acontece-nos a (quase) todos: sentir que estamos perdidos no nevoeiro e não sabemos para onde ir.
Nessa altura, para os que têm essa sorte, há uma luz que se acende, uma mão que se estende, uma palavra que nos indica o caminho.

Os Amigos são as luzes que nos guiam de volta a casa.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Paperboats

Again and again, I have written
Words of love and hope
words of secret sadness
for what I could not have.

Again and again, I have woven
words into tapestry
a fabric of blissful dreams
that wouldn't come true.

Again and again, I have folded
words into origami
paperboats sailing to somewhere
through the night.

But the tides were too strong
and my paperboats all fell apart
in the deep waters
of silence.

From the cold, rugged shores
I have watched them sink
and all that was left
are words for sorrow.

Stripped of words,
I draw on the sand
a loving kiss for no one.

Dreams


(This and a lot more awesome Smiths mash-ups can be found here)

Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope - but no harm
Just another false alarm

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Guess what?

Just switch the speaker.


I am everything you want
I am everything you need
I am everything inside of you
that you wish you could be
I say all the right things
at exactly the right time
but I mean nothing to you

... and I don't know why.

Fade Into You

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Radio silence

Chega.

Não consigo continuar esta caminhada insana, em que cada pé tacteia o chão à sua frente antes de pousar, pois tudo em volta é areia movediça.
Não consigo continuar a amordaçar-me, a controlar constantemente o que digo com receio de dizer a coisa errada.
Não consigo continuar a apagar metade do que escrevo e a amarrar palavras com receio de que as letras me traiam, deitando todo o esforço a perder.

Nunca fui pessoa de desistir sem sequer tentar - mas quando está garantido o equivalente a uma derrota, mais vale aceitar à partida que não há nada a fazer e poupar as forças para suportar a dor que há-de vir.

E ela virá.

Virá, escura e pesada como um trem a vapor, e igualmente imparável.
Virá, escura e ominosa como um Dementor e igualmente devastadora.
Virá, escura e imensa como uma noite de tempestade - pois não há bonança em dias de que não faças parte.

No deserto em mim, visto-me de silêncio.

Too late


But if I fall for you, I'll never recover
If I fall for you, I'll never be the same






domingo, 1 de novembro de 2015

[Palavras de outros]: Eugénio & Sophia


"Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um."

Eugénio de Andrade

--- § ---
[Os grandes poetas o disseram, melhor do que eu alguma vez poderia.
Sobra-me apenas uma palavra: Faltas-me.]
--- § ---

"Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua."

Sophia de Mello Breyner Andresen 

Song For Someone

If there is a light you can’t always see
And there is a world we can’t always be
If there is a dark within and without
And there is a light, don’t let it go out