sexta-feira, 14 de abril de 2017

Momentos

Toda a vida é feita de momentos.
Sim, eu sei, soa a cliché mas é verdade.
O tempo flui e nós experimentamo-lo sob a forma de momentos sequenciais, pequenas peças num gigantesco puzzle que é o tecido das nossas vidas.
E, como em tudo, há-os bons e há-os maus.

Há momentos que nos levam aos píncaros de felicidade, e há momentos que nos deixam à beira de uma depressão. Há momentos que induzem circunspecção, enquanto outros originam reacções explosivas, sejam elas de alegria ou de fúria.

Há momentos passageiros. E há momentos que marcam.
Alguns, reconhecemos de imediato como o que são. Outros, temos de olhar para trás para perceber quando sucederam, porque estávamos distraídos ou focados noutra coisa qualquer.

"Life is what happens to us while we're making other plans."

Os momentos marcantes podem ser apenas isso, momentos. Ou podem ser o início de algo muito maior, quer seja bom ou mau. Podemos ser nós a criá-lo ou não.
Por vezes, quando é de imediato reconhecido como extraordinário, com o momento vem a esperança - de que não seja apenas um momento mas apenas o primeiro de muitos. Às vezes a esperança cumpre-se. E às vezes não.

Guarda esses momentos num bolso do coração, como pequenos tesouros. Se a esperança tiver onde se agarrar e de rebento frágil se tornar árvore frondosa, poderás sempre reconhecer esse primeiro momento e recordar "onde/quando tudo começou". Mas se a esperança morrer - arrancada de ti ou porque tenha apenas definhado em solo estéril - esse momento único, esse tesouro guardado no teu peito, pode ser só o que te resta, mas continuará a ser teu.

Nem sempre é fácil criar momentos; muitas vezes é preciso abrir a alma ao vento como quem dá o peito à espada, revelando-nos como seres vulneráveis quando preferiríamos estar escudados e protegidos. Mas se, com o pretexto da protecção, nos fecharmos em nós mesmos, que nos sobrará?

Não te deixes morrer de coração vazio.
Não fiques fechad@, calad@, sentad@ no escuro à espera que a vida aconteça, desejando que fosse diferente. Atreve-te a querer. A fazer. Cria momentos. Porque, no fim, mesmo que nada corra como desejarias, terás o coração cheio desses pequenos tesouros, e na recordação da vulnerabilidade que revelaste encontrarás força e um motivo para, apesar de tudo, sorrir.
E de coração cheio poderás dizer "eu atrevi-me. eu quis. eu vivi."
Quant@s poderão dizer o mesmo?

1 comentário:

Corvo Negro disse...

A ilusão de nós próprios... vale mesmo a pena.
Celebre-mo-la, portanto.