quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Neruda & eu

"Aqui te amo
Nos sombrios pinheiros desenreda-se o vento
a lua fosforesce sobre as águas errantes
andam dias iguais a perseguir-se.

Desperta-se a névoa em dançantes figuras
uma gaivota de prata desprende-se do ocaso
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Sozinho.

Às vezes amanheço e até a alma está húmida.
Soa, ressoa o Mar ao longe.
Este é um porto.
Aqui te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
Às vezes vão meus beijos nesses barcos solenes
que correm pelo Mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos
mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores
E como eu te amo! Os pinheiros no vento
querem cantar o teu nome com suas folhas de cobre
AQUI DISTANTE, EU TE AMO!"

(Pablo Neruda)




Daqui distante te mando um beijo
em cada sussurro de brisa
que me apaga as lágrimas que não deixo que meus olhos vertam
e arrasto-me sob o sol que incendeia a tarde, lá no alto
neste mesmo céu sob o qual estás, e o teu espírito tão longe
tão longe, para lá do Mar.
E eu aqui, distante. Mas sempre tua.
Aqui te amo. E em todo o lado.

1 comentário:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Não conhecia o poema e achei muito bonita as palavras seguintes, numa contínua homenagem ao objecto do amor.

Um beijo amigo